O número chegou aos bastidores do Ninho do Urubu e travou a negociação antes mesmo de virar proposta formal: 40 milhões de euros. Foi o valor que o Shakhtar Donetsk sinalizou ao Flamengo para abrir qualquer conversa sobre Kauã Elias, atacante de 20 anos que passou pelo Fluminense antes de se firmar na Ucrânia. O clube carioca sondou a situação do jogador em busca de um centroavante para o segundo semestre de 2026 — e engasgou com a cotação.
O preço que o Shakhtar fixou e o que ele representa no balanço do Flamengo
Quarenta milhões de euros equivalem a aproximadamente R$ 233 milhões na cotação atual. O valor é praticamente idêntico ao desembolsado pelo Flamengo para repatriar Lucas Paquetá junto ao West Ham, operação que se tornou referência interna de teto para contratações de impacto.
A comparação não é fortuita. O Shakhtar conhece o histórico de gastos do clube carioca e ancorando o preço em Paquetá, o clube ucraniano sinalizou que não aceita negociar abaixo do que considera justo para um ativo em valorização. Kauã Elias acumulou 11 gols e 7 assistências em 36 jogos na temporada 2025/2026 pelo Shakhtar — números que sustentam a posição ucraniana, mas que ainda não atingem o patamar de um jogador que justifique esse desembolso para um clube com a estrutura salarial do Flamengo.
O Transfermarkt avalia Kauã Elias em torno de 20 milhões de euros — metade da pedida ucraniana. A diferença entre valor de mercado e preço pedido é de 100%, uma margem que raramente se fecha em negociações diretas sem leilão competitivo.
"O Fluminense negociou o atacante no começo de 2025 por 17 milhões de euros", conforme reportado pelo portal Coluna do Fla, o que torna a valorização de 135% em menos de dois anos o principal argumento do Shakhtar na mesa.
O custo total da operação, incluindo intermediação estimada em 5% a 8% sobre o valor bruto, ficaria entre R$ 245 milhões e R$ 252 milhões. Para um atacante de 20 anos sem experiência em ligas de primeira prateleira europeia ou no futebol brasileiro de alto nível, o ROI esperado dependeria de revenda futura — e o Flamengo não opera com esse modelo de trading como prioridade.
A estrutura contratual que o Flamengo teria de montar
Uma operação nesse patamar exigiria um contrato mínimo de quatro anos para diluir o custo de aquisição. Com salário estimado entre R$ 400 mil e R$ 600 mil mensais para um perfil desse nível, o custo total do pacote — fee de transferência mais folha — ultrapassaria R$ 260 milhões ao longo do vínculo.
- Fee de transferência: €40 mi (≈ R$ 233 mi)
- Comissão de intermediação (estimada 6%): ≈ R$ 14 mi
- Luvas de assinatura (estimada): R$ 8–12 mi
- Salário bruto em 4 anos: R$ 19–29 mi
- Custo total do pacote: R$ 274–288 mi
O Flamengo deteria 100% dos direitos econômicos nesse cenário — o que aumenta o potencial de revenda, mas também concentra o risco financeiro integralmente no clube. Não há indicação de que o Shakhtar aceitaria ceder qualquer percentual de uma futura venda, dado que já vendeu os direitos econômicos quando transferiu o jogador do Fluminense por €17 mi.
Pedro muda o cálculo antes de qualquer proposta formal
O fator que mais pesou contra a negociação foi interno. Pedro, centroavante titular do Flamengo, recuperou a regularidade e voltou a ser o principal referencial ofensivo do clube na temporada 2026. A direção rubro-negra avaliou que contratar um substituto de perfil semelhante — e mais jovem — por €40 mi criaria um conflito de gestão de elenco sem retorno claro no curto prazo.
Com Pedro em boa fase, o ROI de uma contratação de Kauã Elias dependeria de um cenário de lesão ou queda de rendimento do titular — premissa que o departamento financeiro do clube não aceita como base de planejamento. O modelo de análise de risco aplicado pelo Flamengo em grandes contratações, conforme apurado pelo SportNavo em fontes próximas ao clube, exige que o jogador adquirido tenha condições de ser titular imediato, não reserva de luxo.
"O Flamengo deseja a contratação de um centroavante para o segundo semestre, mas o retorno da boa fase de Pedro fez o clube carioca reduzir a possibilidade de um grande investimento", segundo informações do Coluna do Fla.
O raciocínio financeiro é direto: pagar €40 mi por um jogador que entraria como segunda opção no ataque implica custo de oportunidade elevado. O mesmo valor poderia ser alocado em dois ou três reforços de menor custo individual, com maior impacto coletivo no elenco.
A sondagem ao Shakhtar foi exploratória — nenhuma proposta formal foi enviada. O Flamengo mantém o interesse em reforçar o ataque, mas o teto interno para essa posição, neste janela, está bem abaixo dos €40 mi pedidos pelos ucranianos. A próxima janela de transferências abre em julho, e o clube avalia alternativas de menor custo no mercado sul-americano e português.
Kauã Elias segue no Shakhtar. O Flamengo segue com Pedro.









