Dois cartões vermelhos. Zero gols. Uma bola tirada em cima da linha aos 40 minutos do segundo tempo. O empate entre Athletico e Grêmio na Arena da Baixada, neste sábado (2), às 20h30, não foi sobre futebol — foi sobre aritmética de suspensões e geometria de posicionamento defensivo.

O que aconteceu

Aos 32 minutos do primeiro tempo, o árbitro Savio Pereira Sampaio foi acionado pelo VAR para rever uma confusão entre Esquivel e Enamorado. A conclusão: cartão vermelho para o lateral do Athletico, que deixou o Furacão com dez homens por praticamente todo o restante da partida. A cotovelada custou mais do que a expulsão em si — reorganizou o jogo inteiro.

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O Grêmio, com superioridade numérica, não aproveitou os 58 minutos seguintes para furar a defesa rubro-negra. Aos 31 minutos do segundo tempo, Pavón fez grande lance pela direita, cruzou na segunda trave e André, com o goleiro já batido, cabeceou para fora dentro da pequena área — chance desperdiçada que custaria pontos.

Aos 38 minutos da etapa final, Riquelme, que já havia recebido amarelo, se desentendeu com Benavidez antes de uma cobrança de escanteio e levou o segundo cartão. As equipes ficaram com dez cada uma, e o desequilíbrio numérico que favorecia o Grêmio evaporou em questão de segundos.

O desfecho veio aos 40 minutos: após cruzamento pela direita, a bola foi desviada na primeira trave e Gustavo Martins tirou em cima da linha. No rebote, Weverton fez a defesa. O 0 a 0 estava garantido.

O que aconteceu Duas expulsões, zero gols e uma bola sal
O que aconteceu Duas expulsões, zero gols e uma bola sal

Por que isso importa

A análise do SportNavo sobre as expulsões revela uma assimetria tática clara: o Grêmio perdeu Riquelme — um dos seus jogadores de construção mais ativos no segundo tempo — num momento em que a equipe já dominava as ações e precisava de criatividade para romper o bloqueio defensivo do Athletico.

Esquivel, expulso aos 32 do primeiro tempo por cotovelada, obrigou o técnico do Furacão a reorganizar o bloco defensivo ainda na primeira etapa. O time paranaense adotou postura recuada e compacta, o que, ironicamente, anulou a superioridade numérica gremista durante boa parte da partida. Não há tragédia nisso: há geometria.

Segundo apuração do SportNavo, o Grêmio finalizou mais de quatro vezes dentro da área no segundo tempo sem converter — um dado que expõe não apenas a eficiência ofensiva abaixo do esperado, mas também a solidez defensiva de Terán e Balbuena sob pressão. Balbuena, aos 22 minutos da segunda etapa, ainda precisou cabecear para fora após cobrança de escanteio da esquerda, provando que o perigo esteve presente até nos momentos de superioridade gremista.

Os números por trás

Com o empate, o Athletico chega a 23 pontos e mantém a quinta colocação na tabela do Brasileirão 2026. O Grêmio soma 17 pontos e figura na 12ª posição — uma diferença de seis pontos que, numa fase ainda inicial do campeonato, começa a ter peso real.

O Vitória, no outro jogo da noite, goleou o Coritiba por 4 a 1 no Barradão com gols de Renê, Zé Vitor, Diego Tarzia e Erick. O Leão chega a 18 pontos e ocupa a oitava colocação. O Coritiba, com 19 pontos, é o nono — e viu o adversário aproveitar a expulsão de Tiago Cóser ainda no primeiro tempo para ampliar a vantagem.

No recorte disciplinar da partida na Baixada: Viveros, Odair Hellmann e Benavidez receberam amarelo pelo Athletico; Riquelme levou amarelo e vermelho pelo Grêmio. Esquivel foi expulso diretamente. Ao todo, seis cartões em 90 minutos — uma média que reflete o caráter físico e truncado do confronto desde o apito inicial, com temperatura de 16 graus em Curitiba e clima quente dentro de campo.

O próximo capítulo

O Athletico tem a semana livre e só volta a campo no domingo, dia 10, fora de casa, contra o Vasco, pela continuidade do Brasileirão. A sequência sem jogos intermediários permite recuperação física e planejamento tático — um luxo que o Grêmio não tem.

Os gaúchos enfrentam o Deportivo Riestra (ARG) na próxima terça-feira pela quarta rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. Luís Castro leva um elenco desgastado para Buenos Aires, sem Riquelme por suspensão, numa missão que exige resultado positivo para manter a posição no grupo.

Na Arena da Baixada, o silêncio dos 0 a 0 se instalou quando Weverton agarrou o rebote. Terán ficou deitado no gramado por alguns segundos, olhando para a trave — como quem acabou de entender que salvou um ponto que o time não merecia perder.