Se a temporada do Atlético-MG fosse julgada apenas pelos sete dias que antecederam o sábado, 2 de maio, o veredicto seria impiedoso: derrota na Copa Sul-Americana, goleada sofrida do Flamengo na Arena MRV e a despedida de Hulk, o maior símbolo do clube nos últimos anos. Uma semana que, no futebol europeu, costuma derrubar técnicos antes mesmo do domingo chegar — o que para o argentino é uma crise de vestiário, para o português é demissão sumária na segunda-feira. No Brasil, sobrevive quem responde dentro de campo.

E o Galo respondeu. Com três gols, uma expulsão absorvida sem drama e uma linha defensiva remontada às pressas, o Atlético-MG venceu o Cruzeiro por 3 a 1 no Mineirão e recolocou Eduardo Domínguez em terreno firme.

Hoje: o que já é fato

O placar de 3 a 1 conta apenas parte da história. O Atlético chegou ao jogo com três desfalques de última hora por lesão: o zagueiro Vitor Hugo, o meio-campista Victor Hugo e o atacante Cuello. Domínguez, sem alternativas no papel, optou por uma linha de três zagueiros — Ruan, Lyanco e Alonso —, esquema que o treinador argentino havia mencionado em coletivas anteriores como caminho para maior solidez nas áreas. A escalação de Alan Minda como titular pela primeira vez com a camisa alvinegra foi a principal surpresa do dia.

O equatoriano não decepcionou. No primeiro gol atleticano, Lodi cruzou, Cassierra fez o pivô na pequena área e rolou para Minda, que finalizou com precisão para abrir o placar. Na sequência, Alan Minda invadiu a área e foi derrubado por Kaiki — pênalti que Maycon cobrou com categoria para ampliar. O terceiro gol veio de Cassierra, em jogada típica de centroavante, completando cruzamento na segunda etapa.

Lyanco foi expulso aos 33 minutos do segundo tempo, quando o marcador já apontava 3 a 1. O Atlético, reduzido a dez homens, recuou o bloco, fechou os espaços e administrou sem sustos o tempo restante. O Cruzeiro, que havia marcado apenas uma vez durante todo o jogo, não conseguiu criar pressão suficiente para ameaçar a vantagem.

"As sensações são boas. Mas o jogo que os jogadores fizeram, muito além do resultado, acho que foi justificável porque fomos certeiros, eficazes nas duas áreas. Subimos pouco e conseguimos, eles subiram pouco e defendemos bem", avaliou Domínguez após a partida.

Esta semana: o que se desdobra

A vitória no Clássico Mineiro tem peso técnico e emocional acumulado. Conforme levantamento do SportNavo, o Atlético havia sofrido uma goleada para o Flamengo na Arena MRV poucos dias antes — exatamente o tipo de derrota que fragiliza coletivos e alimenta questionamentos sobre o modelo de jogo. A resposta de Domínguez foi justamente na direção que ele mesmo havia cobrado publicamente: solidez nas duas áreas.

O capitão do elenco falou sobre o momento com clareza e sem euforia.

"O mais importante foi ser consciente; consciente do time que representamos, da torcida que representamos. Às vezes tudo sai bem, às vezes mal, mas essa tem que ser a regra [...] Uma das principais referências do time nos últimos anos está indo embora e tínhamos que mostrar aos outros que estamos feitos", declarou o jogador referido pelo treinador como "Barba".

A saída de Hulk — artilheiro e liderança histórica do ciclo atleticano — criava um vácuo simbólico que precisava ser preenchido coletivamente. A atuação de Alan Minda, Cassierra e Maycon diante do maior rival mineiro foi o primeiro sinal concreto de que o elenco tem condições de redistribuir esse peso.

Historicamente, o Clássico Mineiro já foi decidido em circunstâncias ainda mais adversas. Em 1971, o Atlético venceu o Cruzeiro com um homem a menos durante quase todo o segundo tempo, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. A capacidade de sustentar resultados em inferioridade numérica faz parte do DNA atleticano nos grandes momentos — e Domínguez parece ter compreendido isso ao montar um sistema que prioriza compactação antes de qualquer outra coisa.

Hoje: o que já é fato Galo segurou o Clássico com dez homens e
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Próximas 4 semanas: o que vai mudar

A análise do SportNavo indica que o Atlético enfrenta um calendário denso nas próximas semanas, com compromissos simultâneos no Brasileirão Série A 2026 e na Copa Sul-Americana — competição em que o clube já registrou tropeço recente e precisa de recuperação imediata na fase de grupos.

Domínguez foi direto ao ponto quando questionado sobre o que vem a seguir.

"Agora estamos pensando no jogo da semana, no qual precisamos vencer", afirmou o técnico, sem deixar espaço para celebração prolongada.

A linha de três zagueiros, improvisada por necessidade diante dos desfalques de Vitor Hugo e companhia, pode se tornar opção recorrente caso as lesões persistam. Ruan, que vinha sendo titular na zaga, demonstrou consistência, e Alonso — que voltou a atuar na posição depois de período atuando mais adiantado — mostrou que a solução emergencial pode render dividendos táticos.

O retorno ou não de Cuello, Vitor Hugo e Victor Hugo nas próximas semanas definirá se Domínguez terá liberdade para alternar entre os sistemas ou se precisará consolidar a linha de três como padrão. O Atlético volta a campo na próxima semana, precisando confirmar que o 3 a 1 sobre o Cruzeiro foi ponto de virada, não apenas pausa na crise.