O Grêmio não foi além do empate sem gols diante do Palestino, nesta quinta-feira, no Estadio Municipal de La Cisterna, em La Cisterna, Santiago, pela terceira rodada da fase regular da Copa Sudamericana 2026. O resultado, construído sobre tensão arbitral, um pênalti desperdiçado e quatro cartões amarelos distribuídos ao longo de menos de 35 minutos, expõe as contradições de uma equipe gaúcha que ainda busca regularidade no torneio continental.

Uma noite de VAR, pênalti perdido e cartões acumulados

O jogo começou sob clima de atrito imediato. Aos 4 minutos, Leonel Pérez recebeu o primeiro cartão amarelo da partida, dando o tom físico do que viria. A sequência mais dramática aconteceu entre os minutos 13 e 17: o VAR foi acionado duas vezes para analisar lances envolvendo Carlos Vinícius, o centroavante brasileiro do Grêmio. A segunda revisão, aos 15 minutos, resultou na marcação de pênalti — e também em cartão amarelo para o zagueiro chileno Enzo Roco, punido pela infração.

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Carlos Vinícius foi o encarregado de converter a cobrança. O atacante, no entanto, desperdiçou a oportunidade aos 17 minutos, mantendo o placar em zero. A falha do camisa 9 representou o momento mais simbólico da noite: o Grêmio teve o jogo nas mãos, literalmente, e não converteu. Aos 28 minutos, Dodi recebeu o terceiro cartão amarelo da partida, seguido por Sebastián Gallegos, do Palestino, aos 31 minutos — quarto amarelo distribuído em menos de meia hora, retrato de uma partida em que a escalada disciplinar superou a qualidade técnica apresentada.

No intervalo, o técnico do Palestino optou por mexer na equipe de forma significativa: Erick Noriega deixou o campo para a entrada de Leonel Pérez — curiosamente, o mesmo jogador que havia sido amarelado logo no início do jogo — e José Enamorado cedeu lugar a Willian. Do lado do Grêmio, Arthur Melo saiu para a entrada de Dodi, substituição que inverteu a lógica habitual, já que Dodi havia sido amarelado no primeiro tempo. As três trocas simultâneas na virada do intervalo indicam que ambos os treinadores reconheciam que o que havia sido apresentado nos primeiros 45 minutos era insuficiente.

Análise tática — O Grêmio sufocou sem concluir

Do ponto de vista estrutural, o Grêmio demonstrou maior controle territorial no primeiro tempo, pressionando a saída de bola do Palestino e forçando os dois acionamentos do VAR em sequência rápida. A equipe chilena, contudo, soube explorar os espaços nas transições, e o nervosismo gremista — materializado nos cartões de Dodi e na falha de Carlos Vinícius no pênalti — revelou uma fragilidade psicológica que não condizia com o favoritismo técnico esperado para o duelo.

Na avaliação do SportNavo, o padrão de jogo gremista na partida refletiu um problema recorrente desta equipe em contextos de pressão continental: a dificuldade de converter superioridade processual em efetividade ofensiva. Arthur Melo, antes de ser substituído, tentou organizar o meio-campo, mas a ausência de fluidez nas combinações entre o meio e o ataque limitou as chegadas com qualidade. O Palestino, jogando em casa no Municipal de La Cisterna, encontrou no equilíbrio defensivo e na intensidade física — traduzida nos cartões — sua estratégia mais eficiente de conter o adversário.

O contexto da Copa Sudamericana e o peso do empate

Na terceira rodada da fase regular da Sudamericana, cada ponto assume peso específico dentro da lógica classificatória do torneio. O empate fora de casa pode ser lido, em tese, como resultado administrável — mas o pênalti perdido e o cartão de Dodi, que pode comprometer sua disponibilidade em rodadas seguintes, transformam este 0 a 0 em um resultado que pesa mais do que o placar sugere. O Palestino, por sua vez, confirma que em sua praça, o Municipal de La Cisterna opera como fator de equalização competitiva relevante, dificultando visitantes de maior porte financeiro.

Conforme apurado pelo SportNavo, o Grêmio acumula, nesta terceira rodada, um retrospecto ainda em construção no grupo, e o pênalti desperdiçado por Carlos Vinícius pode ser lembrado ao final da fase como o momento em que dois pontos foram deixados na altitude de Santiago. A Copa Sudamericana, torneio que movimenta volumes crescentes de receita para os clubes participantes — especialmente via cotas de TV e premiações por avanço de fase —, exige exatamente o que o Grêmio não entregou nesta noite: objetividade nas oportunidades criadas.

O que vem pela frente para o Grêmio na Sudamericana

Com a fase regular ainda em andamento, o Grêmio precisa recalibrar sua abordagem antes da próxima rodada do torneio. O cartão amarelo de Dodi acende alerta imediato na comissão técnica, que terá de avaliar o risco de suspensão caso o volante acumule advertências nas rodadas subsequentes. Carlos Vinícius, por sua vez, carrega o peso psicológico da penalidade desperdiçada — e a resposta do atacante nas próximas partidas será determinante para medir a resiliência do setor ofensivo gremista. A equipe retorna ao Brasil com um ponto que poderia ter sido três e com a consciência de que, em competições continentais, as margens de desperdício são estreitas demais para serem ignoradas.