Cinco minutos. Foi o tempo que a zaga do Fluminense precisou para transformar uma noite de celebração em crise. Na altitude de La Paz, o Tricolor perdeu para o Bolívar por 2 a 0 pela terceira rodada do Grupo C da CONMEBOL Libertadores, acumulando a lanterna com apenas 1 ponto em três jogos.
O gol precoce e o colapso defensivo
A abertura do placar expôs uma falha estrutural no posicionamento da linha defensiva tricolor. José Sagredo cruzou rasteiro pela esquerda na marca do pênalti e Robson Matheus bateu de primeira no canto de Fábio — o goleiro não se deslocou. O gol aos 6 minutos estabeleceu o padrão do jogo: Bolívar compacto, pressionando alto, e Fluminense incapaz de organizar a saída de bola na altitude de aproximadamente 3.600 metros.
O Fluminense terminou o primeiro tempo sem finalizar com perigo ao gol de Lampe. A posse de bola não se converteu em criação: sem um pivô fixo para segurar a bola e sem linhas de passe verticais, o time carioca circulou a bola de forma horizontal, sem penetração nos corredores.
Expulsão, segundo gol e domínio boliviano
O segundo tempo começou com mais uma variável contra o Fluminense. Facundo Bernal, do próprio Bolívar, aplaudiu ironicamente o árbitro logo nos minutos iniciais, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso — mas o Tricolor não soube explorar a vantagem numérica. Aos 17 minutos, Pato Rodríguez cruzou e Robson Matheus subiu livre para completar seu segundo gol na partida. Marcação sem referência no segundo poste, falha de zoneamento.
No último lance, Soteldo finalizou e a bola entrou, mas o VAR anulou: Guga, que serviu o atacante, estava impedido. O placar final de 2 a 0 reflete com precisão o que aconteceu em campo. A análise do SportNavo sobre os dados de criação ofensiva do Fluminense na competição revela um padrão preocupante: três jogos, zero vitórias, dois gols marcados, quatro sofridos.
O recorde de Fábio em contexto histórico
A marca de 113 jogos na Libertadores igualou o recorde do goleiro paraguaio Ever Almeida, registrado desde 1988. Fábio chegou a esse número acumulando passagens por Cruzeiro e Fluminense na competição continental — uma longevidade técnica e física notável para um atleta da sua posição.
O goleiro não teve culpa direta nos gols: no primeiro, a falha foi do posicionamento defensivo à frente dele; no segundo, a marcação no segundo poste foi inexistente. A noite de recordes, porém, ficou ofuscada pela situação classificatória. Segundo levantamento do SportNavo, nenhum clube que terminou a fase de grupos na lanterna após três rodadas avançou para as oitavas nas últimas quatro edições da Libertadores.
Classificação e o que o Fluminense precisa fazer
O Independiente Rivadavia lidera o Grupo C com 100% de aproveitamento após golear o La Guaira por 4 a 1 na mesma rodada. O Bolívar soma 4 pontos na vice-liderança. O La Guaira tem 2 pontos. O Fluminense, 1 ponto.
Para se manter matematicamente vivo, o Tricolor precisa vencer o Independiente Rivadavia em 6 de maio, às 21h30 (horário de Brasília), no próximo compromisso pela Libertadores. Uma derrota praticamente encerra qualquer esperança de classificação. Antes disso, o clube enfrenta o Internacional no Brasileirão em 3 de maio, às 18h30 — jogo que também exige uma resposta tática urgente do técnico.









