Um ponto em três rodadas, lanterna do Grupo C e uma derrota por 2 a 0 diante do Bolívar, na altitude de 3.600 metros do Estádio Hernando Siles, em La Paz, na noite de quinta-feira (30). A situação do Fluminense na Copa Libertadores é grave, e o debate gerado pelas declarações do técnico Luis Zubeldía após o jogo colocou mais lenha na fogueira de uma crise que combina resultados ruins, expulsão polêmica e pressão crescente da torcida.
A fotografia do Grupo C e o que ela revela
A tabela do Grupo C traduz com crueza o momento tricolor: o Independiente Rivadavia lidera com nove pontos — aproveitamento de 100% —, seguido pelo Bolívar com quatro, pelo Deportivo La Guaira com dois e pelo Fluminense, solitário na lanterna, com um único ponto. O narrador Luiz Felipe Freitas resumiu bem a trajetória que levou o clube a essa posição.
"O Fluminense resolveu torturar o seu torcedor nessa Libertadores. Vamos recapitular para entender como o time conseguiu se colocar nesse buraco, que até pode ter salvação, mas vai precisar fazer o que ainda não fez", disse Freitas.
Na leitura do narrador, o Tricolor entrou em campo contra o La Guaira, na Venezuela, sem a intensidade necessária para vencer um adversário considerado fraco. Diante do Rivadavia, no Maracanã, chegou com a torcida desmotivada — reflexo direto de decisões da diretoria —, e foi superado por uma equipe mais organizada. Em La Paz, o problema foi tático: segundo Freitas, o Fluminense parecia ter ido apenas para sobreviver à altitude, estratégia que não resistiu nem dez minutos do primeiro tempo.
Bernal expulso e a sequência de erros que custou caro
Se o placar de 2 a 0 já era difícil de administrar no intervalo, o início do segundo tempo piorou o cenário. O volante uruguaio Facundo Bernal recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso após bater palmas em direção ao árbitro — gesto que o juiz interpretou como provocação, logo depois de o VAR ter analisado, mas não punido, uma infração de Canobbio. O lateral-esquerdo Renê contestou a interpretação.
"Acho que o juiz interpretou errado o que o Facundo falou. Eu falei para ele que não tinha por que bater palma para ele porque a falta era para a gente. Foi uma expulsão que atrapalha, mas mesmo assim depois colocamos a bola no chão", afirmou o defensor.
A expulsão de Bernal reforçou a sensação de descontrole emocional do grupo em momentos decisivos, um padrão que vem se repetindo nas três partidas do torneio continental em 2026.
Zubeldía na berlinda — as declarações que dividiram opiniões
Apesar do quadro adverso, Zubeldía optou por um tom assertivo na coletiva pós-jogo. Ao ser questionado sobre as mudanças na escalação, o treinador argentino foi categórico e irônico.
"Eu escalo quem penso ser o melhor sempre, pode sair ou não. Por isso perguntei quais mudanças", respondeu Zubeldía à imprensa.
Segundo apuração do SportNavo, a declaração de confiança do técnico — que garantiu publicamente a classificação do Fluminense para as oitavas de final — foi o ponto mais debatido entre os analistas na noite de quinta. O ex-jogador e comentarista do Grupo Globo, Ramon, criticou abertamente a postura do comandante.
"Ele traz uma pressão mais do que o normal. A pressão para classificar, vindo da arquibancada, ela vai ser grande. Ele afirmando que o Fluminense vai se classificar, ele traz uma pressão desnecessária para o elenco", disse Ramon.
A análise do SportNavo aponta para um dilema recorrente no futebol de alto nível: a linha tênue entre a confiança pública que mantém o grupo coeso e a promessa que amplifica cobranças quando os resultados não chegam. Com o Fluminense precisando de, no mínimo, seis pontos nos três jogos restantes para ter chances reais de classificação, qualquer tropeço transforma a declaração de Zubeldía em combustível para novas críticas.
O calendário implacável e o que ainda é possível
O Fluminense enfrenta o Internacional no domingo (3), no Beira-Rio, em Porto Alegre, pela 14ª rodada do Brasileirão — um compromisso que chega em momento delicado de preparação para o confronto continental. Na quarta-feira (6), o Tricolor visita o Independiente Rivadavia, na Argentina, em partida que já tem contornos de decisão antecipada. O lateral Renê rejeitou a ideia de capitulação.
"Temos três jogos, não jogar toalha aí. Buscar agora essa vitória fora de casa na Argentina e deixar para a gente decidir no Rio de Janeiro. Porque a gente depende da gente para buscar a classificação", declarou o defensor.
Caso avance contra o Rivadavia, o Fluminense encerrará a fase de grupos no Maracanã, com dois jogos em casa — contra Bolívar e La Guaira. A matemática ainda permite a classificação, mas exige que o clube faça o que não conseguiu nas três rodadas anteriores: vencer fora de casa e manter a solidez dentro do próprio estádio. A partida contra o Rivadavia, em Buenos Aires, na quarta-feira (6), funciona como um divisor de águas: vitória mantém viva a esperança; derrota praticamente encerra a campanha continental do Tricolor em 2026.









