O silêncio que tomou conta do Ninho do Urubu naquela manhã de março de 2026 durou mais do que qualquer derrota merecia — porque não era apenas um resultado ruim, era o fim de um ciclo. Filipe Luís havia sido demitido do Flamengo horas após a goleada histórica de 8 a 0 para o Madureira, no Campeonato Carioca, e o treinador que havia conquistado a Libertadores e o Brasileirão pelo clube rubro-negro precisaria, pela primeira vez na carreira, olhar para fora do Brasil.
O que aconteceu
A demissão de Filipe Luís ocorreu no início de março de 2026, dias após a derrota catastrófica para o Madureira — 8 a 0, placar que não tem paralelo na história recente do clube carioca em competições estaduais. O Flamengo, que desde então conta com Leonardo Jardim no comando técnico, segue sua temporada e enfrenta o Independiente Medellín (COL) nesta quinta-feira (07), às 21h30 (horário de Brasília), pela quarta rodada da Copa Libertadores.
Enquanto o clube avança, Filipe Luís trabalha nos bastidores com apoio direto de Jorge Mendes, um dos empresários mais influentes do futebol mundial. Segundo informações da ESPN Brasil, Mendes lidera as tratativas para abrir portas na Premier League inglesa, mercado historicamente restritivo para treinadores sem a Licença UEFA Pro — documento obrigatório para comandar qualquer clube até a segunda divisão da Inglaterra.
O estafe do treinador busca soluções jurídicas e administrativas junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para acelerar o reconhecimento e a validação da licença necessária. Trata-se de um processo burocrático complexo, que envolve negociações entre entidades de diferentes confederações.
Por que isso importa
Dois clubes europeus de peso aparecem como principais interessados: o Chelsea, da Premier League inglesa, e o Benfica, de Portugal. No caso do clube londrino, Filipe Luís é estudado como substituto de Liam Rosenior, demitido recentemente. A familiaridade do treinador com o ambiente do Chelsea — onde atuou como jogador entre 2014 e 2019, disputando 166 partidas — representa um diferencial concreto em relação aos demais candidatos da lista.
"Um treinador que conhece o vestiário, a cidade e a cultura do clube chega com três meses de vantagem sobre qualquer outro nome", avaliou um analista de mercado europeu ouvido por portais especializados.
No caso do Benfica, o cenário envolve uma movimentação diferente: José Mourinho, atual técnico do clube português, é alvo do Real Madrid e pode pedir demissão em breve caso as negociações com o clube espanhol avancem. A eventual saída do treinador abriria uma cadeira de alto prestígio em Lisboa, onde Filipe Luís também tem conexões históricas pelo futebol ibérico.
A análise do SportNavo mostra que, dos dois destinos, o Benfica apresenta o menor obstáculo regulatório: Portugal, como membro da UEFA, reconhece com mais facilidade certificações equivalentes de outros países, o que poderia acelerar a regularização do treinador antes de uma eventual negociação com a Premier League.
Os números por trás
Filipe Luís assumiu o Flamengo em julho de 2024 e, em menos de um ano de trabalho, conquistou a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro — dois títulos que compõem um currículo de estreia raro para qualquer técnico de primeiro mandato. Ao todo, foram 52 partidas no comando do Rubro-Negro, com aproveitamento superior a 60% antes da derrocada final no Carioca de 2026.
A Licença UEFA Pro, exigida pela Football Association (FA) para qualquer técnico que queira trabalhar na Premier League ou no Championship, demanda entre 12 e 18 meses de curso em condições normais. O caminho alternativo, via reconhecimento de certificação estrangeira equivalente, depende de aprovação da própria UEFA e da confederação nacional do país de origem — no caso, a CBF.
Jorge Mendes, que administra carreiras de nomes como Cristiano Ronaldo, João Félix e Rúben Amorim, tem trânsito reconhecido tanto na Premier League quanto nos principais clubes portugueses, o que posiciona Filipe Luís em uma rede de influência raramente acessível a treinadores brasileiros em início de carreira europeia.
O próximo capítulo
A corrida pela licença define o calendário de Filipe Luís para os próximos meses. Se a regularização junto à CBF e à UEFA avançar com rapidez, o treinador poderia estar elegível para assumir um cargo europeu ainda no segundo semestre de 2026 — janela que coincide com o período de avaliação de clubes como o Chelsea, que precisará definir seu comando técnico para a temporada 2026/2027 da Premier League.
No Benfica, o prazo depende da decisão de Mourinho sobre o Real Madrid, negociação que pode se resolver nas próximas semanas. Enquanto aguarda, Filipe Luís investe no processo burocrático como quem afina um instrumento antes de entrar no palco — cada documento assinado, cada aprovação institucional, uma nota que precisa soar no tom certo antes que a música comece.








