Quando o placar marcava onze pontos de vantagem para Boston no segundo quarto e a temporada do Philadelphia 76ers parecia se encaminhar para o fim, Joel Embiid ainda estava no banco com restrições físicas, limitado a apenas dois jogos na série. O que se seguiu nas duas horas seguintes é a síntese de por que o pivô camaronês, nascido em Yaoundé e criado nos sistemas de formação europeus antes de chegar à NBA, continua sendo um ativo econômico e esportivo insubstituível para a franquia da Filadélfia. Philadelphia venceu Boston por 113 a 97, fora de casa, e levou a série para 3 a 2.

O peso do corpo no garrafão e no balanço financeiro

Embiid estreou na série apenas no Jogo 4 — informação que, por si só, já expõe a fragilidade estrutural de uma equipe que investiu mais de US$ 200 milhões no contrato máximo do pivô e dependeu de outros mecanismos para sobreviver nas três partidas anteriores. No Jogo 5, com o atleta em ritmo crescente, a estratégia do técnico Nick Nurse foi transparente: atacar sistematicamente Neemias Queta e Nikola Vucevic nos confrontos diretos, empurrar os dois para a zona de falta e retirar de Joe Mazzulla duas das suas peças rotativas mais confiáveis. Queta, revelação portuguesa que vem conquistando minutos relevantes nos Celtics, e Vucevic acumularam problemas de foul ainda na primeira metade, limitando o espaço de manobra do técnico de Boston.

A análise do SportNavo mostra que essa estratégia de mismatch não é nova na cartilha de Nurse, mas ganhou eficácia cirúrgica no Jogo 5 porque Embiid operou com consistência de costas para a cesta, oscilando entre o arremesso de média distância e a distribuição para corredores como Tyrese Maxey e Paul George. George, que havia sido irregular durante a série, foi o responsável por liderar a virada no quarto período.

Os Celtics e o apagão dos três pontos

Do lado de Boston, o Jogo 5 escancara uma vulnerabilidade que vai além da ausência de Embiid nos confrontos anteriores: o aproveitamento nos arremessos de três pontos foi errático ao longo da partida. No primeiro quarto, enquanto Paul George convertia do perímetro para os 76ers, os Celtics erraram sequências importantes que poderiam ter sepultado Philadelphia logo no início. Jayson Tatum, Jaylen Brown e Payton Pritchard só encontraram o ritmo no segundo período, quando Boston chegou a abrir onze pontos de frente.

A recalibração celta, porém, não se sustentou. No terceiro quarto, Embiid assumiu o comando e reduziu a diferença para uma única posse de bola, obrigando Mazzulla a pedir tempo. Segundo a avaliação do técnico após a partida, o intervalo foi necessário para reorganizar o sistema defensivo. «Precisávamos de uma pausa para recuperar o controle defensivo», disse Mazzulla em entrevista pós-jogo. A pausa funcionou brevemente — Tatum e Pritchard voltaram a converter do perímetro —, mas o ímpeto dos 76ers no quarto final foi maior. Sam Hauser, que havia ficado apagado durante grande parte do jogo, acertou dois arremessos consecutivos de três pontos na tentativa de reação, porém a série de erros forçados pelos Sixers na reta final selou o resultado.

Maxey, Drummond e a resiliência coletiva

Um dado que merece registro: em determinado momento do terceiro quarto, Embiid deixou a quadra com uma contusão no joelho e ficou fora por alguns minutos. Nesse intervalo, Andre Drummond e Tyrese Maxey mantiveram o prejuízo controlado, impedindo que Boston ampliasse a margem. Maxey encerrou a partida como o segundo maior pontuador dos 76ers e foi responsável por algumas das transições ofensivas mais importantes do quarto período.

«Esse grupo não desiste. A gente sabia o que precisava fazer e foi lá buscar», declarou Maxey no vestiário após a vitória.

Do ponto de vista da economia do basquete, a dependência dos 76ers de um único atleta para inverter séries de playoffs é um debate que volta a cada temporada. A franquia tem uma folha salarial que figura entre as cinco mais caras da liga — acima de US$ 180 milhões em compromissos para a temporada atual —, e mesmo assim os playoffs revelam o quanto a saúde física de Embiid determina o teto competitivo do time. Essa equação preocupa a diretoria, que precisará tomar decisões contratuais relevantes no próximo offseason.

O peso do corpo no garrafão e no balanço financeiro Embiid força o Jogo 6 e mant
O peso do corpo no garrafão e no balanço financeiro Embiid força o Jogo 6 e mant

O que está em jogo no Jogo 6

A série volta para a Filadélfia com os Celtics ainda na vantagem de 3 a 2. O Jogo 6 acontece no Wells Fargo Center, casa dos 76ers, onde a equipe tem um histórico mais sólido nesta pós-temporada. Para Boston, eliminar a série fora de casa evitaria um Jogo 7 com a pressão de um possível colapso histórico. Para Philadelphia, garantir o Jogo 7 seria uma declaração de que Embiid, quando saudável e com ritmo de jogo, muda a lógica competitiva da série — e possivelmente reforça o argumento para manter o núcleo atual por mais uma temporada.