O domínio técnico de Gabriela Guimarães na zona de ataque se consolidou mais uma vez na quarta-feira (22), quando o Conegliano conquistou o bicampeonato italiano de vôlei feminino. A ponteira brasileira anotou 11 pontos na vitória por 3 sets a 0 sobre o Milano, com parciais de 25/17, 25/22 e 25/22, no Allianz Cloud, em Milão. Este é o nono título da competição para a equipe italiana, o oitavo consecutivo.
A performance de Gabi na final demonstra a maturidade técnica que a transformou em peça fundamental do sistema ofensivo do Conegliano. Com eficiência de ataque superior a 40% na temporada, a brasileira terminou como segunda maior pontuadora da equipe no jogo decisivo. O levantamento de primeiro tempo utilizado pela equipe italiana potencializou as características da ponteira, que explorou com precisão as bolas de pipe e os ataques pela ponta.
"Galera do Brasil, muito obrigada pelo apoio e por toda a torcida. Não foi uma final fácil. Paola Egonu sempre desequilibrando, mas conseguimos fazer uma grande partida do nosso conjunto", declarou Gabi após a premiação.
Análise tática da final italiana
O confronto contra o Milano, liderado por Paola Egonu, exigiu ajustes constantes no sistema defensivo do Conegliano. A equipe de Gabi utilizou bloqueio duplo sistemático contra a oposta italiana, que registrou média de 18,3 pontos por set durante os playoffs. A zona de conflito no meio da rede foi neutralizada através de um sistema defensivo que combinou bloqueio compacto e cobertura eficiente.
As estatísticas do primeiro set revelam a superioridade técnica do Conegliano: 67% de eficiência no ataque contra 52% do Milano, além de três aces contra apenas um da equipe milanesa. O saque viagem utilizado pela equipe italiana nos momentos cruciais quebrou a recepção adversária, criando oportunidades para contra-ataques rápidos.
Segundo apuração do SportNavo, Gabi manteve regularidade impressionante nos três sets, com apenas dois erros de ataque em 24 tentativas. A ponteira explorou principalmente as bolas de terceiro tempo, aproveitando a mobilidade do levantamento para encontrar espaços na defesa milanesa.
Trajetória vitoriosa no vôlei italiano
Desde sua chegada ao Conegliano na temporada 2024/25, Gabi acumulou cinco títulos: Liga Italiana, Copa Itália, Supercopa Italiana, Campeonato Italiano e Liga dos Campeões. O contrato da brasileira, válido até 2029, demonstra a confiança da direção italiana no potencial técnico da ponteira. Apenas o Mundial de Clubes falta na coleção da jogadora pela equipe italiana.
A adaptação de Gabi ao estilo de jogo europeu representa evolução significativa em sua carreira. O sistema defensivo mais compacto e o ritmo acelerado das jogadas exigiram ajustes técnicos que fortaleceram seu desempenho pela seleção brasileira. A experiência no vôlei italiano aprimorou especialmente sua leitura de bloqueio e variação de ataques.
Impacto na seleção brasileira
O crescimento técnico de Gabi no Conegliano reflete diretamente em sua performance pela seleção brasileira. A ponteira se tornou referência no ataque da equipe nacional, especialmente após as conquistas olímpicas recentes. Sua versatilidade tática permite ao técnico José Roberto Guimarães explorar diferentes sistemas ofensivos.
A regularidade demonstrada na temporada italiana - média de 14,2 pontos por set - consolida Gabi como uma das principais pontas do vôlei mundial. Sua capacidade de resolver jogadas em momentos decisivos, como demonstrado na final contra o Milano, representa diferencial fundamental para os próximos compromissos da seleção.

O próximo desafio do Conegliano será a semifinal da Liga dos Campeões contra o VakıfBank, da Turquia, marcada para 2 de maio. Uma vitória colocaria a equipe italiana na disputa pelo tricampeonato consecutivo da principal competição europeia de clubes.









