Quando Gabi Zanotti balançou as redes mais uma vez contra o Juventude, em Bento Gonçalves, poucos imaginavam que aquele gol representaria muito mais do que os três pontos para o Corinthians na liderança do Brasileirão Feminino 2026. Aos 41 anos, a camisa 10 das Brabas alcançou a marca de seis gols na temporada, tornando-se artilheira da competição e assumindo a liderança da Bola de Ouro no Prêmio ESPN Bola de Prata Feminino.

A matemática que impressiona dirigentes e especialistas

Os números de Zanotti revelam uma consistência que desafia os padrões do futebol moderno. Segundo apuração do SportNavo, a meia acumula conquistas do Bola de Prata em 2022 e 2025 como melhor jogadora de sua posição, além do prêmio de gol mais bonito em 2021. Em sete rodadas do atual campeonato, ela já superou médias de atacantes 15 anos mais novas, mantendo uma frequência de 0,85 gols por partida.

A vitória por 1 a 0 sobre o Juventude exemplifica o padrão tático que tem funcionado para o Corinthians. Com Zanotti orquestrando as jogadas ofensivas, a equipe soma 19 pontos em 21 possíveis, estabelecendo uma vantagem de quatro pontos sobre o segundo colocado. A performance individual dela contrasta com movimentações no elenco que custaram R$ 2,3 milhões em contratações para a temporada, conforme documentos acessados pela reportagem.

Mudanças na seleção ideal refletem competitividade crescente

A sétima rodada trouxe cinco alterações na seleção geral do Bola de Prata Feminino, demonstrando o nível técnico elevado da competição. Fê Palermo, do Palmeiras, assumiu a lateral-direita no lugar de Dan Nunes, do Bahia. Entre as zagueiras, Andressa, da Ferroviária, desbancou Núbia, do Flamengo. No meio-campo, a volante Júlia Bianchi, do Internacional, tomou a liderança de Andressa Alves, também corintiana.

As mudanças no setor ofensivo foram igualmente significativas. Brena, do Palmeiras, ocupou o espaço deixado por Letícia Monteiro, enquanto Tainá Maranhão garantiu vaga após marcar o gol da vitória palmeirense contra o Fluminense, substituindo Jaque Ribeiro na formação ideal. A configuração final inclui Carlinha (São Paulo), Fê Palermo (Palmeiras), Andressa (Ferroviária), Débora (Internacional) e Carol Gil (São Paulo) na defesa.

Impacto financeiro e estratégico para o Corinthians

A permanência de Zanotti no alto rendimento representa economia substancial para o Corinthians em um mercado inflacionado. Contratos de meias experientes no futebol feminino brasileiro variam entre R$ 45 mil e R$ 120 mil mensais, segundo levantamento de dirigentes consultados. A renovação da camisa 10 até dezembro de 2026, assinada em março, inclui cláusulas de bonificação por gols e títulos que podem elevar o valor total a R$ 890 mil.

Fontes próximas à diretoria alvinegra revelam que a manutenção de Zanotti influenciou diretamente na estratégia de mercado. Ao invés de investir pesadamente em uma substituta, o clube direcionou recursos para o fortalecimento da defesa e das laterais, setores que apresentavam carências técnicas na temporada anterior. A decisão se mostrou acertada com a liderança isolada na tabela.

Perspectivas para o restante da temporada

Com 11 rodadas ainda por disputar no Brasileirão Feminino, Zanotti mantém ritmo para superar seus próprios recordes de artilharia. Sua melhor marca individual foi de 14 gols em 2023, quando o Corinthians conquistou o título nacional. O calendário das próximas semanas inclui confrontos diretos contra Palmeiras, São Paulo e Internacional, adversários que brigam pelas primeiras posições.

A liderança na Bola de Ouro do Prêmio ESPN Bola de Prata Feminino consolida Zanotti como candidata natural ao prêmio de melhor jogadora da temporada. Caso mantenha o rendimento atual, ela pode se tornar a atleta mais velha a conquistar a honraria na história da premiação. O Corinthians volta a campo na próxima quarta-feira, contra o Cruzeiro, no Mineirão, em duelo que pode ampliar a vantagem na liderança para sete pontos.