Quando Cassierra cabeceou na pequena área para fazer 3 a 0, o Mineirão já havia respondido à pergunta que pairava sobre o Atlético-MG desde a saída de Hulk. Era sábado, 2 de maio, 14ª rodada do Brasileirão, e o Galo encerrava uma sequência de três derrotas consecutivas na Série A com uma vitória que, pelo placar e pela forma, foi além do alívio imediato.

O que mudou

Hulk rescindiu o contrato com o Atlético-MG e tem acordo encaminhado para reforçar o Fluminense. A saída do atacante de 39 anos encerrou um ciclo de mais de quatro temporadas no clube, período em que ele acumulou mais de 140 gols e nove títulos. O vazio deixado por um jogador com esse peso simbólico não se preenche com uma contratação — ele se preenche, ou não, com a reorganização coletiva do elenco.

O MAYCON NÃO PERDOOU A TORCIDA DO CRUZEIRO E DEU AQUELA PROVOCADA! #shorts

A resposta do técnico foi estrutural. Sem Hulk como referência fixa no ataque, o Galo apostou em velocidade e transição rápida. Alan Minda, equatoriano que ganhou protagonismo na ausência do ídolo, abriu o placar aos 12 minutos após cruzamento de Renan Lodi. O mesmo Minda sofreu o pênalti convertido por Maycon aos 30 minutos do primeiro tempo, fechando a primeira etapa com vantagem de 2 a 0. Segundo análise do SportNavo, a participação direta de Minda nos dois primeiros gols indica que o Atlético já encontrou, ao menos funcionalmente, uma alternativa ao modelo centrado em Hulk.

Por que agora

Três derrotas seguidas na Série A colocavam o Atlético na 11ª posição com 14 pontos antes desta rodada, perigosamente próximo da zona de rebaixamento. O clássico mineiro funcionou como catalisador — jogos assim raramente permitem atuações medianas, e o Galo entendeu o recado. O Cruzeiro, que chegou ao Mineirão embalado por três vitórias consecutivas, perdeu o controle da partida depois de dominar a posse de bola no início: com mais de 70% de posse, a Raposa só finalizou no gol pela primeira vez aos 40 minutos do primeiro tempo, quando Gerson chutou de fora da área para defesa de Everson.

O segundo tempo aprofundou o desequilíbrio. Arroyo recebeu dois cartões amarelos em dois minutos e deixou o Cruzeiro com dez homens aos 21 minutos da etapa final. Cassierra aproveitou o espaço e fez 3 a 0 aos 27 minutos. Kaiki Bruno, que havia cometido o pênalti no primeiro tempo, foi expulso por entrada dura em Natanael. O Atlético também perdeu Lyanco, que recebeu o segundo amarelo por falta em Bruno Rodrigues e ainda protagonizou uma discussão acalorada com o companheiro Renan Lodi antes de deixar o gramado — três expulsões no total, duas do Cruzeiro, uma do Galo. Kaio Jorge descontou de pênalti aos 39 minutos, mas o resultado já estava definido.

Nas palavras do árbitro Flávio Rodrigues de Souza, que consultou o VAR em dois momentos decisivos da partida, os lances foram revisados com rigor — o que não impediu que o clima esquentasse progressivamente. A discussão entre Lyanco e Lodi no gramado, dois jogadores do mesmo time, expõe a tensão interna que três derrotas consecutivas acumulam num elenco.

O que vem em seguida

Com a vitória, o Atlético-MG subiu para a 11ª posição com 17 pontos, enquanto o Cruzeiro caiu para a 14ª colocação com 16. A diferença de um ponto entre os rivais mineiros no Brasileirão resume bem o momento de ambos — nenhum dos dois está confortável, mas o Galo saiu do Mineirão com o fôlego necessário para encarar a sequência.

O próximo compromisso do Atlético é pela CONMEBOL Sul-Americana, contra o Juventud, na segunda-feira (5), às 19h. Já o Cruzeiro enfrenta o Universidad Católica na quarta-feira (6), às 23h, pela Libertadores, antes de receber o Bahia no Brasileirão no dia 9 de maio. A avaliação do SportNavo é que o Galo encontrou no clássico uma fórmula de transição funcional — mas a consistência dessa reorganização só será testada em sequências mais longas, sem a adrenalina de um derby.

O Atlético provou que consegue vencer sem Hulk — falta mostrar que consegue fazê-lo com regularidade.