A ruptura de 80% das fibras do músculo posterior da coxa direita sofrida por Estêvão na derrota do Chelsea para o Manchester United no último sábado, 18, representa o tipo de lesão que pode comprometer uma Copa do Mundo inteira. O jovem atacante de 19 anos, que completa a maioridade nesta sexta-feira, 24, enfrenta agora uma corrida contra o relógio para estar disponível quando a Seleção Brasileira estrear contra Marrocos em 13 de junho, no MetLife Stadium.

Diagnóstico preocupa especialistas

O rompimento dos isquiotibiais coloca o caso no nível mais alto de gravidade dentro das lesões musculares. Este grupo muscular é essencial para movimentos de aceleração, arranque e mudança de direção - justamente os fundamentos que tornaram Estêvão uma das principais promessas do futebol brasileiro. A estimativa mais conservadora aponta para pelo menos três meses de afastamento, podendo se estender até seis meses dependendo da resposta ao tratamento.

Na história recente da Seleção, lesões similares já privaram o Brasil de peças importantes em Mundiais. Em 2014, Neymar sofreu uma fratura de vértebra que o tirou da semifinal e disputa pelo terceiro lugar. Quatro anos antes, na África do Sul, Kaká chegou limitado fisicamente após problemas no joelho e teve participação discreta. A diferença é que Estêvão ainda não conquistou seu espaço definitivo na equipe de Dorival Júnior.

O protocolo de recuperação inclui fases progressivas de cicatrização, ganho de força e recondicionamento específico. Com apenas 48 dias até a abertura do Mundial, o tempo trabalha contra o jovem atacante. Segundo apuração do SportNavo, a comissão técnica da Seleção acompanha diariamente a evolução do quadro através de contato direto com o departamento médico do Chelsea.

Dorival Jr tem alternativas no setor

A possível ausência de Estêvão obriga Dorival Júnior a repensar suas opções ofensivas para o Mundial. O técnico conta com nomes consolidados como Vinícius Júnior, Raphinha e Rodrygo, além de jovens talentos como Endrick e Savinho. A versatilidade tática será fundamental, considerando que Estêvão vinha sendo testado tanto pelas pontas quanto como meia-atacante.

Historicamente, a Seleção sempre encontrou soluções criativas para contornar ausências de última hora. Em 1982, Sócrates assumiu maior protagonismo após a lesão de Zico na fase de grupos. Já em 2002, Ronaldinho Gaúcho ganhou espaço definitivo após a contusão de Romário durante a preparação. A diferença é que estas situações envolveram jogadores já estabelecidos no cenário mundial.

Carlo Ancelotti divulgará a lista final de convocados no dia 18 de maio, restando pouco mais de um mês para definições. A comissão técnica brasileira tradicionalmente mantém um perfil conservador em relação a jogadores contundidos, priorizando atletas em plenas condições físicas. O precedente mais recente foi a exclusão de última hora de Gabriel Jesus da Copa de 2022, após lesão no joelho durante a fase de grupos.

Recuperação depende de resposta individual

O retorno ao Brasil para alinhar tratamento com sua equipe médica pessoal demonstra a gravidade do quadro. Estêvão precisará de respostas acima da média para reverter o prognóstico desfavorável. A possibilidade de cirurgia ainda não foi descartada pelos especialistas, o que estenderia significativamente o período de recuperação.

Comparando com casos similares no futebol mundial, a lesão de Ousmane Dembélé em 2017 serve como referência. O atacante francês sofreu ruptura completa dos isquiotibiais e ficou cinco meses afastado, perdendo parte crucial da temporada pelo Barcelona. Já Gareth Bale, em 2013, retornou em dois meses e meio de uma lesão parecida, mas com menor comprometimento das fibras musculares.

A ansiedade toma conta não apenas da comissão técnica, mas também da torcida brasileira que via em Estêvão uma das grandes apostas para o futuro. Seus números impressionantes - 13 gols e nove assistências em 43 jogos pelo Palmeiras antes da transferência - chamaram atenção mundial e justificaram o investimento de 61,5 milhões de euros do Chelsea.

A Seleção Brasileira inicia sua preparação final para a Copa do Mundo com dois amistosos em maio, contra México e Estados Unidos, quando terá a oportunidade de testar as alternativas táticas sem Estêvão. A estreia oficial acontece em 13 de junho contra Marrocos, data que se aproxima rapidamente enquanto o jovem atacante luta contra o tempo em sua recuperação.