Três coisas: idade, tempo de casa e número de gols profissionais. Dezenove anos. Oito anos no clube. Um gol. Tudo sobre o momento de Erick Belé no Palmeiras se explica a partir daí.

O gol que transforma uma estatística em trajetória

Na quarta-feira, 13 de maio, no Estádio do Café, em Londrina, o Palmeiras aplicou 4 a 1 sobre o Jacuipense pela quinta fase da Copa do Brasil. O placar agregado ficou em 7 a 1 — números que expressam uma diferença de nível técnico sem precisar de qualificativo. Mauricio, Felipe Anderson e Luighi também marcaram, enquanto Vicente Ferreira descontou para os baianos. Em meio a esse cenário de domínio, Erick Belé registrou o número que faltava em sua ficha: o primeiro gol como profissional.

CAFU ABRE O JOGO SOBRE A DERROTA NA COPA DE 98! | #shorts | HEXA NELES!

Não se tratava de uma partida de Copa Libertadores ou de um clássico paulista. O adversário é do interior da Bahia, disputa a Série D e chegou à quinta fase da Copa do Brasil como surpresa da competição. Mesmo assim, seria injusto diminuir o significado do gol — seria injusto chamar de era o que é um primeiro capítulo, mas é um primeiro capítulo em escala de carreira profissional. Para um jogador que assinou seu primeiro contrato em 2023 e acumula apenas seis partidas pelo time principal — quatro delas em 2026 —, o gol tem peso de marco.

O gol que transforma uma estatística em trajetória Erick Belé marca o primeiro g
O gol que transforma uma estatística em trajetória Erick Belé marca o primeiro g

Oito anos de Academia para construir um número

Erick Belé chegou ao Palmeiras em 2018, quando tinha onze anos. Atravessou todas as categorias da Academia de Futebol, estrutura que nas últimas duas décadas formou jogadores vendidos por cifras que redefiniram o mercado sul-americano. Endrick foi negociado com o Real Madrid por 72 milhões de euros em 2022. Estêvão seguiu caminho parecido, com destino ao Chelsea por valores na mesma faixa. O histórico cria uma régua alta e, ao mesmo tempo, demonstra que o clube sabe o que está fazendo quando decide integrar um jovem ao elenco principal.

A estreia no time de Abel Ferreira aconteceu em outubro de 2025, contra o Juventude, pelo Campeonato Brasileiro. Desde então, o atacante transita entre o sub-20 e o profissional — um ritmo de progressão que o próprio treinador português descreveu com precisão cirúrgica ao comentar o perfil do atleta:

"O Belé é um jogador que já treinou conosco no ano passado e, neste ano, está mais presente na equipe principal. Faz parte do nosso elenco e, quando entendemos que há espaço, pode jogar. Quando olhamos para esse tipo de jogador, temos que olhar para o que é a visão da presidente, metodologia de treino da equipe principal e todo trabalho da base", declarou Abel Ferreira.

A fala de Abel não é elogio aberto nem garantia de titularidade. É a descrição técnica de um processo — e, na metodologia do treinador, processo é o argumento mais sólido que existe.

Oito anos de Academia para construir um número Erick Belé marca o primeiro gol e
Oito anos de Academia para construir um número Erick Belé marca o primeiro gol e

O que o número 1 projeta para a sequência da temporada

Na avaliação do SportNavo, o gol contra o Jacuipense tem função dupla: encerra uma lacuna estatística e inicia uma sequência de observação mais sistemática por parte da comissão técnica. Como segundo atacante, Belé demonstrou mobilidade e capacidade de ocupar espaços entre linhas — características que Abel Ferreira valoriza em seu esquema ofensivo desde as conquistas da Libertadores de 2020 e 2021.

O interesse europeu ainda é difuso — clubes do continente monitoram regularmente as categorias de base palmeirenses desde que a pipeline de Endrick e Estêvão se consolidou como referência —, mas nenhuma proposta formal está sobre a mesa. O que existe é um atacante de 19 anos com contrato profissional ativo, seis jogos no currículo e agora um gol que dá substância ao nome.

O Palmeiras volta a campo pelo Campeonato Brasileiro ainda neste mês, e a sequência da Copa do Brasil coloca a equipe de Abel Ferreira nas oitavas de final, onde o nível dos adversários sobe consideravelmente. Será nesses jogos que a comissão técnica definirá se Erick Belé merece minutos de maior responsabilidade — ou se o número 1 ainda precisa de alguns jogos para virar número 2, 3 e daí em diante.