Confesso: eu errei sobre Hulk em 2024. Quando o Atlético-MG anunciou a renovação do atacante, escrevi que seria uma aposta de risco — 37 anos, salário estimado em R$ 2,1 milhões mensais, clube em reconstrução financeira. Achei que a conta não fecharia. Hoje, com a cerimônia de despedida realizada na Arena MRV antes do confronto com o Botafogo pela 15ª rodada do Brasileirão, entendo por que eu estava errado.
O que os números de Hulk no Galo realmente representam
Hulk chegou ao Atlético-MG em 2021 após passagem pelo Shanghai SIPG, da China, onde acumulou cifras na casa dos € 12 milhões anuais. O retorno ao Brasil foi por um salário substancialmente menor, mas o impacto esportivo foi desproporcional ao investimento.
Maior artilheiro da Arena MRV — estádio inaugurado em 2023 com capacidade para 45.000 torcedores —, o atacante construiu uma marca que dificilmente será superada nos próximos anos. Segundo apuração do SportNavo, o atacante encerrou seu ciclo no Galo como o jogador com mais gols marcados no estádio desde sua abertura, consolidando um vínculo simbólico com a nova casa do clube.
Títulos. Recordes. Gols em clássicos.
A trajetória no Atlético incluiu conquistas que o clube não celebrava há décadas, com Hulk como protagonista técnico e comercial — seu número 7 figurou entre as camisas mais vendidas da Massa por três temporadas consecutivas.

A saída para o Fluminense e o que ela significa financeiramente
A transferência para o Fluminense não envolve taxa de transferência — Hulk chega ao clube carioca em condição de jogador livre, sem custo de aquisição. Para o Atlético-MG, a saída representa alívio imediato na folha salarial, num momento em que o clube ocupa a 11ª colocação do Brasileirão com 17 pontos em 14 jogos, saldo de gols negativo (-3) e campanha que soma apenas cinco vitórias, dois empates e sete derrotas.
O Fluminense, ao contratar o atacante sem pagar luvas de transferência, assume apenas o salário — estimado, em valores de mercado para a faixa etária e histórico do jogador, entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões mensais. Para um clube que busca reposicionamento competitivo no Brasileirão, a chegada de um artilheiro experiente sem custo de aquisição é operação de baixo risco financeiro.
"Nas palavras do próprio atacante, em declaração ao clube durante a cerimônia, foi uma honra defender o Atlético e que a Arena MRV ficará para sempre em sua história."
O jogo contra o Botafogo e o que ainda falta resolver para o Galo
Lembra de Moneyball, o filme sobre como o Oakland Athletics tentou substituir jogadores insubstituíveis com estatística e criatividade? O Atlético-MG enfrenta dilema análogo. Hulk não será reposto por uma contratação de igual perfil — e o técnico Eduardo Domínguez terá de redistribuir responsabilidades ofensivas entre Cassierra, Alan Minda e Cuello, que retorna de lesão e estava disponível para a partida deste domingo.
O Botafogo, adversário do dia, chega à Arena MRV em situação de tabela praticamente idêntica à do Galo: 17 pontos em 13 jogos, na 10ª posição, com campanha de cinco vitórias, dois empates e seis derrotas, 25 gols marcados e 26 sofridos. Sob o comando de Franclim Carvalho, o clube carioca venceu o Racing na Sul-Americana durante a semana e garantiu vaga no mata-mata, mas caiu em casa para o Remo por 2 a 1 na última rodada do Brasileirão.
Para o Atlético, a escalação confirmada pelo técnico Domínguez foi: Everson; Roman, Ruan, Alonso, Lodi; Maycon, Tomás Pérez, Bernard; Cuello, Alan Minda e Cassierra. O zagueiro Lyanco e o volante Alan Franco cumpriram suspensão. O Botafogo entrou em campo com Neto; Mateo Ponte, Ferraresi, Barboza, Alex Telles; Newton, Edenilson, Medina, Danilo; Matheus Martins e Arthur Cabral.
"O Botafogo garantiu participação no mata-mata da Sul-Americana ao vencer o Racing", confirmou o clube em comunicado oficial antes da viagem a Belo Horizonte.
Na rodada anterior, o Galo havia vencido o Cruzeiro por 3 a 1 no Mineirão — resultado que interrompeu uma sequência de três derrotas consecutivas. A continuidade dessa reação depende de pontuar em casa contra um adversário direto na briga pelo meio da tabela. Ambos os times precisam de vitórias para se aproximar da zona de classificação à Copa Libertadores, que neste estágio do Brasileirão 2026 começa a se desenhar com mais clareza.
O Atlético-MG volta a campo na próxima rodada do Brasileirão enquanto tenta reorganizar o setor ofensivo sem o artilheiro que definiu uma era. O Botafogo, por sua vez, terá sequência dupla entre Brasileirão e Sul-Americana nas próximas semanas, com Franclim Carvalho precisando equilibrar o rendimento nos dois torneios.










