O estádio da Luz havia parado. Dez minutos de jogo suspenso, árbitro acionando protocolo antirracismo, câmeras fechadas em rostos tensos nas duas telas. Era 17 de fevereiro, Benfica contra Real Madrid pela Champions League, e no centro da paralisia estava Gianluca Prestianni — o atacante argentino de 19 anos que, segundo Vinícius Jr, o chamou de "mono" (macaco, em espanhol) dentro de campo.

Da Lisboa de fevereiro à mesa do Comitê Disciplinar da Fifa

Prestianni negou a acusação e afirmou ter dito "maricón" — palavra igualmente ofensiva, mas de natureza diferente. A Uefa, ao concluir sua investigação, não aceitou a versão do jogador e aplicou seis jogos de suspensão por "conduta discriminatória": três efetivos e três condicionados a um período probatório de dois anos, válidos apenas em caso de reincidência. Com um jogo já cumprido, restavam duas partidas a serem descontadas no calendário europeu.

Da Lisboa de fevereiro à mesa do Comitê Disciplinar da Fifa Fifa amplia punição
Da Lisboa de fevereiro à mesa do Comitê Disciplinar da Fifa Fifa amplia punição

O que mudou agora é a escala da punição. O Comitê Disciplinar da Fifa estendeu a suspensão para todas as competições sob sua jurisdição — o que transforma um caso de âmbito continental em questão de alcance planetário. A informação foi publicada originalmente pelo jornal espanhol As.

"Fui chamado de macaco mais uma vez", escreveu Vini Jr em suas redes sociais após o jogo de fevereiro, reforçando que o episódio não foi isolado em sua carreira.

O que a decisão significa para Scaloni e a Argentina no Mundial

A Copa do Mundo de 2026 será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. A Argentina, atual campeã mundial, está no mesmo grupo que Argélia, Áustria e Jordânia. Pela tabela, a estreia da Albiceleste acontece no dia 16 de junho contra a Argélia, e o segundo compromisso ocorre no dia 22, diante da Áustria.

Se Lionel Scaloni convocar Prestianni — o que ainda não foi confirmado —, o atacante do Benfica ficará automaticamente fora dessas duas partidas. Sua estreia no Mundial só poderia acontecer no terceiro jogo da fase de grupos, contra a Jordânia, no dia 27. A decisão da Fifa retira do técnico argentino uma peça ofensiva jovem e em ascensão justamente nos momentos mais delicados da fase inicial.

Segundo apuração do SportNavo, a extensão da punição para o Mundial representa um precedente relevante: pela primeira vez, um caso de discriminação julgado pela Uefa tem seus efeitos transportados diretamente para uma competição da Fifa ainda em planejamento de convocações.

A International Board muda a regra e o futebol responde institucionalmente

O caso Prestianni-Vini Jr desencadeou ainda uma alteração regulatória da International Board (IFAB): atletas que esconderem a boca ao proferir ofensas a adversários deverão ser expulsos imediatamente. A medida lembra, de certa forma, a cena do filme A Vida é Bela, em que esconder a realidade por trás de gestos cotidianos é exatamente o que permite que a crueldade persista — e é precisamente esse tipo de disfarce que a nova regra tenta eliminar do futebol.

O que a decisão significa para Scaloni e a Argentina no Mundial Fifa amplia puni
O que a decisão significa para Scaloni e a Argentina no Mundial Fifa amplia puni
"O árbitro acionou o protocolo antirracismo e paralisou o jogo", confirmou o relatório da partida, registrando a interrupção de dez minutos no Estádio da Luz em Lisboa.

A Argentina faz sua estreia na Copa do Mundo no dia 16 de junho contra a Argélia. Scaloni tem até o prazo oficial de convocações para decidir se inclui Prestianni na lista — e, se o fizer, precisará reorganizar seu ataque para os dois primeiros jogos do grupo sem o jogador de 19 anos que, até o episódio de fevereiro, era tratado como uma das revelações mais promissoras do futebol sul-americano na temporada 2025/2026.