A lista já está fechada. Enquanto o restante do mundo ainda aguarda as convocações dos grandes favoritos, a Copa do Mundo de 2026 ganhou nesta segunda-feira (11) seu primeiro elenco oficial: o técnico Sergej Barbarez divulgou os 26 nomes da Bósnia e Herzegovina — e o de Edin Dzeko, 40 anos, aparece ali como uma declaração de intenções. Não como nostalgia. Como ameaça.
Dzeko aos 40 e a pergunta que ninguém quer responder
Quantos atacantes chegaram a uma Copa do Mundo com 40 anos e ainda sustentavam a condição de maior artilheiro da história de seu país? A pergunta não é retórica — é estatística. Dzeko carrega 73 gols em 148 partidas pela seleção da Bósnia, uma média de 0,49 por jogo, superior à de nomes como Gary Lineker (0,60, em contexto completamente diferente de seleção) e comparável à de atacantes de gerações de ouro de potências médias europeias. Para uma seleção que existe como entidade independente apenas desde 1995, esses números têm peso enciclopédico.
Em 2014, no Brasil — única Copa disputada pela Bósnia até então —, Dzeko marcou o gol da vitória por 3 a 1 sobre o Irã, na última rodada da fase de grupos. Foi o único triunfo bósnio naquele torneio: a equipe perdera por 2 a 1 para a Argentina e por 1 a 0 diante da Nigéria, caindo na primeira fase. Ele tinha 28 anos. Doze anos depois, retorna com uma bagagem que poucos atacantes europeus acumularam — Roma, Manchester City, Fenerbahçe, Inter de Milão — e agora encerra a carreira no Schalke 04, onde conquistou o acesso à Bundesliga.
"Ele é, ao lado de Kolasinac, o símbolo desta seleção", destacou o técnico Barbarez ao apresentar o grupo — uma escolha que, em si, já é uma declaração sobre o papel do veterano no projeto bósnio para 2026.
Como a Bósnia chegou até aqui eliminando a Itália
A vaga não veio de graça. A Bósnia eliminou a Itália — tricampeã mundial — na repescagem das Eliminatórias Europeias, nos pênaltis, após empate no tempo regulamentar. O gol que forçou a prorrogação foi de Haris Tabakovic, do Borussia Mönchengladbach, hoje convocado como um dos atacantes titulares. Para os italianos, foi o terceiro ciclo consecutivo — 2018, 2022 e agora 2026 — marcado por eliminações traumáticas antes do Mundial. Para os bósnios, foi a confirmação de que a geração atual supera, em resultado concreto, a de 2014.
A convocação de Barbarez reflete um grupo com razoável dispersão europeia: Sead Kolasinac defende a Atalanta, Amar Dedic está no Benfica, Ermedin Demirovic atua pelo Stuttgart e o goleiro titular Nikola Vasilj joga no St. Pauli — time que disputou a Bundesliga na temporada 2025/2026. O perfil é de uma seleção sem estrela única, apoiada num coletivo experiente e num Dzeko que funciona — mesmo veterano — como referência simbólica e técnica.
"Tabakovic é o herói desta classificação, mas Dzeko é a alma desta equipe", afirmou Barbarez em entrevista após o anúncio da convocação, sintetizando a dualidade geracional do grupo.
O Grupo B e o que ainda falta resolver
A Bósnia cai no Grupo B ao lado do Canadá — anfitrião —, da Suíça e do Catar. A estreia acontece em 12 de junho, no BMO Field, em Toronto, diante dos canadenses. Em 18 de junho, o adversário é a Suíça, em Los Angeles. O encerramento da fase de grupos se dá em 24 de junho, contra o Catar, em Seattle. Dos três rivais, a Suíça — presente em todas as últimas cinco Copas e com aproveitamento médio de 55% na fase de grupos desde 2006 — representa o maior obstáculo técnico. O Canadá, anfitrião, jogará com pressão adicional de público, mas ainda constrói sua identidade em Mundiais. O Catar, campeão anfitriã em 2022 e eliminado na fase de grupos com aproveitamento zero, é o adversário mais acessível no papel.
A análise do SportNavo indica que, para avançar às oitavas de final pela primeira vez na história, a Bósnia precisará de ao menos dois resultados positivos — e Dzeko, mesmo aos 40 anos, é o nome com maior capacidade de decidir jogos travados. Em 2014, foi justamente ele quem abriu o placar contra o Irã antes de Miralem Pjanić ampliar e selar a vitória. A memória muscular de um centroavante que marcou 123 gols na Serie A italiana ao longo de sete temporadas pela Roma não se apaga com a idade.
A lista de reservas inclui nomes como Gojak e Hajradinovic, indicando que Barbarez tem alternativas caso o desgaste físico de Dzeko se mostre um fator real durante o torneio. A estreia contra o Canadá, no dia 12 de junho em Toronto, dirá se o veterano ainda tem condições de ser titular ou se seu papel será o de referência saindo do banco — e essa resposta mudará tudo no cálculo bósnio para 2026.
Se Dzeko marcar ao menos um gol na Copa, ele se tornará o único jogador da história a balançar as redes em todas as participações da Bósnia em Mundiais. Essa possibilidade se concretiza em pouco mais de um mês: o Brasil ainda não convocou, a Alemanha também não, mas a Bósnia já sabe quem vai jogar — e quem vai decidir se esta geração escreve um capítulo diferente do de 2014. Você acredita que Dzeko tem físico para ser titular nos três jogos da fase de grupos?










