Sete pontos, liderança do Grupo A e a classificação antecipada às oitavas de final da Libertadores a uma vitória de distância. Todo mundo já sabe onde o Flamengo pode chegar nesta quarta-feira (20) contra o Estudiantes. O que poucos têm mapeado com precisão é o estado real do time que entra em campo no Maracanã — e por que o caminho mais óbvio esconde mais obstáculos do que os números sugerem.
Os bastidores de uma semana turbulenta antes do jogo decisivo
A preparação para o confronto foi atravessada por dois tropeços consecutivos que reabriram debates sobre o elenco de Leonardo Jardim. Na Copa do Brasil, o Flamengo perdeu por 2 a 0 para o Vitória no Barradão, desperdiçando a vantagem construída no Maracanã e sendo eliminado precocemente. O resultado expôs fragilidades defensivas que voltaram à tona no fim de semana, quando o time empatou em 1 a 1 com o Athletico-PR na Arena da Baixada — Pedro salvou o ponto nos minutos finais após o gol de Mendoza abrir o placar para os paranaenses.
No Brasileirão, o Rubro-Negro mantém a vice-liderança com 31 pontos em 16 rodadas — nove vitórias, quatro empates e duas derrotas —, o que reflete uma campanha sólida, mas os últimos resultados geraram pressão interna. Danilo foi expulso na partida contra o Athletico, mas a suspensão não o impede de atuar pela Libertadores, o que alivia parte da gestão de elenco que Jardim precisará fazer.
Nas palavras do técnico português em entrevista recente, o grupo entende que a Libertadores tem um peso diferente e que o ambiente do Maracanã costuma transformar o rendimento da equipe. A frase não é retórica: em jogos continentais em casa nesta edição, o Flamengo ainda não perdeu.
A memória de 2025 e o que o empate em La Plata revelou sobre o Estudiantes
Há um dado que paira sobre este confronto com peso quase literário. Em 2025, o Flamengo eliminou o Estudiantes nas quartas de final da Libertadores em disputa de pênaltis — com Agustín Rossi como protagonista decisivo sob as traves. A cena pertence àquele tipo de memória que não abandona o vestiário adversário. Como no filme Raging Bull, onde cada derrota é carregada no corpo, o Estudiantes entra no Maracanã com a ferida ainda visível e, justamente por isso, com motivação fora do padrão.
O confronto desta edição, disputado em La Plata, terminou 1 a 1 e foi marcado por dois episódios que definiram o tom da relação entre os clubes: a fratura na clavícula de Arrascaeta, que tirou o meia uruguaio de cena por semanas, e as expulsões simultâneas dos técnicos Leonardo Jardim e Alexander Medina. O empate deu ao Estudiantes 6 pontos em quatro rodadas, mantendo a equipe argentina com plenas condições de brigar pela classificação — e tornando esta partida, matematicamente, um duelo de igual para igual em termos de consequências.
Segundo a avaliação do SportNavo, o histórico recente entre os clubes indica que o Estudiantes não chegará ao Rio de Janeiro para administrar o empate. Medina constrói seus times para pressionar alto e explorar transições rápidas, e a ausência de Arrascaeta — se confirmada — retira do Flamengo seu principal organizador de jogo no terço final.
A decisão tática que Jardim precisa tomar antes do apito inicial
A mesa de decisão do Flamengo passa por uma escolha central: como equilibrar intensidade ofensiva com solidez defensiva diante de um adversário que demonstrou, em La Plata, capacidade real de explorar os espaços deixados pelo time carioca nas transições. O 1 a 1 na Argentina não foi acidente — foi resultado de uma estratégia bem executada por Medina, que posicionou seus atacantes para capitalizar exatamente sobre as subidas dos laterais rubro-negros.
Com Pedro como referência no ataque — o centroavante marcou nos últimos dois jogos pelo Brasileirão —, o Flamengo tem condições de criar superioridade pelos flancos, mas precisa de consistência no meio para não deixar o Estudiantes sair em velocidade. A configuração do meio-campo, portanto, é a variável mais crítica da noite.
A torcida do Maracanã, que estará presente em peso para um jogo com ingresso esgotado, historicamente funciona como décimo segundo jogador nas noites de Libertadores. Em 2025, foi exatamente esse fator que pesou nos pênaltis contra os argentinos. Mas o ambiente não substitui organização tática, e os últimos 90 minutos do Flamengo fora de casa mostraram que o time ainda busca consistência quando o contexto muda.
- Flamengo: 7 pontos, líder do Grupo A — classificação garantida com vitória
- Estudiantes: 6 pontos, segundo colocado — vitória mantém a briga aberta até a rodada final
- Confronto direto anterior nesta edição: empate 1 a 1 em La Plata, com expulsões dos dois técnicos
- Histórico recente: Flamengo eliminou o Estudiantes nas quartas de 2025 nos pênaltis
"O Maracanã muda tudo. Jogar aqui com essa torcida é diferente de qualquer outro lugar do mundo", declarou Leonardo Jardim ao ser questionado sobre a vantagem de atuar em casa na fase de grupos.
Se o Flamengo vencer, a classificação está sacramentada com uma rodada de antecedência, permitindo que Jardim gerencie o elenco na última partida da fase. Se o Estudiantes segurar o empate ou vencer, o Grupo A chega à rodada final com três equipes ainda com chances reais, replicando o tensionamento que marcou a edição anterior da competição para ambos os clubes.
A partida está marcada para esta quarta-feira (20), com bola rolando às 21h30 no Maracanã, pela quinta rodada da fase de grupos da Copa Libertadores 2026. Uma derrota do Flamengo, combinada a outros resultados, pode até comprometer a liderança — o que torna o jogo, no fundo, mais parecido com uma peça de engenharia estrutural do que uma simples partida: cada viga errada no cálculo pode comprometer todo o andar que vem depois.









