A Arena MRV recebe nesta quinta-feira, 21 de maio, um jogo que o Atlético Mineiro não pode simplesmente jogar — precisa vencer. O Galo está na última posição do Grupo B da Copa Sudamericana com 4 pontos, três atrás do líder Cienciano, e qualquer resultado diferente de uma vitória esta noite destrói a chance de terminar em primeiro lugar e, a depender do que acontecer em outro jogo do grupo, pode encerrar a participação do clube na competição antes do tempo.
A posição incômoda de um vice-campeão na lanterna do grupo
Quando o sorteio da fase de grupos foi realizado na sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai, no dia 19 de março, o Atlético chegou ao Grupo B como cabeça de chave — o segundo clube com melhor ranking entre todos os participantes da competição, atrás apenas do River Plate. Atual vice-campeão da Sudamericana de 2025, o clube mineiro entrou na disputa com o peso de quem conhece o caminho até a final. Três rodadas depois, o Galo ocupa a última posição, com 4 pontos conquistados em quatro jogos, enquanto o Cienciano, adversário desta noite, lidera com 7.
O grupo reúne ainda o Academia Puerto Cabello, da Venezuela, e o Juventud, do Uruguai — dois adversários inéditos para o Atlético antes desta edição. O Cienciano, por sua vez, já era conhecido: os peruanos também foram líderes do grupo na Sudamericana de 2025, o que torna o retrospecto recente ainda mais delicado para o time alvinegro. Nos últimos cinco jogos da temporada, o Galo somou dois triunfos, dois empates e uma derrota — desempenho irregular que explica a posição atual na tabela.
O que o Atlético precisa para avançar na Sudamericana
As contas são diretas, mas não confortáveis. Para terminar em primeiro lugar e garantir vaga direta nas oitavas de final, o Atlético precisa vencer os dois jogos que restam — o desta quinta-feira, contra o Cienciano, e o do dia 27 de maio, contra o Puerto Cabello, ambos na Arena MRV — e ainda torcer por uma combinação favorável de resultados nos outros confrontos do grupo. O primeiro lugar dá passagem automática às oitavas; o segundo lugar leva aos playoffs das oitavas, contra uma equipe eliminada da fase de grupos da Libertadores.
Para garantir ao menos o segundo lugar, a matemática é mais simples: duas vitórias somam seis pontos ao placar atual e asseguram matematicamente a vaga nos playoffs, independentemente do restante. Mas o risco de eliminação antecipada é real e imediato. Se o Atlético não vencer o Cienciano nesta quinta, a possibilidade de terminar em primeiro desaparece por completo. E se o Galo perder, a eliminação pode vir ainda esta noite — basta que o duelo entre Puerto Cabello e Juventud não termine empatado.
O lateral Renan Lodi falou sobre a situação antes do jogo, com tom de quem prefere não calcular muito:
"Ganhando os dois jogos, temos todas as condições para classificar. Estou certo de que vamos nos classificar."
A frase carrega a objetividade de quem conhece o script, mas também revela o quanto o Atlético colocou a própria classificação nas mãos de um roteiro sem margem para erro.
O que ainda falta resolver antes de Barranquilla
O calendário restante do Galo na fase de grupos é inteiramente caseiro — dois jogos na Arena MRV, o que em teoria representa vantagem de mando. O histórico do clube contra times uruguaios e venezuelanos em competições da Conmebol jogados em Belo Horizonte é positivo, mas o dado mais relevante agora é outro: o Cienciano, que chega a Minas Gerais como líder do grupo, não perdeu nenhuma partida nesta edição da competição.
A análise feita pelo SportNavo ao longo da fase de grupos aponta que o padrão de desempenho irregular do Atlético — com resultados suficientes para não cair, mas insuficientes para liderar — é o reflexo de uma equipe que ainda não encontrou consistência tática nesta temporada de 2026. Os dois empates e a derrota nos últimos cinco jogos aconteceram em momentos em que o Galo precisava de resultado, o que torna o histórico recente um dado de atenção, não apenas um número.
A final da Copa Sudamericana está marcada para Barranquilla, na Colômbia. Para chegar lá, o Atlético precisa primeiro sobreviver ao grupo — e sobreviver começa às 19h desta quinta-feira, quando o árbitro apitar o início de um jogo que, para o clube mais bem colocado no ranking da Conmebol entre os participantes desta edição, não deveria ter chegado a este nível de urgência. Se o Galo vencer o Cienciano hoje e o Puerto Cabello na próxima quarta, 27 de maio, a vaga está garantida. Se tropeçar novamente, a questão deixa de ser como o time vai avançar — e passa a ser se vai avançar.
O que você acha mais provável: o Atlético consegue os dois triunfos consecutivos que precisa, ou um novo tropeço em casa encerra a campanha do vice-campeão sul-americano antes da última rodada?










