Não, Paulo Dybala não perdeu espaço na Roma por queda de rendimento — o argentino sequer está lesionado. A questão que Gian Piero Gasperini colocou sobre a mesa para o confronto deste domingo contra o Parma, às 18h no Tardini, pela 36ª rodada da Serie A, é de outra natureza: que tipo de futebol a Roma precisa jogar para conquistar os três pontos que a separam do quarto lugar? A resposta do técnico passa por Niccolò Pisilli, 21 anos, e não pelo camisa 21 de Mar del Plata.

Nos bastidores do Tardini, Gasperini fecha a porta para Dybala

Nos treinos da semana, as informações vindas de Roma convergem para uma decisão praticamente tomada: Gasperini deve confirmar o mesmo esquema 3-4-2-1 que aplicou na goleada de 4 a 0 sobre a Fiorentina. Isso significa Soulé e Pisilli atuando na meia-sombra atrás de Donyell Malen, com Dybala iniciando mais uma partida no banco. A defesa mantém o trio Mancini, Ndicka e Hermoso — mesmo Mancini, que carrega o peso da difida —, enquanto Celik e Wesley ocupam as alas e a dupla Cristante-Koné controla o meio. El Aynaoui, recém-recuperado, e El Shaarawy estão disponíveis, mas partem como opções.

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O argumento dos que defendem Dybala como titular é legítimo: o argentino é o jogador de maior qualidade técnica individual do elenco, capaz de criar situações de gol do nada. Tudo isso é verdade. O problema é que esse argumento ignora o contexto tático. Pisilli, ao contrário de Dybala, oferece uma participação defensiva consistente — pressiona a saída de bola adversária, cobre linhas de passe e suporta as transições que Gasperini exige com altíssima intensidade. Contra um Parma que chega ao Tardini sem pressão, com liberdade para jogar, um meio-campo que não fecha bem pode ser fatal.

"A Roma não pode mais fazer passos falsos daqui a fim de campeonato", destacou a cobertura do forzaroma.info, sinalizando a dimensão do que está em jogo para os giallorossi nas rodadas finais.

A Roma a um ponto da Juventus e o que os números revelam

Quem não tem cão caça com gato — e a Roma, sem Dovbyk (lesão miotendinea na coxa direita), sem Lorenzo Pellegrini (lesão no flexor) e sem Zaragoza (inflamação no joelho), foi forçada a reinventar o ataque. Malen assumiu a referência central e respondeu com performances sólidas. O resultado apareceu: três vitórias e um empate nas últimas quatro rodadas colocaram a Roma a apenas um ponto da Juventus, que ocupa o quarto lugar — a última vaga direta para a Champions League na temporada 2025/2026.

O SportNavo mapeou o momento da Roma nesta reta final: a equipe saiu de uma posição intermediária na tabela para pressionar o G-4 em questão de semanas, exatamente no período em que Gasperini consolidou o esquema sem Dybala como titular. Essa correlação não é coincidência — é evidência tática. Pisilli somou minutos relevantes e produziu dentro do sistema, enquanto Dybala, quando entra, costuma surgir como variável de criação nos minutos finais, função que o técnico reconhece e mantém.

A Juventus, adversária direta na briga pelo G-4, e o Milan também estão no radar. A Roma sabe que uma vitória em Parma mantém a pressão máxima sobre ambos. Perder ou empatar significa abrir espaço para que a Juve respire — e, com apenas três rodadas restantes, cada ponto tem peso desproporcional.

O Parma salvo e os riscos de um adversário sem nada a perder

O contra-argumento mais usado antes deste jogo é que o Parma, já garantido na Serie A para a próxima temporada, não vai oferecer resistência séria. Os dados contradizem essa leitura. Fora a derrota para a Inter no último turno, o Parma chega com quatro resultados positivos consecutivos e perdeu apenas uma das últimas cinco partidas em casa no Tardini. Uma equipe que joga sem ansiedade, no próprio estádio, diante de um adversário pressionado pelo resultado, é exatamente o tipo de armadilha que derruba favoritos.

Carlos Cuesta deve escalar seu melhor time disponível, com a dupla Strefezza e Pellegrino no ataque, Nicolussi Caviglia na armação e Keita ao lado. A baixa de Bernabé — que voltou a sentir problema no psoas e desfalca o time pela segunda vez na temporada — abre espaço para Ordonez ou Sorensen. A defesa mantém Circati, Troilo e Ndiaye, com Delprato e Valeri nas alas. Não é um time que vai se defender com dez atrás da linha — vai jogar, e isso pode incomodar a Roma.

"O Parma é uma insidia justamente porque não tem a ansiedade do resultado", observou a República ao contextualizar o duelo, lembrando que equipes nessa situação costumam surpreender times que chegam com a cabeça no próximo jogo.

A decisão de Gasperini, portanto, não é apenas sobre Pisilli versus Dybala. É sobre montar uma equipe capaz de impor ritmo e pressão desde o início, sem depender de genialidade individual para resolver o jogo. Uma Roma que controla, pressiona e transita com velocidade tem mais chance de vencer no Tardini do que uma Roma que espera Dybala inventar algo num momento de inspiração. Se a aposta der certo, a Roma encerra a rodada empatada em pontos com a Juventus — ou até à frente, dependendo dos outros resultados. A partida começa às 18h, com arbitragem de Chiffi, e a Roma precisa soar afinada mesmo fora de casa, como um músico que não pode depender do palco favorito para executar bem a partitura.