Não, Ferreirinha não entrou em campo para fazer história como artilheiro. A pergunta que ficou suspensa no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, na noite desta quarta-feira (13), é outra, e bem mais incômoda para o São Paulo: o atacante passou menos tempo em campo do que a maioria dos torcedores leva para encontrar o assento no estádio — e pode ter estabelecido o recorde da expulsão mais rápida na história da Copa do Brasil.
O que levou Ferreirinha a entrar num momento tão delicado
Luciano, o camisa 10 do Tricolor, começou a sentir dores na coxa direita aos 36 minutos do primeiro tempo. O meia-atacante colocou a mão atrás da perna, a partida foi interrompida, e a comissão técnica de Roger Machado tentou mantê-lo em campo por mais alguns minutos. Não deu: aos 42 minutos, Luciano desabou no gramado e precisou ser substituído — o mesmo jogador que havia marcado o único gol da partida de ida, no Morumbis, garantindo a vantagem mínima de 1 a 0 para o jogo de volta.
Ferreirinha chegou a se aquecer, depois voltou para o banco, depois foi chamado de vez. Segundo o registro cronométrico do Flashscore, ele entrou quando o placar do relógio marcava 43 minutos e 9 segundos. O cartão vermelho foi erguido pelo árbitro Rodrigo José Pereira de Lima aos 43 minutos e 42 segundos — o que resulta em 33 segundos de permanência em campo, dependendo da fonte consultada. O UOL registrou 24 segundos; a Itatiaia e o OneFootball apontaram aproximadamente 30. A margem varia conforme o instante considerado como ponto de entrada, mas nenhuma versão ultrapassa um minuto.
A braçada na nuca de Rodrigo Sam e a decisão sem VAR
O lance foi direto ao ponto: Ferreirinha correu em direção à área adversária para pressionar uma bola perdida que se dirigia ao goleiro Pedro Rocha. No caminho, acertou o braço na nuca do zagueiro Rodrigo Sam, que caiu no chão. O árbitro não hesitou — vermelho direto, sem consulta ao VAR. Calleri, capitão são-paulino, argumentou com Rodrigo José Pereira de Lima, mas a decisão foi mantida. O São Paulo encerrou o primeiro tempo com dez homens e um empate em 0 a 0 no placar parcial.
Havia um contexto adicional que azedou ainda mais a atmosfera: minutos antes, aos 35 minutos, Calleri e Rodrigo Sam já haviam se envolvido numa disputa física após bola lançada por Sabino, com os dois caindo. O zagueiro do Juventude ficou indignado por não ter havido punição para o argentino — e recebeu cartão amarelo pela reclamação. A tensão entre os jogadores já estava instalada quando Ferreirinha pisou no gramado.
Na avaliação do SportNavo, o episódio reacende um debate que o futebol brasileiro nunca resolve com elegância: o limite entre a agressividade legítima na pressão alta e o gesto impensado que custa caro ao próprio time.
Ferreirinha supera Valdivia — e o que isso muda para o jogo de volta
Existia um parâmetro anterior para esse tipo de marca na Copa do Brasil. Em 2012, o chileno Jorge Valdivia, então no Palmeiras, foi expulso 36 segundos após entrar em campo — episódio que ficou registrado como a saída mais relâmpago da competição. Se os 33 segundos de Ferreirinha forem confirmados como marco oficial, o atacante do São Paulo desbancaria Valdivia com folga. A comparação, claro, depende de uma apuração formal por parte da CBF, que ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Isso muda o panorama prático do jogo de volta. O São Paulo entrou em campo no Jaconi com a vantagem de 1 a 0 construída na ida — gol de Luciano, ironicamente o mesmo que saiu lesionado e abriu caminho para a tragédia dos 33 segundos. Com a vitória de 1 a 0, o Tricolor precisaria de um empate para avançar, ou enfrentaria pênaltis em caso de derrota por um gol de diferença. Agora, com Ferreirinha suspenso automaticamente, Roger Machado terá uma peça a menos no segundo jogo.
Quantas vezes um substituto entrou em campo para resolver um problema e criou dois?
A partida de volta — e a resposta definitiva sobre o futuro do São Paulo nesta edição da Copa do Brasil — está marcada para esta mesma quarta-feira à noite, no Alfredo Jaconi, com o placar parcial zerado e o Tricolor precisando administrar a vantagem mínima com um homem a menos na bagagem. A delegação paulista retorna a Caxias do Sul para o segundo jogo, que ocorrerá em data ainda a ser confirmada pela CBF; se a eliminação vier, a pressão sobre Roger Machado, já vaiado pela torcida no Morumbis na partida de ida, chegará ao nível mais crítico da temporada. A resposta sobre o tamanho real dessa crise, e sobre o recorde oficial de Ferreirinha, estará nos próximos boletins da confederação — esperados até o final de maio de 2026.









