Confesso: eu errei sobre James Harden em 2024. Escrevi que ele era um veterano de luxo, um nome de marketing para franquias que precisavam de audiência, não de campeonato. Hoje, com 30 pontos anotados na Little Caesars Arena e uma série semifinal do Leste pendendo para o lado do Cleveland Cavaliers, vejo o porquê eu estava errada — e o preço de subestimar o que contabilidade emocional faz com um jogador que ainda não tem um anel.
O que os 9 pontos seguidos revelam sobre os Cavaliers de Kenny Atkinson
Com 3 minutos restantes no quarto período, o placar marcava 103 a 94 para o Detroit Pistons. Tyrese Haliburton teria feito aquele gesto de "acabou" com a mão — mas não foi Haliburton, foi Tobias Harris quem converteu para abrir a vantagem, e o Detroit simplesmente parou de pontuar. Os Cavaliers responderam com 9 pontos consecutivos, empatando em 103 a 103 com 45 segundos no relógio. Cade Cunningham, que terminou o jogo com 39 pontos, errou o arremesso decisivo. Seu companheiro LeVert pegou o rebote ofensivo — e também errou. A bola de Donovan Mitchell no estouro do relógio não entrou, mas a mensagem estava dada: o Detroit havia perdido o controle do jogo sem que os Cavaliers precisassem fazer nada extraordinário. Às vezes, a vitória é uma questão de quem resiste mais ao próprio nervosismo.
Mitchell e Harden na prorrogação — a divisão de trabalho que funcionou
No tempo extra, a lógica foi simples e eficiente. Jarrett Allen abriu com uma cesta, e Mitchell converteu três arremessos seguidos para construir uma vantagem de 112 a 105. Cunningham ainda puxou Detroit para 113 a 111, momento em que qualquer torcedor de Cleveland deve ter sentido aquela contração familiar no estômago. Não houve tragédia: houve lances livres convertidos e visitantes mais frios do que os mandantes. O placar final de 117 a 113 reflete menos domínio e mais gestão — que é, curiosamente, o que Harden faz melhor aos 36 anos. Seus 30 pontos não foram construídos em explosões atléticas; foram construídos em decisões. O SportNavo mapeou que, nos playoffs desta temporada, Harden lidera os Cavaliers em assistências decisivas nos quartos finais, o que contextualiza por que Kenny Atkinson insiste em escalar o veterano nos momentos de maior pressão.

"Esperamos que isso nos impulsione", disse Kenny Atkinson após a vitória. "Que nos motive e que levemos essa lição adiante. Essa foi uma vitória conquistada na batalha contra um time formidável e fora de casa."
O que ainda falta resolver antes de Cleveland fechar a série
A série está 3 a 2 para os Cavaliers, com o jogo 6 marcado para esta sexta-feira na NBA, no ginásio de Cleveland. Fechar em casa parece o roteiro mais confortável — mas o Detroit que empatou a série em 2 a 2 e quase venceu o jogo 5 com 9 pontos de vantagem a 3 minutos do fim não é um adversário que se dissolve por pressão de torcida. Cade Cunningham com 39 pontos e um time que aprendeu a competir contra franquias estabelecidas representa exatamente o tipo de projeto jovem que incomoda veteranos experientes. Se houver jogo 7, ele acontece no domingo, novamente em Detroit. A questão não é se os Cavaliers têm talento para fechar — têm. A questão é se Harden e Mitchell conseguem manter essa divisão de trabalho funcional por mais 48 minutos, sem a adrenalina da virada improvável para cobrir eventuais buracos táticos.

Mitchell, de costas para a cesta, recebendo o passe de Harden no intervalo da prorrogação — essa imagem resume o que essa dupla construiu ao longo da série. Dois jogadores que não precisam ser o mesmo para ser suficientes.









