Resistiu. Quando o futebol brasileiro começou a aposentar atacantes de sua geração, Eduardo Sasha decidiu que ainda não era hora — e está provando isso dentro de campo, jogo após jogo, na temporada mais intensa de sua passagem pelo Bragantino.
Sob a lente do treinador
O que um treinador vê em Eduardo Sasha não é velocidade de ponta — nunca foi. O que ele vê é leitura. Eduardo Colcenti Antunes, nascido em Porto Alegre em 24 de fevereiro de 1992, tem 1,73m e 70 kg, o corpo de um jogador que aprendeu a usar o espaço antes de ocupá-lo. Vestindo a camisa 8 do Bragantino, ele funciona como um atacante que aparece nos momentos certos, não em todos os momentos. Na Copa Sudamericana de 2026, esse timing se torna ainda mais valioso: a competição pune quem precipita e recompensa quem espera. No dia 1º de maio, diante do River Plate, o Bragantino não saiu do zero a zero — mas Sasha esteve em campo num jogo de dez cartões, segurou a pressão e não se perdeu no caos. Isso, para um técnico, tem peso.
Sob a lente do torcedor
Para quem acompanha o Bragantino de perto, Eduardo Sasha é o tipo de jogador que você só percebe quando ele sai. Não é o nome que vai para a camisa do filho, não é o ídolo que para o trânsito na saída do estádio — mas é aquele que você sente falta quando o banco está vazio. Na temporada 2026, com 33 jogos disputados, 8 gols e 3 assistências, ele já superou a média de participações diretas em gol que construiu em boa parte de sua carreira. Há uma cena que resume bem o que ele representa: em 2024, pelo Campeonato Paulista, ele marcou 6 gols em 13 jogos — uma produção que qualquer artilheiro assinaria. O torcedor que viu aquela fase sabe que esse atacante ainda tem combustível. E quando o Bragantino precisa de alguém que não entre em pânico dentro da área, é Sasha que aparece.

Sob a lente da planilha de dados
Os números de Eduardo Sasha em 2026 contam uma história específica: consistência, não explosão. Oito gols em 33 jogos é uma média de 0,24 por partida — discreta se comparada a atacantes de referência continental, mas sólida para um jogador que opera como segundo atacante numa equipe que divide atenção entre Brasileirão e Sudamericana. O pico documentado de sua carreira recente veio em 2023, quando marcou 11 gols em 33 jogos pelo Bragantino na Série A, além de 5 gols em 8 jogos pela Sudamericana — uma produção que o colocou entre os atacantes mais eficientes do clube naquele ciclo. Ao longo de sua trajetória profissional, acumula 272 jogos, 69 gols e 21 assistências, segundo os dados levantados pelo SportNavo. O que chama atenção é a curva: em vez de decair após os 30, ele manteve produção relevante, adaptando o estilo sem perder a eficiência dentro da área. Seu movimento em diagonal — como uma corrente de ar que desliza entre zagueiros sem que ninguém perceba de onde veio — é a marca técnica que os dados não conseguem capturar completamente, mas que os gols confirmam.
Sob a lente do mercado
Com 34 anos completados em fevereiro de 2026, Eduardo Sasha está numa janela que o mercado costuma chamar de "última grande temporada". Não é uma sentença — é uma realidade que os próprios jogadores sabem ler. Sua trajetória passou por clubes de peso: defendeu o Atlético Mineiro em um dos períodos mais vencedores da história do clube, conquistando o Campeonato Mineiro em 2020, 2021 e 2022, o Campeonato Brasileiro de 2021, a Copa do Brasil de 2021 e a Supercopa do Brasil de 2022. Antes disso, ainda jovem, somou títulos pelo Internacional — Copa Sub-23 de 2010 e Campeonatos Gaúchos de 2011, 2014, 2015 e 2016 — e pelo Goiás, onde foi campeão da Série B de 2012 e do Campeonato Goiano de 2013. Esse currículo diz ao mercado que ele sabe o que é pressão de título. No Bragantino, a questão é se o clube vai renovar ao fim desta temporada ou se um rival vai enxergar nele um reforço pontual de experiência. Para os próximos 12 meses, o cenário mais realista é que Sasha termine a Sudamericana com o Bragantino e, dependendo do desempenho coletivo da equipe, negocie uma extensão ou uma saída com destino a um clube que precise de um atacante rodado para uma campanha específica. O que ninguém no mercado deve fazer é ignorá-lo enquanto ele ainda está marcando.
O árbitro apita o fim do jogo. Eduardo Sasha caminha em direção ao vestiário com a camisa 8 encharcada, sem gesticular, sem discurso — apenas os 8 gols de 2026 guardados no corpo como prova silenciosa de que ainda está aqui.










