Diz-se que o Estudiantes está sob pressão no Grupo A da Libertadores por ter jogado quatro partidas contra três do Flamengo. Na verdade, não está — e o motivo importa mais do que o saldo de jogos. O critério de desempate é o confronto direto, e o Mengão ganhou esse duelo por 4 a 1 no Maracanã. Mesmo que as pontuações se igualem, o Rubro-Negro passa na frente.
Nesta quarta-feira (7), Cusco e Estudiantes ficaram no 1 a 1 no Estádio Garcilaso de la Vega, a 3.400 metros de altitude em Cusco, Peru. José Manzaneda abriu o placar para os peruanos aos 37 minutos do primeiro tempo, de cabeça, após cruzamento pela direita. Tiago Palacios empatou para os argentinos aos 13 minutos da etapa final, saindo na cara do gol após tabela. Um resultado cirúrgico para o Flamengo: nem vitória do Estudiantes, nem derrota que gerasse pressão reversa na tabela.
Como o Grupo A ficou depois do empate no Peru
A tabela congela o Flamengo no topo. Com o 1 a 1 em Cusco, a classificação do Grupo A passou a ser a seguinte após quatro rodadas para dois dos clubes e três para os outros dois:
- 1º Flamengo — 7 pontos (3 jogos)
- 2º Estudiantes — 6 pontos (4 jogos)
- 3º Independiente Medellín — 4 pontos (3 jogos)
- 4º Cusco — 1 ponto (4 jogos)
O Flamengo só perde a liderança se for derrotado pelo Medellín por dois ou mais gols de diferença. Qualquer outro resultado — vitória, empate ou derrota por um gol — mantém o Mengão na primeira posição graças ao saldo do confronto direto acumulado (4 a 1 no Maracanã). Os colombianos estão três pontos atrás e precisam de uma goleada para ultrapassar.

O Cusco, com apenas um ponto em quatro jogos, está matematicamente eliminado de qualquer disputa pela classificação. O duelo real pelo Grupo A se reduz a três equipes, e o Flamengo entra na quarta rodada com a posição mais confortável.
O que uma vitória em Medellín significa para o Flamengo na Libertadores
Dez pontos em quatro jogos fecha qualquer conta aritmética adversária. Se o Flamengo vencer o Independiente Medellín nesta quinta-feira (8), às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Atanasio Girardot, chegará a 10 pontos. Nesse cenário, nem o Cusco nem o Medellín conseguiriam alcançar o Mengão, e a vaga nas oitavas de final estaria garantida com duas rodadas de antecedência.
O Atanasio Girardot, em Medellín, é um dos estádios mais hostis da América do Sul em termos de pressão de torcida. O Medellín tem 4 pontos e ainda alimenta esperança de classificação — o que significa que o jogo não será administrado, será disputado. O Flamengo precisará de compactação defensiva eficiente e transição ofensiva rápida para não se expor em excesso fora de casa.
Os dados do SportNavo mostram que o Flamengo tem aproveitamento de 77,8% na fase de grupos desta edição da Libertadores — sete pontos em nove disputados. A linha de pressão alta que o time tem aplicado nas partidas em casa precisará ser calibrada para o contexto de altitude moderada de Medellín (1.495 metros) e o desgaste da viagem.
A gestão da vantagem e o risco de relaxar antes do tempo
Liderar com folga pode ser uma armadilha de rotação mal calculada. Com a classificação quase garantida matematicamente, o risco real para o Flamengo não é perder a liderança — é entrar em Medellín com gestão de elenco equivocada, poupando titulares em excesso e perdendo o ritmo competitivo que uma fase eliminatória exige.
O confronto direto como critério de desempate já está resolvido contra o Estudiantes (4 a 1). Contra o Medellín, ainda não há jogo de volta que defina esse parâmetro — o que torna a partida de amanhã duplamente estratégica: além de carimbar a classificação com uma vitória, um bom resultado constrói vantagem no critério direto caso os colombianos ainda disputem posição nas rodadas finais.
O Independiente Medellín tem três pontos a menos que o Flamengo e dois jogos ainda pela frente na fase de grupos. Uma derrota por placar elástico do Mengão em Medellín reabriria a disputa pela liderança. Não é o cenário provável, mas é o único que o Rubro-Negro precisa monitorar taticamente.
O Flamengo entra em campo nesta quinta-feira (8) às 21h30, no Atanasio Girardot, com a chance de encerrar a fase de grupos como líder invicto — dois jogos antes do fim. Uma vitória transforma a administração da vantagem em algo parecido com uma partitura já gravada: você ainda precisa executá-la, mas o arranjo está pronto.








