Não foi a derrota por 3 a 1 no Alfredo Jaconi que derrubou Roger Machado no São Paulo. Esse jogo apenas formalizou uma conclusão que a diretoria do Morumbi já havia alcançado internamente: o treinador não tinha mais condições de conduzir o clube em três frentes competitivas com o nível de consistência exigido. A eliminação para o Juventude na Copa do Brasil foi o gatilho, não a causa.

O que construiu a pressão antes do Jaconi

Roger assumiu o São Paulo em março de 2026, após a saída de Hernán Crespo, e em 17 jogos acumulou sete vitórias, quatro empates e seis derrotas — aproveitamento de 49%. Para um clube com a estrutura financeira do Tricolor, que mantém folha salarial entre as três maiores do Brasileirão, esse índice é insuficiente. O time marcou 20 gols e sofreu 17 nesse período, saldo positivo de apenas três tentos em quase dois meses de trabalho.

O dado que mais incomodou os analistas internos do clube não foi o número de gols sofridos, mas a facilidade com que eles aconteciam: o São Paulo precisou receber apenas 13,8 finalizações para levar um gol. Traduzindo, a defesa era porosa de forma estrutural, não circunstancial. A equipe criou 28 grandes chances e cedeu 23 — margem estreita demais para um time que mantinha 53,6% de posse de bola e, na teoria, deveria ditar o ritmo das partidas.

"O São Paulo foi vaiado em diversas partidas como forma de protesto da torcida", registrou a CNN Brasil ao noticiar a demissão — detalhe que expõe a ruptura entre o técnico e a massa tricolor muito antes do jogo em Caxias do Sul.

A fragilidade que os números de Roger no São Paulo não disfarçavam

Cinco jogos consecutivos sem vitória imediatamente antes da queda no Jaconi. Derrotas em clássicos — os jogos que a torcida do Morumbi usa como termômetro emocional da temporada. O que para um técnico europeu pode ser interpretado como ciclo natural de oscilação, para o futebol sul-americano é crise declarada: aqui, clássico perdido não é dado estatístico, é capital político queimado.

O que construiu a pressão antes do Jaconi G-4 não salvou Roger Machado e os núme
O que construiu a pressão antes do Jaconi G-4 não salvou Roger Machado e os núme

A média ofensiva também preocupava: o time precisava de 9,7 finalizações para converter um gol. Com 28 grandes chances criadas em 17 jogos — menos de duas por partida — a equipe mostrava dificuldade em transformar volume de jogo em eficiência real. A posse de 53,6% gerava controle sem profundidade, característica que a torcida identificou rapidamente como futebol burocrático.

Segundo apuração do SportNavo junto a fontes próximas ao clube, a diretoria já monitorava alternativas ao cargo desde a sequência de derrotas em clássicos, e a Copa do Brasil funcionou como prazo-limite não declarado. A permanência estava condicionada a avançar na competição.

O panorama que muda com a saída de Roger Machado

Com a demissão consumada, o São Paulo segue no G-4 do Brasileirão e na liderança do seu grupo na Copa Sul-Americana — posições que, paradoxalmente, aumentam a pressão sobre o próximo técnico, que herda uma equipe competitiva no papel mas instável na execução. Qualquer tropeço imediato será lido como confirmação de que o problema é elenco, não comissão técnica.

O clube precisará resolver a questão do novo treinador antes da próxima rodada do Brasileirão, com o time ainda disputando duas competições simultâneas. A fragilidade defensiva — 17 gols sofridos em 17 jogos — é o problema mais urgente a ser endereçado, independentemente de quem sentar no banco do Morumbi.