Confesso: eu errei sobre Jannik Sinner no final de 2025. Disse aqui, neste mesmo espaço, que a sequência de títulos do italiano teria um limite natural no saibro europeu — que a transição de superfície revelaria fissuras no jogo dele. Errei. E os dados desta segunda-feira (11), em Roma, explicam com precisão cirúrgica o tamanho do meu equívoco.

Sinner despachou o australiano Alexei Popyrin com 6/2 e 6/0 no Roma Open e se tornou o segundo tenista da história do circuito ATP a vencer ao menos os 25 primeiros jogos de Masters 1000 em uma mesma temporada. O único que havia chegado lá antes era Novak Djokovic. Não Rafael Nadal, dono de dez títulos em Roma. Não Roger Federer, o suíço que redefiniu o tênis moderno. Djokovic — e agora Sinner.

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O que os 25 jogos seguidos revelam sobre o ritmo de Sinner em 2026

Para entender a dimensão estatística do feito, é preciso colocar os números em perspectiva. Sinner acumula 30 vitórias consecutivas em eventos Masters 1000 — contando partidas de temporadas anteriores. Djokovic lidera esse recorte com 31. Federer aparece logo atrás, com 29. Ao bater Popyrin nesta segunda-feira, o italiano ultrapassou o suíço e está a uma vitória do sérvio. Três dos maiores nomes da história do esporte separados por apenas dois jogos.

O que os 25 jogos seguidos revelam sobre o ritmo de Sinner em 2026 Eu errei sobr
O que os 25 jogos seguidos revelam sobre o ritmo de Sinner em 2026 Eu errei sobr

Mas o recorte de 2026 é ainda mais revelador: Sinner disputou os cinco primeiros Masters 1000 da temporada — Paris, Indian Wells, Miami, Monte Carlo e Madri — e ganhou todos os cinco títulos. Nenhum tenista havia conquistado cinco Masters 1000 consecutivos antes. A marca foi estabelecida há oito dias, quando ele levantou o troféu do Madrid Open. Agora, em Roma, ele busca o sexto.

Para quem gosta de comparações entre categorias: esses cinco títulos de Masters 1000 representam mais troféus do que qualquer tenista brasileiro conquistou nessa categoria desde que Gustavo Kuerten venceu Monte Carlo em 2000. Vinte e seis anos de tênis nacional em um único dado.

O placar de 6/0 contra Popyrin e o que ele diz sobre o nível do número 1

A vitória sobre Popyrin não foi apenas uma passagem de fase — foi uma demonstração de controle absoluto de jogo. O primeiro set terminou 6/2, com o australiano aproveitando alguns erros pontuais do tirolês. O segundo set acabou em 6/0. Sinner encerrou o duelo em pouco mais de uma hora.

"Obviamente, estou muito feliz. Havia bastante vento, mas comecei bem e de forma agressiva. Obrigado a todos os fãs. É especial jogar em Roma. Estar nas oitavas de final é um bom resultado, mas estou feliz com a forma como lidei com a situação", declarou Sinner após a partida.

O próprio Sinner reconheceu as condições adversas, mas os números do confronto falam por si. Era o quarto encontro entre os dois, com o italiano vencendo três — e esta foi a mais tranquila de todas. Popyrin, que saca com consistência acima da média do circuito, teve seu aproveitamento de primeiro serviço comprometido, o que Sinner soube explorar com devolução de segundo serviço. Segundo a avaliação do SportNavo, esse padrão — dominar o segundo serviço do adversário — tem sido uma constante nos jogos do italiano em 2026.

"Foi uma atuação muito boa. Ele saca muito bem e o aproveitamento dele não foi muito alto, o que me ajudou um pouco. Mas tenho devolvido muito bem os segundos serviços e estou feliz por estar na próxima fase", completou o número 1 do mundo.

O que ainda falta resolver antes de comparar Sinner a Djokovic de forma definitiva

A pergunta que o torcedor de tênis quer responder agora é direta: Sinner pode manter esse ritmo até Roland Garros e além? A resposta honesta, baseada em dados, é que há variáveis não resolvidas. A principal delas é a ausência de Carlos Alcaraz em Roma — o espanhol, número 2 do mundo, não está no torneio, o que reduz o calibre dos adversários que Sinner precisaria superar para chegar à final.

Nas oitavas de final, o italiano enfrentará o compatriota Andrea Pellegrino, que eliminou o americano Frances Tiafoe — cabeça de chave 20 — com parciais de 7/6 (10/8) e 6/1. Pellegrino é uma ameaça real no saibro, mas está a 60 posições de Sinner no ranking. O desafio de verdade virá nas semifinais e na final, onde os adversários terão maior capacidade de impor ritmo.

O head-to-head de Sinner contra os dez primeiros do ranking em 2026 é o dado que ainda precisa de mais amostras para uma conclusão definitiva. Djokovic, quando estabeleceu suas sequências históricas, fazia isso vencendo os melhores do mundo nas fases decisivas — e com frequência. Sinner está no caminho, mas Roma, com Alcaraz ausente, não oferece o mesmo nível de escrutínio que Roland Garros oferecerá em menos de duas semanas.

O italiano joga suas oitavas de final contra Pellegrino na terça-feira (12), no Foro Itálico. Uma vitória o colocará entre os oito melhores do torneio e manterá viva a possibilidade de um sexto título consecutivo de Masters 1000 — o que seria, aí sim, um recorde sem precedentes na história do circuito masculino.