Confesso: eu errei ao apostar, após a vitória por 3 a 1 sobre o Cruzeiro no Brasileirão, que o Atlético-MG chegaria ao Centenário com confiança suficiente para administrar um resultado. O empate por 2 a 2 desta terça-feira (5), em Montevidéu, não foi apenas um tropeço — foi uma demonstração clínica de como uma equipe pode se autossabotar em menos de dez minutos.

A vantagem construída na bola parada e o goleiro que segurou o Galo

O primeiro tempo foi de domínio territorial do Juventud. As finalizações de Alejo Cruz e Roldán assustaram Everson antes dos 15 minutos, e o goleiro atleticano precisou trabalhar bem para evitar que os uruguaios abrissem o placar. Aos 16 minutos, Roldán aproveitou sobra na entrada da pequena área e tocou rasteiro — Everson defendeu com a ponta do pé, em intervenção decisiva.

A vantagem construída na bola parada e o goleiro que segurou o Galo Galo desperd
A vantagem construída na bola parada e o goleiro que segurou o Galo Galo desperd

A eficiência do Atlético, quando chegou, veio de onde o futebol brasileiro mais sabe explorar: a bola parada. Aos 37 minutos, Maycon cobrou escanteio, o goleiro Sosa saiu de soco e errou o timing. Alan Minda ficou com a bola na entrada da área e, percebendo Sosa adiantado, encobriu o goleiro com categoria para abrir o placar no estádio mais histórico do Uruguai.

O gol abalou o Juventud, que não conseguiu mais criar situações de perigo até o intervalo. O Atlético chegou ao vestiário com a vantagem mínima, mas com a sensação de que controlava o jogo — uma percepção que se revelaria perigosa na segunda etapa.

O segundo gol e o colapso defensivo que ninguém esperava

Com as entradas de Gustavo Scarpa e Dudu no segundo tempo, o técnico Eduardo Domínguez tentou dar mais qualidade na saída de bola. A estratégia produziu resultado imediato: aos 31 minutos, Scarpa cobrou escanteio na primeira trave com precisão cirúrgica, e o zagueiro Vitor Hugo se antecipou à marcação para cabecear e fazer 2 a 0. A vitória parecia encaminhada.

O que veio a seguir foi um colapso que a análise do SportNavo classifica como um dos apagões defensivos mais custosos do Atlético-MG em competições continentais nesta temporada. Um minuto após o segundo gol, Alejo Cruz cruzou na área, Vitor Hugo tentou afastar e furou a bola — e Pablo Lago apareceu entre os defensores para desviar com o pé de apoio e diminuir para 2 a 1. O mesmo jogador que havia marcado o gol se tornou o pivô do erro defensivo seguinte.

O Juventud sentiu o sangue. O Atlético recuou as linhas, passou a defender em bloco baixo e entregou a iniciativa ao adversário — uma escolha tática que se mostrou suicida diante de uma equipe que vinha de goleada de 4 a 0 sobre o Puerto Cabello na rodada anterior. Aos 41 minutos, Chagas cruzou da direita e Marcelo Pérez subiu completamente livre para cabecear no canto de Everson. Dois gols sofridos em dez minutos. Placar final: 2 a 2.

A tabela do Grupo B e o que o Atlético precisa fazer até 21 de maio

O empate deixou o Atlético-MG na terceira colocação do Grupo B com quatro pontos, enquanto o próprio Juventud ocupa a vice-liderança com cinco pontos. O Cienciano, líder da chave, ainda joga nesta terça contra o Puerto Cabello — e se os venezuelanos ao menos empatarem, o Galo pode retornar à lanterna do grupo.

Os números expõem a fragilidade da campanha atleticana: em quatro rodadas, o time de Domínguez sofreu gols em três partidas e ainda não venceu fora de casa na competição. A derrota por 1 a 0 para o Cienciano na rodada anterior já havia acendido o sinal de alerta; o empate desta terça transforma o alerta em emergência.

Everson ainda evitou o pior nos acréscimos, quando se esticou todo para espalmar chute forte de Guerrero e impedir a virada uruguaia. Mas o goleiro não pode ser o único a carregar a responsabilidade por uma equipe que, com 2 a 0 no placar, escolheu recuar em vez de administrar a posse.

A análise tática aponta dois problemas estruturais: a dependência excessiva de bola parada para criar (os dois gols atleticanos saíram de escanteios) e a incapacidade de segurar o resultado quando a pressão aumenta. Sem bola, o Atlético não tem respostas — e o Juventud explorou exatamente esse vácuo com cruzamentos consecutivos na área nos minutos 33 e 41.

O próximo compromisso do Atlético-MG na Copa Sul-Americana é contra o Cienciano, no dia 21 de maio. Uma derrota ou empate praticamente encerra qualquer esperança de classificação direta; a vitória se torna condição mínima, não suficiente. O Galo tem capacidade técnica para se recuperar — falta demonstrar que tem consistência defensiva para sustentar o que constrói.