Cento e doze jogos disputados, 42 anos de idade e uma viagem à altitude de 3.640 metros sobre o nível do mar para fazer história. O goleiro Fábio, do Fluminense, embarca para La Paz nesta semana carregando um número que poucos atletas do futebol sul-americano ousaram alcançar: ao entrar em campo contra o Bolívar pela fase de grupos da Copa Libertadores, ele igualará o recorde de partidas disputadas na competição, atualmente em 113 jogos e registrado em nome de Éver Almeida, lendário arqueiro do Olimpia paraguaio.

Um recorde que resistiu por décadas

Éver Almeida construiu sua marca ao longo de uma carreira inteira defendendo o Olimpia em diversas campanhas do torneio continental. Esse número ficou intocado por décadas — até Fábio e Franco Armani, goleiro do River Plate-ARG, chegarem a 112 partidas cada um e transformarem a disputa em um empate técnico. O detalhe que favorece o pernambucano de coração tricolor é simples e definitivo: o River Plate não participa desta edição da Libertadores, o que deixa Armani sem a possibilidade de acumular novos jogos no torneio enquanto a competição de 2025 estiver em andamento. O caminho está aberto.

Conforme levantamento do SportNavo, a progressão de Fábio nos últimos anos na competição é uma das mais consistentes entre goleiros em atividade no continente. Aos 42 anos, ele segue sendo titular absoluto do Fluminense e acumula participações na Libertadores desde seus tempos no Cruzeiro, clube pelo qual também disputou edições memoráveis do torneio.

Um recorde que resistiu por décadas Fábio vai superar Armani e entrar sozinh
Um recorde que resistiu por décadas Fábio vai superar Armani e entrar sozinh

O argumento de quem subestima não se sustenta

Há quem reduza a conquista ao simples fato de longevidade — como se jogar 113 partidas em uma competição eliminatória de nível continental fosse mero acidente estatístico. Esse raciocínio ignora a realidade. Na Libertadores, um goleiro precisa de desempenho técnico para garantir titularidade, de saúde física para atravessar temporadas inteiras e de clubes competitivos para chegar às fases decisivas. Fábio passou por Cruzeiro e Fluminense, duas das franquias mais recorrentes do torneio, e foi determinante para que ambos avançassem em campanhas históricas — incluindo o título inédito do Flu em 2023, sobre o Boca Juniors, na decisão realizada no Maracanã.

Armani, do lado argentino, construiu seus 112 jogos com o River Plate em campanhas que incluem duas conquistas da Libertadores, em 2018 e 2019. A comparação é entre dois arqueiros de nível continental, não entre um titular eterno e um reserva eventual. Que Fábio supere esse número sem que Armani possa respondê-lo nesta janela diz muito sobre a consistência do goleiro brasileiro.

La Paz como palco e como teste

O jogo não será simples. A altitude de La Paz é historicamente um fator de desequilíbrio nas competições sul-americanas. O Estádio Hernando Siles, casa do Bolívar, fica a aproximadamente 3.640 metros acima do nível do mar — uma das condições mais adversas que uma delegação brasileira pode enfrentar. Jogadores relatam fadiga precoce, dificuldade respiratória e queda de rendimento nas ações de alta intensidade. A delegação do Fluminense desembarcou na Bolívia com antecedência justamente para tentar minimizar esses efeitos.

O Bolívar, adversário desta quinta-feira, acumula apenas um ponto no Grupo C após perder na estreia e empatar na rodada seguinte. O Fluminense, por sua vez, tampouco estreou com o desempenho esperado para uma equipe que chega ao torneio como atual campeã. Ambos os clubes foram apontados como favoritos na chave e hoje ocupam posições inferiores à expectativa inicial — o que transforma a partida em confronto direto de urgência, além de palco para o capítulo histórico protagonizado por Fábio.

O recorde isolado e o que vem a seguir

Igualar Éver Almeida diante do Bolívar será o momento de empate técnico. A liderança isolada, no entanto, está agendada para cinco dias depois: o Fluminense enfrenta o Independiente Rivadavia-ARG no dia 6 de maio, em território argentino. Se Fábio estiver em campo — e não há motivo concreto para supor que não estará —, ele assumirá sozinho o topo do ranking histórico de aparições na Copa Libertadores, superando um recorde que pertenceu a um arqueiro paraguaio por décadas e que dividiu com um argentino nos últimos anos. A análise do SportNavo aponta que dificilmente outro atleta chegará perto dessa marca nos próximos anos, dado o declínio natural de jogadores com mais de 40 anos em clubes de alto rendimento. O recorde, uma vez conquistado, tem tudo para perdurar. O Fluminense joga contra o Independiente Rivadavia no dia 6 de maio, em solo argentino, partida que pode transformar Fábio no maior jogador da história da Copa Libertadores em número de partidas disputadas.