Se Gabigol marcasse hoje contra o Palmeiras, o Santos sairia da zona de rebaixamento? Não — com 14 pontos em 13 rodadas, o Peixe precisaria de mais do que um gol para abandonar a lanterna do Brasileirão 2026. Mas a pergunta revela o peso que recai sobre os ombros de Gabriel Barbosa neste sábado (2), quando o Santos enfrenta o Verdão no Allianz Parque, às 18h30, pela 14ª rodada da competição, sem Neymar na lista de relacionados.

O que dizem os envolvidos

A ausência de Neymar foi confirmada pela comissão técnica do Santos antes do jogo. O camisa 10 optou por não atuar no gramado sintético do Allianz Parque — o técnico Cuca chegou a insistir para que o craque participasse do clássico paulista, mas o estafe do jogador avaliou que o risco de lesão no piso artificial era alto demais. O plano do entorno de Neymar é preservá-lo para a partida contra o Recoleta (PAR), pela Sul-Americana, e para o confronto com o Coritiba, pela Copa do Brasil — compromissos que antecedem a convocação para a Copa do Mundo.

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Do lado do Palmeiras, o técnico Abel Ferreira também não estará à beira do campo: suspenso pelo STJD, ele será substituído pelo auxiliar João Martins. Paulinho, que ficou 302 dias afastado por conta de duas cirurgias na tíbia da perna direita, retorna ao grupo e começa no banco. Vitor Roque e Piquerez seguem em recuperação de cirurgia no tornozelo direito e são desfalques confirmados.

"Neymar não vai jogar por conta do gramado sintético. Cuca insistiu, mas o estafe do jogador vê grande risco de lesão", informou a cobertura do Lance! antes do confronto.

No Santos, além de Neymar, estão fora Thaciano (edema no músculo adutor da coxa esquerda), Lautaro Díaz (dores na coxa direita), Gabriel Menino e Gustavo Henrique. Cuca escalou: Gabriel Brazão; Igor Vinicius, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar; João Schmidt, Crhistian Oliva e Rollheiser; Gabriel Bontempo, Gabigol e Barreal.

O que dizem os números

O Santos chega ao Allianz Parque com o pior desempenho do Brasileirão 2026: apenas 3 vitórias, 5 empates e 5 derrotas, com 6 gols marcados e 11 sofridos nos 13 jogos disputados. O Palmeiras, no outro extremo, lidera a competição com 32 pontos, seis a mais do que o Flamengo, segundo colocado com 26 — e ainda com um jogo a menos em relação ao clube carioca.

Gabigol é o principal nome ofensivo do Peixe neste momento. O atacante tem histórico relevante em clássicos contra o Palmeiras, tanto pela camisa do Santos quanto pelo Flamengo, clube pelo qual conquistou duas Libertadores (2019 e 2022) e dois Brasileirões. Contra o Verdão, o camisa 99 acumulou gols em confrontos diretos ao longo da última década, tornando-se um dos atacantes brasileiros com mais participações em gols em duelos entre os dois maiores clubes do eixo Rio-São Paulo.

A última vez que Santos e Palmeiras se enfrentaram foi em 14 de janeiro deste ano, pelo Campeonato Paulista, na Arena Barueri. O Verdão venceu por 1 a 0, com gol de Allan. Na ocasião, o Santos era comandado por Juan Pablo Vojvoda — hoje, sob o comando de Cuca, o clube tenta uma reação que ainda não veio de forma consistente.

O que dizem os envolvidos Gabigol no Allianz sem Neymar ao lado —
O que dizem os envolvidos Gabigol no Allianz sem Neymar ao lado —

Segundo levantamento do SportNavo, nos últimos seis clássicos entre Palmeiras e Santos no Allianz Parque, o time da casa venceu quatro vezes. O gramado sintético, que a partir desta partida deixará de ter o nome da seguradora Allianz — a Nubank assumirá o naming rights — historicamente favorece o Verdão, que treina no local com frequência e conhece suas particularidades.

O que dizem os números Gabigol no Allianz sem Neymar ao lado —
O que dizem os números Gabigol no Allianz sem Neymar ao lado —

O que digo eu sobre o quadro

Quem não tem cão caça com gato — e o Santos, sem Neymar, vai caçar resultado com Gabigol no Allianz. Mas é preciso ser honesta sobre o que isso representa: não é um plano B satisfatório, é a expressão de uma fragilidade estrutural que o clube da Baixada Santista carrega há temporadas.

Há algo revelador na cena que se forma neste sábado: o Santos, com 14 pontos e na lanterna do Brasileirão 2026, depende de um atacante de 29 anos que retornou ao clube como símbolo de uma reconstrução ainda incompleta. Gabigol tem qualidade inegável para clássicos — sua trajetória comprova isso. Mas um jogador, por mais decisivo que seja em jogos pontuais, não resolve um elenco que soma 6 gols em 13 rodadas.

A análise do SportNavo sobre o desempenho ofensivo do Santos neste Brasileirão aponta um problema sistêmico: a equipe não tem segunda opção real de criação quando Neymar é poupado. Barreal e Rollheiser são jogadores tecnicamente competentes, mas a ausência de um segundo articulador de peso expõe o time a um futebol previsível que o Palmeiras de Marlon Freitas e Andreas Pereira sabe explorar.

O Verdão, mesmo sem Abel Ferreira à beira do campo e com Paulinho apenas no banco, entra em campo com um elenco equilibrado e a liderança do campeonato para defender. Para o Flamengo, que joga no domingo contra o Vasco no Maracanã, um tropeço do Palmeiras hoje reduziria a diferença para apenas 6 pontos — com um jogo a menos para o Mengão.

O Santos volta a campo na quarta-feira contra o Recoleta, pela Copa Sul-Americana, quando Neymar deve ser relacionado. Mas antes disso, às 18h30 deste sábado, é Gabigol quem precisa mostrar que ainda tem combustível suficiente para carregar um time que, sem ele, simplesmente não pontua.