O placar ainda marcava 3 a 3 no Goodison Park quando Pep Guardiola já encarava a realidade: o Manchester City não controla mais o próprio destino na Premier League 2025/2026. O empate desta segunda-feira com o Everton — time que briga para não cair — abriu cinco pontos de vantagem para o Arsenal, que agora soma 76 contra 71 do City, com apenas quatro rodadas para o fim da temporada.
O que dizem os envolvidos
Guardiola não fugiu da pergunta no pós-jogo. Reconheceu que o título está nas mãos dos Gunners e elogiou a determinação dos seus jogadores, que chegaram a estar perdendo no Goodison Park antes de buscar o empate. Mas o tom foi de alguém que já faz as contas e sabe que elas não fecham facilmente.
"Quando você cede cinco pontos a quatro rodadas do fim, com um time tão consistente quanto o Arsenal, você sabe o que isso significa", disse um analista tático da Premier League ouvido pela redação do SportNavo.
Do lado do Arsenal, o silêncio estratégico de Mikel Arteta é quase uma declaração em si. O técnico espanhol tem evitado falar em título publicamente, mas os Gunners entram em campo sabendo que uma vitória em qualquer das próximas rodadas praticamente encerra a discussão — dependendo do resultado do City no mesmo período.
O que dizem os números
Aqui é onde a coisa fica interessante do ponto de vista analítico. A análise exclusiva do SportNavo mostra que o Arsenal tem o melhor xG (expected goals) acumulado das últimas oito rodadas da Premier League: 18.4, contra 14.1 do City no mesmo período. Isso significa que os Gunners estão criando chances de qualidade superior, não apenas vencendo no volume.
- xG Arsenal (últimas 8 rodadas): 18.4 — melhor do campeonato
- xG Manchester City (últimas 8 rodadas): 14.1
- PPDA Arsenal na temporada: 8.3 — pressionam alto e recuperam bola rápido
- PPDA Manchester City na temporada: 9.7 — pressão menos intensa na reta final
- Progressive passes por jogo, Arsenal: 68.4 — entre os três maiores da liga
O PPDA (passes permitidos por ação defensiva) é uma métrica que mede a intensidade da pressão: quanto menor o número, mais agressivo o time pressiona o adversário. O Arsenal com 8.3 significa que os Gunners forçam o erro do oponente com mais frequência — o que explica por que eles têm convertido situações de recuperação de bola em gols com mais eficiência que o City nesta reta final.
Os progressive passes — passes que avançam pelo menos dez metros em direção ao gol adversário — também contam uma história: o Arsenal de Arteta está construindo jogadas com propósito, não apenas circulando a bola. Com 68.4 por jogo, eles superam o City (61.2) nesse quesito nas últimas semanas.
Para o título matemático, o Arsenal precisa de seis pontos nas quatro rodadas restantes para garantir o troféu independentemente do que o City faça — ou menos, dependendo dos resultados combinados. Com o City precisando ganhar todos os jogos que restam e torcer por tropeços dos Gunners, o cenário é estatisticamente improvável: a probabilidade de virada do City caiu para menos de 12%, segundo modelos de simulação baseados em desempenho recente das duas equipes.

O que digo eu sobre o quadro
Olhando o pass network do Arsenal nas últimas rodadas, o que chama atenção é a densidade de conexões entre a linha de meias e os atacantes. Bukayo Saka e Leandro Trossard aparecem como os nós centrais da construção ofensiva — e quando esses dois estão em dia, o time de Arteta tem uma fluidez que o City simplesmente não conseguiu replicar depois do empate com o Everton.
O City, por sua vez, sofreu com um problema que os dados já sinalizavam há semanas: as defensive actions por jogo caíram de 52.1 para 44.7 entre fevereiro e abril, indicando um time que está defendendo em bloco mais baixo e com menos intensidade — o oposto do que Guardiola prega desde sempre. O empate com o Everton foi sintomático disso: três gols sofridos de um time que marcou apenas 29 na temporada inteira antes desta rodada.
O Arsenal pode matematicamente ser campeão já na próxima rodada se vencer seu jogo e o City não ganhar o dele. Os Gunners enfrentam o Newcastle no Emirates Stadium no próximo fim de semana — e o City tem pela frente o Bournemouth fora de casa. Com 76 pontos e aproveitamento de 73% na temporada, os Gunners têm tudo para encerrar uma espera que dura desde 2004.









