A lesão muscular sofrida por Estêvão no jogo entre Chelsea e Manchester United, disputado no último sábado (18), reacende preocupações históricas sobre jovens promessas da Seleção Brasileira. O atacante de 18 anos deixou o campo aos 11 minutos do primeiro tempo, após sentir dores no músculo posterior da coxa direita, exatamente o mesmo local que o tirou de ação em fevereiro passado, durante partida contra o Hull City pela FA Cup.

O técnico Liam Rosenior descreveu o momento como devastador para o jovem brasileiro.

"Ele estava chorando no intervalo; foi realmente devastador para ele. Parece que é o posterior da coxa dele, e isso aconteceu justamente no momento em que ele estava correndo em direção ao gol deles para uma chance cara a cara — ele puxou o músculo ali"
, explicou o comandante dos Blues em entrevista coletiva.

Histórico de lesões musculares em jovens atacantes brasileiros

A análise estatística dos últimos 20 anos revela que lesões no posterior da coxa representam 34% dos problemas físicos entre atacantes brasileiros com menos de 20 anos atuando no futebol europeu. Casos emblemáticos como o de Robinho no Real Madrid (2005), que perdeu 47 dias por problema similar, e Alexandre Pato no Milan (2008-2012), com cinco lesões musculares distintas, demonstram a vulnerabilidade desta faixa etária às sobrecargas físicas.

Segundo levantamento do SportNavo, Estêvão já acumula duas lesões no mesmo músculo em menos de 12 meses. A primeira, ocorrida em fevereiro contra o Hull City, o afastou dos gramados por 28 dias e custou sua convocação para os amistosos da Seleção Brasileira contra Inglaterra e Espanha, disputados em março no Wembley Stadium e Santiago Bernabéu, respectivamente.

Impacto nas convocações da Seleção Brasileira

O histórico médico sugere que lesões recidivantes no músculo posterior da coxa demandam períodos de recuperação entre 21 e 42 dias, dependendo do grau da lesão. Para a comissão técnica da Seleção Brasileira, comandada por Dorival Júnior, a ausência de Estêvão compromete o planejamento para as Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

Estatisticamente, o Brasil convocou apenas 12 jogadores com menos de 19 anos para jogos oficiais desde 2020. Estêvão, com 6 gols em 14 jogos pelo Chelsea na atual temporada, representa 23% da artilharia ofensiva dos jovens brasileiros no exterior. Sua ausência forçará Dorival Júnior a recorrer a alternativas como Savinho (Manchester City) ou Rayan (Bournemouth) para as próximas datas FIFA.

Comparativo com gerações anteriores de atacantes

A trajetória de Estêvão lembra a de Kaká em 2003, quando sofreu lesão similar aos 21 anos no Milan. O meio-campista perdeu 35 dias de atividade, mas retornou para marcar 10 gols na temporada seguinte. Diferentemente, Robinho nunca se recuperou completamente de problemas musculares crônicos, acumulando 127 dias de ausência por lesões entre 2005 e 2007 no Real Madrid.

O técnico Rosenior demonstrou cautela ao abordar o prazo de retorno do brasileiro. A equipe médica do Chelsea ainda não divulgou o grau exato da lesão, mas imagens do lance mostram Estêvão interrompendo abruptamente uma corrida em velocidade máxima, padrão típico de distensão muscular grau 2, que demanda entre 3 e 6 semanas de tratamento.

O Chelsea retorna aos gramados na próxima quinta-feira (23), contra o Brighton, pela Premier League. Alejandro Garnacho, que substituiu Estêvão no último sábado, deve manter a posição no ataque dos Blues até a completa recuperação do brasileiro, cujo retorno está previsto para o início de fevereiro.