Quando o Fluminense pisa no gramado do Estádio Olímpico de la UCV nesta terça-feira (7), para enfrentar o Deportivo La Guaira pela primeira rodada da Copa Libertadores 2026, Fernando Diniz enfrentará um quebra-cabeças tático que já se tornou familiar nos clubes europeus: como manter a identidade de jogo sem peças fundamentais do sistema. As ausências de André e John Kennedy não representam apenas baixas numéricas, mas lacunas estratégicas que exigem soluções criativas do técnico tricolor.
O vácuo deixado por André no meio-campo
A ausência de André no setor defensivo do meio-campo representa mais do que a perda de um jogador tecnicamente refinado. O volante de 23 anos havia se consolidado como o metronome do sistema de Diniz, função similar à que Busquets exercia no tiki-taka do Barcelona de Guardiola. Sua capacidade de distribuição e pressing coordenado eram fundamentais para a transição defesa-ataque característica do futebol dinâmico proposto pelo comando técnico tricolor.
Com André indisponível, Diniz precisa reestruturar não apenas a marcação, mas todo o processo de construção das jogadas desde o campo defensivo. A solução mais provável passa pela utilização de Martinelli como primeiro volante, jogador que oferece características físicas superiores, mas ainda busca o refinamento técnico necessário para comandar o meio-campo tricolor em competições internacionais.
Kennedy e o dilema ofensivo
A ausência de John Kennedy no setor ofensivo cria um dilema ainda mais complexo para Fernando Diniz. O atacante de 22 anos havia encontrado seu espaço no esquema tático como uma espécie de false nine, posição que ganhou notoriedade no futebol europeu com jogadores como Firmino no Liverpool de Klopp. Sua mobilidade e capacidade de criar espaços para os meio-campistas ofensivos eram elementos-chave na fluidez do ataque tricolor.
O técnico deve optar entre escalar Cano como referência clássica de área - perfil mais próximo aos centroavantes tradicionais do futebol sul-americano - ou apostar em Kauã Elias, jovem promessa que oferece características mais próximas ao estilo de Kennedy. A escolha definirá não apenas o perfil ofensivo da equipe, mas toda a dinâmica de movimentação no terço final.
Adaptação tática e gegenpressing
A filosofia de jogo implementada por Diniz no Fluminense tem clara inspiração no futebol alemão contemporâneo, especialmente no conceito de gegenpressing popularizado por técnicos como Klopp e Tuchel. Sem André e Kennedy, dois jogadores fundamentais neste sistema de pressão coordenada, o time precisará encontrar novas referências para manter a intensidade característica de sua marcação alta.
Lima, possível substituto de Kennedy no esquema ofensivo, oferece características técnicas refinadas, mas ainda precisa demonstrar a disciplina tática necessária para o pressing coordenado em jogos continentais. A experiência adquirida durante os anos de observação do futebol europeu sugere que adaptações desse tipo exigem tempo de assimilação, luxo que o Fluminense não possui na estreia da Libertadores.
O confronto contra o Deportivo La Guaira acontece às 19h (horário de Brasília) no Estádio Olímpico de la UCV, em Caracas, com transmissão da ESPN e Disney+. Diniz terá aproximadamente 90 minutos para testar se suas soluções improvisadas conseguem superar um adversário venezuelano que, historicamente, apresenta maior organização defensiva em casa do que seus resultados recentes sugerem.

