Diz-se, com frequência, que a Suécia nunca mais encontrou um centroavante capaz de carregar a seleção desde Zlatan Ibrahimović. Na verdade, não encontrou um — encontrou três ao mesmo tempo. E esse detalhe muda completamente a leitura sobre o que a equipe dirigida por Graham Potter pode fazer na Copa do Mundo de 2026, anunciada nesta terça-feira (12) com uma convocação que reúne nomes de peso do futebol europeu.
Viktor Gyökeres, do Arsenal, Alexander Isak, do Liverpool, e Anthony Elanga, do Newcastle, formam a linha ofensiva convocada por Potter — e os três estão entre os atacantes mais produtivos da Premier League na temporada 2025/2026. Gyökeres, em especial, atravessa o melhor momento da carreira após a transferência ao Arsenal, clube onde acumula números que o colocam entre os cinco centroavantes mais eficientes da Europa neste ciclo.
O que a Suécia de 1994 tem a ensinar ao ataque de 2026
A referência histórica não é gratuita. Em julho de 1994, nos Estados Unidos, a Suécia surpreendeu o mundo ao terminar em terceiro lugar no torneio, derrotando a Bulgária por 4 a 0 na disputa do terceiro lugar, com Tomas Brolin e Martin Dahlin como protagonistas ofensivos. Aquela equipe combinava solidez defensiva com transições rápidas e dois atacantes complementares — um de área, outro de profundidade. O paralelo com o trio atual é imediato: Gyökeres é o finalizador nato, Isak é o atacante de movimentação ampla e Elanga oferece velocidade e desequilíbrio pelas beiradas.
A diferença estrutural, claro, é que em 1994 a Suécia chegou ao torneio como cabeça de chave, enquanto a edição de 2026 marca o retorno da seleção após ausência na Copa do Catar, em 2022. A classificação veio pela repescagem das eliminatórias europeias, o que já sinaliza que este não é um grupo que chegou pela porta larga. Como diz o ditado, quem não tem cão caça com gato — e Potter transformou exatamente essa limitação em motivação coletiva.
Gyökeres no Arsenal, Isak no Liverpool e o que os números revelam
Quando Gyökeres recebe de costas para o gol, ele protege a bola com eficiência acima da média europeia e finaliza em sequência com frequência que poucos centroavantes da Premier League reproduzem. Quando Isak atua pelo corredor central, ele cria linhas de passe que abrem espaço para Elanga infiltrar pela direita — um mecanismo que Potter já utilizou com o Newcastle antes de assumir a seleção sueca.
O contexto institucional também pesa. Gyökeres chegou ao Arsenal em uma janela de transferências que movimentou cifras superiores a 60 milhões de euros, segundo estimativas do mercado europeu, o que representa o maior investimento feito em um jogador sueco em toda a história do futebol. Isak, por sua vez, consolidou-se como um dos atacantes mais valiosos do Liverpool após uma temporada 2024/2025 em que marcou mais de 20 gols na Premier League. Elanga, no Newcastle, soma regularidade e intensidade física que complementam os outros dois sem redundância tática.
O SportNavo identificou que, entre os grupos da Copa do Mundo de 2026, o Grupo F — no qual a Suécia está inserida — apresenta uma combinação incomum de estilos: a Holanda com pressão alta, o Japão com organização compacta e a Tunísia com marcação física. Para um trio ofensivo que prospera em espaços entre linhas, o calendário sueco exige versatilidade antes de oferecer recompensas.
O Grupo F e a estreia contra a Tunísia no México
A Suécia estreia na Copa no dia 14 de junho, contra a Tunísia, no Estádio BBVA, em Guadalupe, no México. O confronto é, no papel, o mais acessível do grupo — mas a Tunísia chega com um sistema defensivo disciplinado e histórico de partidas com poucos gols em Copas. Holanda e Japão, os outros adversários do Grupo F, elevam consideravelmente o nível de exigência para as rodadas seguintes.
Além do trio ofensivo, a convocação de Potter inclui Victor Nilsson Lindelöf, do Aston Villa, como referência defensiva, e Lucas Bergvall, do Tottenham, como o meio-campo criativo responsável por conectar a saída de bola com o ataque. O goleiro titular deve ser Viktor Johansson, do Stoke City, opção que gerou debate entre analistas suecos dada a diferença de nível competitivo em relação aos demais convocados.
A convocação completa e o peso do retorno após quatro anos fora
A lista de 23 jogadores reúne atletas de 14 clubes diferentes, espalhados por oito países europeus — da Juventus ao Braga, do Borussia Dortmund ao Celtic. Essa dispersão geográfica é um indicador da internacionalização do futebol sueco nas últimas duas décadas, mas também representa um desafio logístico e tático para Potter, que precisará construir coesão em um tempo de preparação reduzido.
Segundo o técnico Graham Potter, a missão do grupo é clara: competir com intensidade desde o primeiro minuto e não se comportar como uma equipe que chegou ao torneio pela repescagem. Nas palavras do treinador britânico, a seleção sueca tem qualidade para avançar às oitavas de final e, a partir daí, tudo depende de como o trio ofensivo responde à pressão de um Mundial.
A Suécia entra em campo pela 13ª vez em uma Copa do Mundo. A janela de tempo entre a última participação sueca — a de 2018, na Rússia, quando a equipe chegou às quartas de final — e este retorno em 2026 é de oito anos. Gyökeres, Isak e Elanga, juntos, têm a chance de encerrar esse intervalo com uma campanha que a torcida sueca não vê desde os dias de calor de Pasadena, em julho de 1994.












