Todo mundo sabe que o Guarani atropelou o Maringá por 5 a 0 na última segunda-feira, 11 de maio, no estádio Willie Davids, em Maringá. O que poucos entenderam de imediato é que esse resultado não surgiu do nada — ele é o produto de um processo que o clube de Campinas vinha construindo em silêncio desde o início da Série C.

Foram exatamente 142 jogos entre uma goleada de cinco gols e outra. O intervalo começou em 2023, quando o Bugre venceu a Inter de Limeira por 5 a 0, também fora de casa, no Estádio Major Levy Sobrinho, pelo Campeonato Paulista. Três anos de espera encerrados em uma única noite no Paraná.

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O que o Guarani acumulou antes de explodir no Willie Davids

O Bugre chegou à sexta rodada da Série C com um retrospecto que misturava solidez e cautela ofensiva: três vitórias e três empates, sem nenhuma derrota. Doze pontos. Invicto. Mas o ataque era alvo de críticas recorrentes — discreto, pouco vertical, carente de volume.

O técnico Elio Sizenando não alterou o discurso público, mas ajustou movimentos internos. O time que entrou em campo contra o Maringá foi mais agressivo nas transições e mais eficiente nas finalizações do que nas rodadas anteriores. O resultado foi a goleada que colocou o Guarani na quarta colocação da tabela.

Decidiu.

A última goleada por cinco gols como mandante havia sido ainda no Paulistão de 2023, quando o Bugre venceu o São Bernardo por 5 a 1. Ou seja, o Willie Davids foi palco de uma raridade dupla: o placar elástico e a goleada fora de casa.

Guilherme Cachoeira lidera o ataque e credita evolução ao grupo

Guilherme Cachoeira, meia-atacante e peça de confiança de Sizenando, foi o principal nome da partida. Abriu o placar e distribuiu mais duas assistências, somando participação direta em três dos cinco gols. O levantamento do SportNavo sobre os números ofensivos do Bugre na Série C aponta que Cachoeira está entre os jogadores com mais participações em gols da competição até a sexta rodada.

"Eu fico muito feliz por tudo o que venho construindo nesse momento da temporada. Desde que cheguei aqui, estou focado em poder ajudar o clube nos objetivos. Venho me empenhando no dia a dia, meus companheiros de equipe têm me ajudado bastante também e acredito que esse momento positivo é fruto desse trabalho", disse o meia-atacante após a partida.

O atleta vive um momento pessoal marcante em paralelo à fase positiva dentro de campo. Cachoeira aguarda o nascimento da primeira filha e admite que a proximidade do evento trouxe motivação extra.

"Eu e minha esposa vivemos um momento muito especial, aguardando a chegada da nossa filhinha. Estamos muito felizes por tudo o que Deus tem nos proporcionado e acredito que ela tem me dado sorte também dentro de campo. Claro, isso é fruto de muito trabalho, mas estou muito feliz e isso tem refletido no campo também", completou.

O discurso de Cachoeira reforça um padrão observado no elenco: a narrativa coletiva como sustentação do desempenho individual. Não há um único nome sendo empurrado como protagonista absoluto — o grupo absorveu o protagonismo de forma distribuída.

O que muda no panorama da Série C com o Guarani no G-4

Com 12 pontos em seis rodadas, o Guarani ocupa a quarta colocação e figura entre os poucos times ainda invictos na Série C do Brasileiro. A campanha — três vitórias, três empates, nenhuma derrota — coloca o Bugre em posição direta de acesso se mantiver a regularidade.

A goleada sobre o Maringá tem peso além dos três pontos. Ela derruba o argumento de que o ataque era o ponto fraco do time. Cinco gols em uma partida, fora de casa, contra um adversário que disputa a mesma zona de classificação, é dado que muda a percepção sobre o potencial ofensivo do elenco comandado por Sizenando.

"Desde que cheguei aqui tenho falado que o Guarani é um clube muito grande no futebol nacional. Sei da responsabilidade que tenho e sou muito honrado por isso. Estou muito contente por ajudar meus companheiros com participações diretas nos gols e nas vitórias. Vejo um potencial grande no nosso grupo e acredito que temos grandes objetivos para conquistar essa temporada", afirmou Cachoeira.

O próximo teste para medir se a goleada foi pico ou padrão vem no domingo, dia 17 de maio, quando o Guarani enfrenta o Ituano. É o mesmo cenário que o Bugre viveu em 2023 — uma goleada isolada seguida de cobrança por consistência — só que agora a aposta é que o sistema ofensivo finalmente encontrou sua velocidade de cruzeiro.