Quanto tempo um ex-campeão consegue sobreviver na zona de incerteza antes de o UFC fechar a porta do título de vez? Deiveson Figueiredo, 38 anos, paraense de Soure que já dominou o peso-mosca com uma brutalidade quase poética, chega ao UFC Macau neste sábado (30) carregando um cartel recente que responde à pergunta de forma incômoda: 1 vitória em 4 combates. O evento começa às 5h (horário de Brasília), transmitido pela Paramount+, e o brasileiro está escalado para a luta principal contra Song Yadong — um chinês que vai entrar no octógono diante da própria torcida, no Galaxy Arena, a mesma arena onde Figueiredo já perdeu antes.

A sequência que chegou a parecer promissora — três vitórias seguidas logo após subir para o peso galo — virou memória distante. Desde então, Petr Yan, Cory Sandhagen e Umar Nurmagomedov puseram freio nos planos do brasileiro. A última derrota, por decisão unânime para Nurmagomedov em janeiro de 2026 em Las Vegas, teve um agravante: Figueiredo perdeu o peso antes de nem mesmo subir no octógono, chegando fora do limite após uma série de contratempos logísticos e pessoais que ele próprio reconhece.

O que Figueiredo diz sobre a derrota em Las Vegas e a viagem para a China

Em conversa com o MMA Fighting poucos dias antes de embarcar para Macau, o "Deus da Guerra" foi direto sobre o que aconteceu na última luta e sobre o que espera desta vez. Não havia desculpa, mas havia contexto — e ele não fugiu de nenhum dos dois.

"Tive alguns problemas pessoais. Estava em um lugar muito ruim mentalmente. E na saída do Brasil houve problemas com o voo. Uma complicação que me detonou. Meu peso subiu, perdi o limite, e ainda tive que lutar com um cara difícil. O Umar te prende no chão. Não estar 100% tornou tudo muito complicado", disse Figueiredo.

Sobre a pressão de encarar mais uma vez a mesma arena onde Yan o derrotou por decisão em 2024, o paraense diz estar diferente. O camp foi feito em Natal, ao lado de Patricio Pitbull, e o corte de peso — que foi o estopim do caos em Las Vegas — está sob controle desta vez. "Não vamos ter as mesmas dificuldades da primeira vez. Já sabemos o que fazer e como fazer. Até com o corte de peso", afirmou.

"Tenho que mostrar que ainda estou vivo. Houve complicações nas últimas lutas, mas estou me sentindo muito bem para esse combate e quero mostrar que ainda estou vivo na disputa pelo título", declarou Figueiredo.

O que os números revelam sobre Song Yadong e os riscos reais desta luta

Song Yadong não é um oponente escolhido para facilitar a vida de Figueiredo. O chinês de 26 anos tem uma base de striking sólida, luta em casa diante de uma torcida que o transformará em favorito emocional, e carrega o peso simbólico de representar o MMA chinês num evento em Macau — o que, dentro do octógono, costuma se traduzir em adrenalina extra. Nas odds de apostas divulgadas antes do evento, Song Yadong aparece como ligeiro favorito, o que por si só já diz algo sobre como o mercado lê o momento de Figueiredo.

Perdeu.

Esse é o verbo que mais aparece no histórico recente do paraense — e é exatamente o que ele precisa apagar de Macau. No ranking do UFC no peso galo, Figueiredo ainda ocupa posição entre os dez primeiros, mas a margem para escorregar está ficando fina. Uma nova derrota pode tirá-lo do alcance de qualquer conversa por título no curto prazo, especialmente com nomes como Merab Dvalishvili — atual campeão — e uma fila de pretendentes jovens se consolidando abaixo e ao lado dele.

O que uma vitória sobre Song Yadong ainda pode abrir para o paraense

Figueiredo se diz "imune à pressão" depois de tantos anos de carreira — e a frase não soa como arrogância, soa como sobrevivência. Ele já perdeu o título do peso-mosca e reconquistou. Já foi contado como fora da conversa antes. Mas a matemática do peso galo é impiedosa: aos 38 anos, com uma derrota extra no cartel, a janela para uma luta pelo cinturão não vai simplesmente estreitar. Vai fechar.

Uma vitória sobre Song Yadong — de preferência antes do limite, o que seria a melhor forma de responder ao que aconteceu em Las Vegas — recolocaria Figueiredo no radar imediato dos contenders do peso galo. O UFC já demonstrou disposição para construir narrativas de retorno, especialmente quando o lutador tem o histórico e o nome que o paraense carrega. Mas o octógono precisa de um resultado primeiro.

O UFC Macau acontece neste sábado (30) a partir das 5h de Brasília na Paramount+. A luta principal entre Figueiredo e Song Yadong deve acontecer por volta das 8h — vale gravar ou acordar cedo, porque o resultado desta noite vai definir com clareza se o "Deus da Guerra" ainda tem campanha de cinturão pela frente em 2026.