O Flamengo fechou 2024 com um investimento de R$ 77 milhões em Jorge Carrascal, mas sua primeira contratação de 2025 foi Weverson, zagueiro de 17 anos vindo do Cuiabá sem custos de transferência. O contraste entre as duas operações expõe a dualidade da estratégia rubro-negra: apostar alto em soluções imediatas enquanto constrói um projeto de médio prazo nas categorias de base.
Carrascal custou mais que Paquetá em complexidade
José Boto, diretor de futebol do Flamengo, revelou que a contratação de Carrascal foi mais desafiadora que a de Lucas Paquetá, mesmo com valores menores. O processo durou seis meses e envolveu obstáculos burocráticos sem precedentes na gestão atual.
"Foi a contratação mais difícil porque demorou mais tempo. Foi a primeira negociação que começamos no meio do ano passado e foi a última que terminamos", explicou Boto à FlamengoTV.
O dirigente detalhou as complicações específicas da negociação com o Dínamo de Moscou. A diferença de fuso horário, instabilidade nas tratativas e dificuldades econômicas para circulação de dinheiro obrigaram o Flamengo a envolver um terceiro clube na operação. Em 46 jogos disputados, Carrascal produziu cinco gols e nove assistências.
Weverson representa mudança de perfil
A contratação de Weverson, 17 anos, sinaliza uma abordagem distinta. O zagueiro canhoto assinou contrato até março de 2029 e já integra o sub-20 rubro-negro. Natural de Santa Catarina, ele disputou 24 jogos pelo sub-17 do Cuiabá em 2025 e teve experiência precoce no profissional, atuando em duas partidas da Copa Centro-Oeste.
O processo de contratação foi inverso ao de Carrascal: rápido, sem custos de transferência e focado em potencial futuro. O Flamengo aproveitou a rescisão do atleta com o Cuiabá no início de abril para fechou a operação sem complicações burocráticas. A expectativa interna é que Weverson siga desenvolvimento gradual por pelo menos três temporadas na base antes de uma possível promoção.
Suspensão expõe riscos do investimento imediato
O STJD negou o pedido do Flamengo para converter em medida social a punição de dois jogos aplicada a Carrascal pela expulsão na Supercopa contra o Corinthians. O presidente do tribunal, Luís Otávio Veríssimo Teixeira, argumentou que a conversão deve ocorrer apenas em situações excepcionais de impossibilidade real de cumprimento.

Somando as suspensões da Supercopa e do clássico contra o Fluminense, Carrascal pode desfalcar o Flamengo contra o Vasco, caso não haja reversão em recurso. A situação ilustra como investimentos altos em jogadores temperamentais podem gerar prejuízos além do aspecto financeiro, segundo apuração do SportNavo.
Estratégia dupla reflete pressões distintas
O paralelo entre Carrascal e Weverson revela as pressões contraditórias sobre o departamento de futebol rubro-negro. Enquanto a torcida e diretoria cobram resultados imediatos - justificando gastos como os R$ 77 milhões no colombiano -, a sustentabilidade financeira exige apostas de longo prazo como a do jovem zagueiro.

A homenagem a Oscar Schmidt, com Arrascaeta voltando temporariamente à camisa 14 contra o Bahia, simboliza a tradição de ídolos construídos gradualmente no clube. O contraste com a ansiedade por retorno imediato dos investimentos milionários evidencia o desafio de equilibrar ambas as abordagens.
O Flamengo volta a campo no domingo contra o Bahia, no Maracanã, com Carrascal ainda cumprindo suspensão e Weverson iniciando sua adaptação ao sub-20, representando as duas faces da atual política de contratações rubro-negra.










