— Cara, o Chelsea nem tem treinador de verdade, vai ser goleada.
— Não sei não. Eles chegaram até a final de algum jeito.
— É Guardiola, mano. Em Wembley. Vai ser diferente.

Essa conversa acontece agora mesmo em pubs por toda a Inglaterra. E a resposta certa, honestamente, ninguém tem. O que se sabe é o seguinte: às 11h deste sábado (16), horário de Brasília, Chelsea e Manchester City entram em campo no lendário Wembley Stadium para disputar a final da Copa da Inglaterra — pela primeira vez na história de 145 edições do torneio. De um lado, um clube em crise existencial. Do outro, uma máquina em busca de perfeição histórica.

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O que os números revelam sobre o abismo entre as equipes

O contraste é brutal quando você olha para a tabela. O City chega a Wembley com 77 pontos na Premier League, apenas dois atrás do Arsenal, vindo de uma goleada de 3x0 sobre o Crystal Palace. Pep Guardiola, se vencer, conquista seu 20º título de expressão pelo clube inglês — um número que por si só já seria manchete em qualquer idioma. O City já levantou a Copa da Liga Inglesa nesta temporada e briga pelo título do campeonato: uma vitória neste sábado mantém vivo o sonho do triplete, feito que colocaria o clube na história ao lado de Arsenal, Liverpool e do próprio Chelsea como o sexto a conquistar as duas copas na mesma temporada.

O Chelsea, por sua vez, ocupa a nona posição na Premier League e chegou a Wembley atravessando uma temporada que só pode ser descrita como turbilhão. Enzo Maresca, nomeado em 2024, foi demitido em 1º de janeiro após resultados ruins. O interino Calum McFarlane comandou dois jogos, depois chegou Liam Rosenior em 8 de janeiro — e Rosenior foi mandado embora em 22 de abril, após cinco derrotas consecutivas, incluindo um humilhante 3x0 sofrido para o próprio City em Stamford Bridge. McFarlane reassumiu o comando. É ele quem vai escalar o time hoje.

Como o Chelsea chegou até aqui mesmo sem direção técnica

Apesar do caos administrativo, os Blues se mantiveram vivos na Copa da Inglaterra com atuações individuais de alto nível. Pedro Neto marcou três gols na vitória sobre o Hull City. Enzo Fernández foi decisivo na semifinal contra o Leeds United. E João Pedro segue como artilheiro do clube em todas as competições, com 20 gols na temporada — um número que justifica qualquer esperança que os torcedores do Chelsea ainda carregam.

A Copa da Inglaterra não é apenas um troféu para o Chelsea: é a última chance de salvar a temporada e garantir vaga na Europa League. Uma vitória em Wembley resolve dois problemas de uma vez. Essa pressão, paradoxalmente, pode funcionar como combustível.

Mas o que Guardiola pensa do adversário de hoje?

Guardiola e o Chelsea — uma relação feita de elogios, críticas e memórias amargas

Poucos adversários marcaram tanto a trajetória de Pep Guardiola quanto o Chelsea. Em 2021, o City perdeu a final da Champions League para os Blues por 1x0, com gol de Kai Havertz, em Porto. Depois da partida, Guardiola não escondeu a admiração pelo rival.

"O Chelsea foi uma equipe excepcional e mereceu o título nos momentos decisivos", disse Guardiola após a derrota em Porto.

No mesmo ano, quando o Chelsea demitiu Frank Lampard, Guardiola saiu em defesa pública do treinador, classificando-o como "um treinador incrível" que estava sendo descartado cedo demais. A relação, portanto, nunca foi apenas de rivalidade fria — há respeito declarado, e também cicatrizes.

Houve ainda o episódio de 2022 que rendeu gargalhadas no Brasil. Guardiola, ao comentar sobre o Mundial de Clubes, afirmou que o Chelsea era "o melhor time do mundo" como campeão europeu e citou o River Plate como campeão sul-americano — esquecendo completamente que o Palmeiras havia conquistado a Libertadores naquela temporada. O Chelsea acabou vencendo o torneio justamente ao bater o Verdão na final em Abu Dhabi, o que deu um sabor ainda mais irônico à declaração.

"A melhor equipe é o Chelsea, que é o campeão europeu. E o River Plate, que ganhou na América do Sul… acho eu… talvez não, não sei", disse Guardiola à época, em fala que repercutiu amplamente no Brasil.

Na avaliação do SportNavo, essa relação de admiração mútua com momentos de tensão é exatamente o tempero que torna esta final diferente das outras. Guardiola conhece o Chelsea como poucos — e o Chelsea conhece o peso de jogar contra Guardiola em decisões.

O que os números revelam sobre o abismo entre as equipes Guardiola já elogiou, j
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O City tem uma vantagem logística preocupante: Guardiola precisa administrar quatro jogos em apenas 11 dias, com a Premier League ainda em disputa. A rotação no elenco é inevitável, e isso pode abrir brechas para um Chelsea que, mesmo sem treinador fixo, tem jogadores capazes de decidir individualmente. Erling Haaland, do lado do City, é sempre a ameaça máxima em qualquer jogo — e o Chelsea vai precisar de uma estratégia específica para contê-lo.

A bola rola às 11h deste sábado. O City vence para manter vivo o triplete. O Chelsea vence para salvar uma temporada que quase afundou. Wembley decide os dois destinos de uma vez.