A aproximação entre José Boto e o agente de Luiz Henrique revelou os primeiros contornos de uma operação que pode mexer significativamente com o orçamento do Flamengo para 2025. O dirigente rubro-negro confirmou o interesse pelo atacante de 23 anos, atualmente no Zenit, mas encontrou pela frente uma pedida que supera os R$ 230 milhões - valor que colocaria o jogador entre as maiores contratações da história do futebol brasileiro.
O clube russo estabeleceu 40 milhões de euros como preço mínimo para liberar o ex-Botafogo, quantia que na cotação atual equivale a R$ 232 milhões. Essa cifra representa mais do que o Flamengo investiu em suas três maiores contratações dos últimos anos somadas: Cebolinha (R$ 40 milhões), Pedro (R$ 14 milhões) e De la Cruz (R$ 18 milhões). A resistência do Zenit tem fundamento: Luiz Henrique possui contrato válido até dezembro de 2028 e integra regularmente a Seleção Brasileira de Dorival Júnior.
José Boto testa terreno europeu
As conversas iniciais entre a diretoria flamenguista e o entorno de Luiz Henrique aconteceram nas últimas duas semanas, segundo apuração do SportNavo. José Boto utilizou seus contatos no mercado europeu para sondar não apenas a situação contratual do atleta, mas também a receptividade do jogador a um eventual retorno ao Brasil. A estratégia do dirigente português passa por demonstrar capacidade financeira para competir com clubes europeus de médio porte, posicionamento que pode facilitar futuras negociações.
O atacante mantém números modestos na temporada russa - dois gols e três assistências em 30 jogos -, mas sua presença constante na Seleção Brasileira elevou consideravelmente seu valor de mercado. Luiz Henrique disputou as últimas seis partidas do Brasil nas Eliminatórias da Copa do Mundo, consolidando-se como opção preferencial de Dorival Júnior para o setor ofensivo. Essa valorização internacional explica, em parte, a intransigência do Zenit nas negociações.

Movimentação estratégica no elenco
A investida por Luiz Henrique coincide com incertezas sobre o futuro de outros jogadores do setor. Gonzalo Plata enfrenta desgaste com Leonardo Jardim após episódios disciplinares, enquanto Luiz Araújo desperta interesse do Cruzeiro e de outros clubes nacionais. Jorge Carrascal, por sua vez, cumpre suspensão na Copa Libertadores devido a problemas extracampo, cenário que pode acelerar sua saída do clube carioca.

A possível reformulação do setor ofensivo flamenguista tem ainda outro componente financeiro: as eventuais vendas de Plata e Luiz Araújo poderiam gerar recursos próximos aos R$ 80 milhões, montante que reduziria significativamente o investimento líquido em Luiz Henrique. Boto trabalha com essa equação desde o início das sondagens, buscando viabilizar a operação sem comprometer o orçamento para outras posições carentes no elenco.
Zenit joga duro e testa mercado
A postura rígida do clube russo não surpreende dirigentes brasileiros familiarizados com o mercado local. O Zenit investiu aproximadamente 25 milhões de euros na contratação de Luiz Henrique junto ao Real Betis, em agosto de 2023, e busca pelo menos 60% de valorização sobre o investimento inicial. A diretoria russa também monitora o interesse de clubes da Premier League e da Serie A italiana, utilizando essas consultas como parâmetro para manter o preço elevado.
O prazo para definições se estende até o final de janeiro, quando se encerra a janela de transferências europeia. Até lá, o Flamengo precisará apresentar proposta oficial caso queira avançar nas negociações, movimento que ainda não ocorreu segundo fontes próximas ao Zenit. A expectativa é que eventuais conversas formais aconteçam após o Natal, período tradicional para aceleração de negociações no futebol internacional.
O próximo compromisso do Flamengo acontece neste domingo, contra o Atlético-MG, fora de casa, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro, enquanto as tratativas por Luiz Henrique seguem nos bastidores da diretoria rubro-negra.










