0 títulos. Esse é o número que paira sobre o Real Madrid nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026 — e que obrigou Florentino Pérez a convocar eleições oficialmente, anunciando que concorrerá à reeleição em meio a uma onda de insatisfação que já tomou conta das ruas ao redor do Santiago Bernabéu. A temporada 2025/26 terminou sem La Liga, sem Champions League, sem Copa del Rey. Nada. Uma prateleira vazia onde os merengues estavam acostumados a empilhar prata.
Uma temporada que o Bernabéu não vai esquecer tão cedo
O calor de Madri em maio é seco e implacável. Nesta semana, ele combinou com o humor dos torcedores merengues — árido, sem paciência. Nas últimas semanas da temporada, o Santiago Bernabéu registrou vaias em partidas que, em outros anos, seriam meras formalidades de campeão. A torcida cobrou em tempo real, jogo a jogo, o que a diretoria ainda tenta explicar em comunicados.

A campanha do Real Madrid na Champions League 2025/26 terminou antes do esperado, eliminado nas fases eliminatórias sem chegar à final em Munique. No campeonato espanhol, o clube terminou atrás do Barcelona, que conquistou a La Liga com folga. Foram 38 rodadas de La Liga, e os merengues não sustentaram a ponta da tabela em nenhum momento decisivo do segundo turno. Três competições, três fracassos.
O processo eleitoral e o silêncio da oposição
Com o processo eleitoral aberto oficialmente nesta quinta-feira, a questão que circula nos corredores do clube é simples: alguém vai enfrentar Florentino? Até o momento, nenhum candidato de oposição confirmou participação. O prazo para inscrições ainda não foi divulgado pela diretoria, mas fontes próximas ao clube indicam que a janela será curta — o que, na prática, favorece quem já tem estrutura montada.
Nas palavras de analistas espanhóis que acompanham o clube há décadas, a ausência de oposição organizada não significa ausência de insatisfação.
"O Real Madrid tem uma cultura institucional que dificulta candidaturas alternativas. Quem ousa desafiar Florentino precisa de uma rede de sócios mobilizada que leva meses para construir"— avaliação que circula entre jornalistas especializados em futebol espanhol e que o SportNavo apurou junto a fontes que acompanham o clube de perto.
A regra eleitoral do Real Madrid exige que candidatos à presidência reúnam assinaturas de sócios e depositem uma caução financeira proporcional ao orçamento do clube — valor que, nos últimos anos, ultrapassou dezenas de milhões de euros. Essa barreira de entrada histórica explica por que, em eleições anteriores, Florentino frequentemente concorreu sem adversários formais.
O que muda no planejamento para a próxima temporada
Independentemente do resultado eleitoral, a temporada sem títulos já está produzindo consequências concretas no planejamento esportivo. Segundo informações que circulam em Madri, a comissão técnica passa por avaliação interna, e o nome do treinador responsável pela campanha 2025/26 está sob pressão. Contratos de jogadores com desempenho abaixo do esperado também entram na mesa de negociações para a janela de transferências de julho.

A folha salarial do Real Madrid é uma das três maiores da Europa, com compromissos que ultrapassam 500 milhões de euros anuais em vencimentos. Uma temporada sem receita de título — bônus de Champions, premiações de La Liga — aperta o caixa e força decisões que, em anos de conquista, seriam adiadas. Vendas de jogadores com mercado aquecido devem acontecer antes de agosto.
Florentino diante do espelho eleitoral
Florentino Pérez chegou à presidência do Real Madrid pela primeira vez em 2000. Desde então, o clube conquistou cinco Champions Leagues sob sua gestão, além de múltiplos títulos nacionais. Esse histórico é o principal argumento que ele usará na campanha — e é um argumento concreto, com datas e troféus.
Mas 2025/26 criou um precedente incômodo: pela primeira vez em muitos anos, o ciclo terminou zerado.
"Uma temporada sem títulos não define uma presidência, mas define uma eleição"— frase atribuída a um ex-dirigente do clube espanhol, que preferiu não ser identificado, mas que resume o dilema que Florentino enfrenta nas próximas semanas.
A data oficial das eleições ainda não foi anunciada pelo clube. O processo eleitoral foi aberto nesta quinta-feira, 14 de maio, e o calendário completo — incluindo prazo para inscrição de candidatos e data do pleito — deve ser divulgado nos próximos dias pela junta eleitoral do Real Madrid. Até lá, Florentino governa com mandato em curso e agenda de reformulação aberta sobre a mesa.
Na sede do clube, em Valdebebas, as luzes do centro de treinamento ainda estavam acesas quando o comunicado eleitoral foi publicado. Do lado de fora, um grupo de sócios lia o texto no celular, em silêncio, sem aplausos.








