Quanto vale um garoto de 19 anos que chega à Premier League pela primeira vez, vindo de um futebol que a Europa ainda trata com ceticismo, carregando uma etiqueta de 61 milhões de euros? A pergunta não é retórica no sentido filosófico — ela tem uma resposta concreta, e o The Athletic se encarregou de quantificá-la ao ranquear as 153 transferências da temporada 2025-26 da liga inglesa.

O veredicto colocou Estêvão na segunda posição entre as melhores contratações da janela, atrás apenas de João Palhinha, o volante português que assinou com o Tottenham. O ex-Palmeiras acumulou 8 gols e 6 assistências na Premier League nesta temporada, números que superam a maioria dos atacantes que chegaram ao campeonato com muito mais experiência europeia e muito mais barulho midiático.

O que o The Athletic enxergou que o mercado ainda duvidava

A metodologia do ranking do The Athletic não se limita à qualidade técnica bruta. O site levou em conta o preço pago, a importância do jogador para o novo clube e a capacidade de suprir uma lacuna específica no elenco. Nesse contexto, Estêvão se encaixa com precisão cirúrgica: o Chelsea precisava de um atacante com capacidade de desequilíbrio individual nas pontas, e o brasileiro entregou exatamente isso desde os primeiros meses.

"Espere muita ação, jogadas pelas pontas a todo vapor, uma habilidade incrível e uma atitude aventureira e destemida, tentando coisas que muitos sequer iriam pensar em fazer. É apenas um garoto, mas o entusiasmo parece justificado", escreveu o The Athletic ao justificar a escolha.

A plataforma de transferências TransferRoom, que utiliza um sistema de avaliação chamado Player Rating numa escala de 0 a 100, também posicionou Estêvão entre os principais reforços sub-21 da liga — ao lado do compatriota Jair, ex-Botafogo e hoje no Nottingham Forest. O sistema pondera estatísticas individuais, frequência de jogo, qualidade do elenco e nível da competição, o que torna a presença do atacante ainda mais expressiva considerando que ele compete por posição em um dos plantéis mais profundos da Inglaterra.

Três brasileiros no radar da Premier League e o que os números revelam

A temporada 2025-26 consolidou uma presença brasileira incomum na elite do futebol inglês. Além de Estêvão, o Chelsea conta com João Pedro, que aparece em sétimo lugar no ranking geral do TransferRoom com nota 85,8 — acima de nomes como Hugo Ekitike, do Liverpool, e Rayan Cherki, do Manchester City. O centroavante chegou ao clube londrino nesta janela e tem sido o parceiro de ataque que Enzo Maresca precisava para dar consistência ao sistema ofensivo dos Blues.

O quadro se completa com Jair, ex-Botafogo, que representa a terceira ponta do triângulo brasileiro na Premier League desta temporada. A presença simultânea dos três no mesmo campeonato não é coincidência — reflete uma valorização crescente do futebol brasileiro no mercado europeu, algo que o próprio TransferRoom documenta ao incluir todos no recorte de reforços de impacto.

Mas os números de Estêvão têm uma dimensão que os outros ainda não alcançaram nesta temporada: ele chegou mais jovem, custou mais caro em relação à sua experiência prévia, e produziu mais em termos de participações diretas em gols — 14 no total, entre 8 tentos e 6 assistências na Premier League.

O que os próximos meses decidem para Estêvão no Chelsea

A pergunta que o segundo semestre da temporada precisa responder é se Estêvão sustenta esse ritmo ou se a Premier League encontra os antídotos táticos que inevitavelmente surgem contra jogadores de estilo tão identificável.

Historicamente, os atacantes que chegam jovens à liga inglesa enfrentam uma segunda fase de adaptação mais dura que a primeira. O Chelsea, porém, tem apostado em construir o sistema em torno das características do brasileiro — liberdade para encarar pelo lado direito, trocas de posição com João Pedro e licença para tentar o drible mesmo sob pressão. Esse ambiente protegido é raro para um estreante de 19 anos.

O TransferRoom aponta que o Potential Ranking de Estêvão — uma projeção do nível máximo que seu Player Rating pode alcançar em cenário otimista — o coloca entre os jovens com maior teto de valorização de toda a janela europeia de 2025. Para efeito de comparação, Florian Wirtz, o melhor reforço geral segundo a mesma plataforma com nota 92,5, chegou ao Liverpool como jogador já formado. Estêvão ainda está no início da curva.

O Chelsea enfrenta o Arsenal no próximo fim de semana em Stamford Bridge, com os Gunners na liderança da Premier League graças em parte aos 10 gols de Viktor Gyökeres. Para Estêvão, será o teste de maior calibre da temporada — e o resultado vai pesar diretamente na avaliação final de quem foi, de fato, a melhor contratação da liga.

Estêvão tem 19 anos, 8 gols na Premier League e a segunda melhor avaliação da temporada — o Chelsea pagou 61 milhões de euros por um ativo que ainda não chegou ao pico.