Aos 32 minutos do primeiro tempo, no Nuevo Gasómetro, em Buenos Aires, Gabriel Barbosa recebeu o passe no limite da área, ajustou o corpo e encaixou no canto esquerdo do goleiro Gil, sem chance de defesa. O gol igualou o placar em 1 a 1 contra o San Lorenzo e salvou o Santos de uma derrota que poderia comprometer seriamente a campanha na 3ª rodada da Copa Sul-Americana. Para quem acompanha a trajetória de Gabigol em torneios internacionais, a cena era quase previsível.
O gol que veio depois do susto
O San Lorenzo havia aberto o placar aos 26 minutos, quando o camisa 9 do clube argentino, Cuello, arriscou de fora da área com força e precisão, colocando a bola no canto esquerdo de Gabriel Brazão. A resposta santista foi rápida: seis minutos depois, após uma sequência de passes no terço ofensivo, Gabigol apareceu no momento certo para empatar. O resultado de 1 a 1 fora de casa, diante de um adversário que joga em altitude emocional nos torneios continentais, tem peso considerável para a classificação do grupo.
O que os números dizem sobre Gabigol em competições internacionais
Gabriel Barbosa tem 28 anos e um currículo continental que poucos atacantes brasileiros conseguem replicar. No Flamengo, clube onde viveu seu melhor futebol, o atacante marcou 2 gols na final da Copa Libertadores de 2019 contra o River Plate, nos acréscimos, no Peru. Naquela temporada, terminou como artilheiro brasileiro da competição com 9 gols. Sua estreia profissional aconteceu no próprio Santos, em 2015, quando tinha 18 anos — fruto de uma formação completa nas categorias de base do clube da Baixada Santista, onde percorreu sub-15, sub-17 e sub-20 antes de ser promovido ao elenco principal por Dorival Júnior.

A análise do SportNavo sobre o desempenho de centroavantes brasileiros em torneios da CONMEBOL nos últimos cinco anos aponta Gabigol como o jogador nacional com mais gols decisivos em fases eliminatórias — definidos como tentos marcados em empates ou com diferença de apenas um gol de vantagem. O gol diante do San Lorenzo se enquadra exatamente nesse padrão.
Neymar ausente, Gabigol no centro do ataque
A lesão de Neymar, que segue em processo de recuperação e está indisponível para os jogos desta fase da Sul-Americana, reposicionou Gabigol como a principal referência ofensiva do Santos na temporada. Sem o camisa 10 em campo, o time precisou redistribuir a criatividade e a responsabilidade de decisão — e o atacante respondeu com um gol nos minutos iniciais do confronto, demonstrando adaptação ao sistema sem o parceiro. Segundo apuração do SportNavo, desde que Neymar se ausentou, Gabigol acumulou participações diretas em gols em três dos quatro jogos disputados pelo Santos no período.
"Gabigol é o tipo de jogador que não precisa de 90 minutos para mudar um jogo. Ele aparece nos momentos que importam", afirmou um membro da comissão técnica santista, em entrevista ao portal Lance!.
A declaração resume bem o perfil estatístico do atacante: na temporada atual, a média de minutos por gol de Gabigol em competições continentais é inferior a 80 minutos — índice que coloca o atleta entre os mais eficientes do elenco em termos de aproveitamento por tempo em campo.

Próximos passos na Sul-Americana
O empate por 1 a 1 em Buenos Aires mantém o Santos na disputa pela liderança do grupo, mas o cenário exige atenção: a equipe precisa administrar os pontos conquistados fora de casa e aproveitar os jogos no Brasil para construir uma vantagem sólida. A próxima rodada da Copa Sul-Americana está prevista para meados de maio, quando o Santos reencontra os adversários do grupo em solo nacional. O desempenho de Gabigol, em especial sua capacidade de marcar em contextos de pressão fora de casa, será determinante para definir se o clube alcança a fase eliminatória pela segunda vez consecutiva no torneio.










