Sábado, coletiva do UFC Casa Branca. Foi nesse ambiente que Josh Hokit jogou a primeira pedra em direção a Alex Pereira — e o que parecia uma bravata isolada de um peso-pesado americano em busca de holofote virou, semanas depois, uma campanha de provocações que já não cabe mais na categoria de ruído de bastidor.
A faísca que acendeu no Casa Branca
A rivalidade entre Hokit e Pereira não nasceu de uma derrota no octógono nem de um post calculado nas redes sociais. Ela surgiu cara a cara, durante a coletiva de imprensa do UFC Casa Branca, quando os dois dividiram o mesmo espaço e a tensão não precisou de legenda. Hokit, que carrega um cartel construído na divisão dos pesados, onde cada nocaute tem peso literal, escolheu o brasileiro multicampeão como alvo — e não foi por acaso. Provocar Pereira é a forma mais rápida de colocar seu nome em pauta num card dominado por outros protagonistas.
O peso-pesado americano voltou ao ataque durante o UFC 328, num vídeo divulgado pelo perfil oficial do UFC on Paramount+. Dessa vez, as declarações ultrapassaram o limite do trash talk esportivo.
"Quero fazer o 'Chama' na mãe dele", disse Hokit, intensificando os ataques pessoais contra Alex Pereira em clipe divulgado durante o UFC 328.
A frase não é apenas grosseira — ela sinaliza que Hokit está disposto a queimar pontes de etiqueta para forçar uma resposta do ex-campeão dos médios e dos meio-pesados.
O que Pereira representa para quem quer chegar ao topo dos pesados
Alex Pereira subiu para o peso-pesado carregando o histórico de quem já foi campeão em duas categorias no UFC, um feito que pouquíssimos atletas conseguiram na história da organização. No meio-pesado, conquistou o cinturão ao nocautear Jiří Procházka e defendeu o título em sequências que o consolidaram como um dos nocauteadores mais perigosos da promoção. Sua transição para os pesados acendeu o interesse de toda a divisão — e Hokit enxergou nisso uma janela.
Do ponto de vista técnico, o confronto seria um teste de resistência para o estilo de Hokit: um lutador que pressiona com volume de golpes, mas que, contra a potência crua de Pereira, funcionaria como uma tempestade sem raio — barulho e movimento, mas sem o impacto que decide rounds. A análise do SportNavo aponta que, nas apostas, Pereira partiria como favorito expressivo caso o combate fosse confirmado, reflexo direto do poder de finalização e do histórico de nocautes relâmpago do brasileiro.
O cálculo do UFC e o caminho para um confronto oficial
A questão agora é saber se a promoção vai alimentar essa chama ou deixá-la apagar. O UFC tem histórico de transformar rivalidades nascidas em coletivas em contratos assinados — a exemplo do que aconteceu com Conor McGregor e Nate Diaz após o UFC 196, onde um confronto de última hora virou uma das maiores bilheterias da história da organização. Hokit ainda não tem o ranking que justificaria uma luta imediata contra Pereira, mas provocações da magnitude das que ele protagonizou criam pressão pública que o matchmaking da organização raramente ignora por muito tempo.
Caso o UFC decida avançar, o combate provavelmente entraria em card de grande porte — possivelmente como co-main event —, dado o apelo midiático que Pereira carrega e a capacidade de Hokit de vender uma narrativa de vilão que o público ama odiar. A próxima movimentação de ranking de Hokit, esperada após o encerramento do UFC 328, deve indicar se a organização o vê como pretendente legítimo ou como peça de marketing de curto prazo.
Hokit jogou tudo numa provocação que cruzou linhas pessoais — está na bola do UFC decidir se isso vale um octógono. Tem o fogo. Falta o contrato.








