"Sair na frente e permitir que o adversário vire dessa maneira é inaceitável." A frase é do volante Erick, titular do Bahia na derrota por 3 a 1 para o Remo, na última quarta-feira (7), na Casa de Apostas Arena Fonte Nova. Não há drama emocional na declaração — há diagnóstico. E o diagnóstico é grave o suficiente para acender alertas dentro do clube.
O que os números revelam sobre o colapso tricolor na Fonte Nova
O Bahia abriu o placar com Tchamba aos 19 minutos do primeiro tempo, em jogada aérea. Três minutos depois, o Remo empatou. No segundo tempo, dois erros individuais definiram o placar: Léo Vieira fez pênalti após falha na saída de bola, e Alef Manga aproveitou vacilo de Ramos Mingo para marcar o terceiro. Yago Pikachu converteu a penalidade do meio. Resultado final: Bahia 1 x 3 Remo, pela quinta fase da Copa do Brasil.
O Tricolor acertou a trave com Acevedo no primeiro tempo e desperdiçou chance clara com Everaldo na etapa complementar. Domínio territorial sem eficiência — e dois erros de marcação que custaram a classificação direta. A queda de rendimento foi tão abrupta que o time que pressionou o adversário durante quase toda a partida terminou com uma desvantagem de dois gols para reverter.
A derrota encerrou a campanha invicta do Bahia no Campeonato Brasileiro. O clube chegou à partida com 14 pontos, ocupando a 4ª colocação na tabela da Série A — dentro do G4, mas com a liderança como alvo declarado. Perder invencibilidade para um clube da Série B em competição eliminatória tem peso simbólico e matemático.
O que dizem os protagonistas dentro e fora do vestiário
Erick foi o mais duro na avaliação pós-jogo. Em declaração à ge tv, o volante não poupou o próprio grupo:
"A gente estava brigando pela ponta da tabela, e quando se briga pela ponta da tabela, tem que vir com um pouco mais de lucidez, de convicção pra que a gente conquistasse o triunfo aqui hoje."
O jogador reconheceu que o time "abdicou de jogar" após marcar o gol de empate — um minuto de relaxamento que abriu espaço para o Remo construir a virada. A autocrítica de Erick contrasta com o silêncio de outros membros do elenco no pós-jogo, o que, por si só, já é um dado. Quando um único jogador concentra toda a cobrança pública, o sinal é de que o vestiário ainda está processando o tamanho do estrago.
O volante tentou equilibrar a narrativa ao afirmar que "não está tudo perdido" e que a derrota "não abala" o grupo. Mas a sequência do discurso revela a tensão: ele pediu "reflexão", citou o placar como "elástico" e reconheceu que o time pode ter saído do G4 dependendo dos resultados paralelos. Não há tragédia — há contabilidade.
"Não abala. A gente tem que refletir muito, porque é um placar elástico, foi uma virada, uma mudança de postura, mas não tem nada perdido."
O levantamento do SportNavo sobre o histórico recente do clube mostra que o Bahia não sofria uma goleada em casa em competição nacional desde o ciclo anterior da Copa do Brasil. A derrota para o Remo, clube da Série B com orçamento substancialmente menor, amplifica o impacto do resultado no ambiente interno.
O que o jogo de volta exige do Bahia no Mangueirão
O confronto de volta está marcado para esta quarta-feira (13), às 21h30, no Estádio Mangueirão, em Belém. Para se classificar diretamente, o Bahia precisa vencer por três gols de diferença. Uma vitória por dois gols leva a decisão para os pênaltis. Qualquer resultado abaixo disso elimina o Tricolor.
O Remo joga pelo empate ou por qualquer derrota por margem de até dois gols para avançar. A matemática favorece o clube paraense, que atua em casa e tem a vantagem psicológica de ter vencido na Fonte Nova — estádio onde o Bahia raramente perde.
O Tricolor terá uma janela de recuperação antes do jogo de volta: a Data Fifa interrompe o calendário, e o clube só retorna ao Brasileirão no dia 1º de abril, contra o Athletico-PR. O intervalo pode servir para recompor o grupo fisicamente, mas não resolve o problema técnico exposto no primeiro jogo — a fragilidade defensiva em situações de pressão e a queda de intensidade após marcar.
O Bahia embarca para Belém precisando de uma virada que não faz parte do seu padrão recente. O Mangueirão decide.









