52 anos separam a primeira vitória de Emerson Fittipaldi no Indianapolis Motor Speedway e o momento em que seu neto Enzo Fittipaldi cruzou a linha de chegada em primeiro lugar na Corrida 1 da Indy NXT, neste fim de semana, no mesmo asfalto. A história não se repete com exatidão — mas às vezes ela ecoa com uma precisão que arrepia.

A manobra que fechou o circuito de Indianápolis para os Fittipaldi

Enzo, pilotando pela HMD Motorsports, não liderou a corrida inteira. Ele esperou o momento certo, calculou o espaço disponível e executou uma ultrapassagem decisiva nos metros finais da prova disputada no circuito misto do IMS — configuração que combina o oval histórico com um setor de rua interno, exigindo ajuste fino de downforce (a força aerodinâmica que pressiona o carro contra o asfalto) para equilibrar tração nas curvas lentas e velocidade de ponta nas retas do oval. Esse equilíbrio é difícil. Errar o setup significa perder aderência em um setor e ganhar em outro — um compromisso técnico que as equipes negociam corrida a corrida.

O que Emerson construiu em Indianápolis e Enzo herdou

Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial de Fórmula 1 nos anos 1970, venceu as 500 Milhas de Indianápolis duas vezes — em 1989 e 1993. Ele não apenas venceu: dominou estratégias de pit stop numa época em que o undercut (parar antes do rival para retornar com pneus novos e ganhar posição) ainda era calculado à mão, sem telemetria em tempo real. O legado que Enzo carrega não é só um sobrenome. É uma forma de correr. Segundo avaliação do SportNavo, poucos pilotos da Indy NXT chegam à categoria com tanto peso histórico e, ao mesmo tempo, tanto por provar.

"Um Fittipaldi volta a vencer no Indianapolis Motor Speedway", registrou a cobertura oficial do evento, sintetizando o que a torcida brasileira sentiu ao ver a bandeirada.

Degradação de pneus e leitura de corrida — o que Enzo fez diferente

A Indy NXT, categoria de acesso à IndyCar, exige gestão intensa de degradação térmica — o processo pelo qual o pneu perde aderência à medida que a borracha aquece além do ponto ideal, como um freio que esquenta demais e para de morder. Pilotos que forçam cedo demais chegam ao final sem grip. Enzo gerenciou esse equilíbrio com maturidade, preservando o composto para o sprint decisivo. Frases curtas traduzem o que aconteceu na pista: ele esperou. Calculou. Atacou na hora certa.

Honeycutt também escreve sua história, em Watkins Glen

No mesmo fim de semana, Kaden Honeycutt venceu a prova Bully Hill Vineyards 176 da NASCAR Truck Series em Watkins Glen, pilotando o Toyota #11 da TRICON. A vitória veio após uma penalidade por entrar nos boxes com a pista fechada — o que o jogou para o fundo do pelotão. Honeycutt aproveitou as bandeiras amarelas na reta final para escalar posições e superar Connor Zilisch e Shane van Gisbergen. Duas primeiras vitórias no mesmo fim de semana, em categorias distintas, com histórias de superação igualmente válidas.

O que vem a seguir para Enzo na temporada da Indy NXT

A temporada 2026 da Indy NXT ainda está no início. Enzo tem agora uma vitória no currículo — e, mais importante, uma vitória em Indianápolis, a prova de maior peso simbólico do calendário. A Corrida 2 no IMS acontece no mesmo fim de semana, dando ao piloto brasileiro a chance imediata de confirmar que o resultado não foi pontual. Enzo tem 22 anos. O avô Emerson venceu as 500 Milhas pela primeira vez aos 42.