Trinta gols. É a distância que separa Cristiano Ronaldo de uma marca que nenhum ser humano alcançou na história do futebol profissional. Na quarta-feira (29), sob o calor sufocante de Riad, o português de 39 anos — que caminha para os 40 ainda nesta temporada — balançou as redes pelo Al Nassr na vitória por 2 a 0 sobre o Al Ahli, pela Liga Saudita, e empurrou o contador oficial da sua carreira para o número 970.
A cena que parou o estádio
O gol foi comemorado como se fosse o primeiro. Ronaldo correu em direção a um setor da torcida, ouviu a provocação de um torcedor rival e respondeu com um gesto que virou imagem instantânea nas redes sociais: cinco dedos erguidos, apontando para o próprio peito. A mensagem era inequívoca.
"Tenho cinco Champions", disse Ronaldo ao torcedor que o provocou, segundo relatos de veículos presentes no estádio.
A torcida do Al Nassr explodiu. O barulho dentro do Kingdom Arena tomou conta das transmissões ao vivo. Era mais do que um gol — era Cristiano afirmando, mais uma vez, que não veio para a Arábia Saudita para encerrar nada. Veio para escrever mais um capítulo.
Os números que sustentam a ambição
Aos 39 anos — completará 40 em fevereiro de 2025 — Ronaldo mantém uma média consistente de gols pela Liga Saudita. Desde que chegou ao Al Nassr em janeiro de 2023, o atacante acumulou mais de 60 gols pela equipe de Riad em todas as competições, uma produção que poucos atletas da sua idade conseguiriam sustentar em qualquer campeonato do mundo. O gol 970 chegou como parte de uma sequência que vem se acelerando nas últimas semanas da temporada saudita.
A análise do SportNavo mostra que, mantendo o ritmo atual de aproximadamente 1,2 gol por partida na Liga Saudita, Ronaldo precisaria de cerca de 25 a 28 jogos para fechar a conta dos 30 que faltam — uma projeção que aponta para o segundo semestre de 2025, a depender da participação do Al Nassr em copas regionais.
A matemática dos 30 que faltam
Trinta gols em um único calendário não é utopia para quem passou décadas fazendo isso na Premier League, La Liga e Serie A. Mas a Liga Saudita impõe desafios próprios. O calendário é comprimido, os viagens entre as cidades do país consomem energia, e a qualidade do elenco do Al Nassr — apesar de competitivo — não se compara à máquina que Ronaldo tinha à disposição no Real Madrid ou no Manchester United. Ainda assim, o português tem sido o grande diferencial ofensivo do clube em 2024.
"Ronaldo ainda decide jogos sozinho. Não é questão de nostalgia — é qualidade técnica e física real", avaliou um analista da liga saudita consultado pelo SportNavo.
A Copa do Rei Saudita e as possíveis fases finais de competições da AFC (Confederação Asiática de Futebol) podem turbinar esse número. Em 2024, o Al Nassr chegou à final da Copa do Rei Saudita, e Ronaldo foi protagonista na artilharia do torneio, marcando quatro vezes ao longo da campanha.
O corpo e o relógio — os dois adversários invisíveis
Nenhum jogador chegou aos 1000 gols antes. Pelé é a referência histórica mais citada, mas os números do Rei incluem partidas não-oficiais e amistosos, em uma época sem os critérios de registro atuais. O marco de Ronaldo é construído sobre jogos oficiais com validação de entidades como a FIFA e as federações nacionais — o que torna a cifra ainda mais impressionante.
O principal desafio não é tático. É biológico. Ronaldo completará 40 anos em fevereiro e já demonstrou sinais de que administra a carga de jogos com mais critério do que nos anos de Manchester e Madrid. Contra o Al Ahli, por exemplo, ele foi substituído aos 71 minutos, uma decisão técnica do treinador que preservou o atacante para o restante da temporada.
O Al Nassr volta a campo pela Liga Saudita na próxima rodada, com Ronaldo podendo marcar a qualquer momento os gols 971, 972 e além. A contagem regressiva para o milésimo está aberta — e o homem que respondeu com cinco dedos erguidos a uma arquibancada inteira claramente não tem a menor intenção de parar agora.












