A Holanda é favorita. A Tunísia está eliminada. E, mesmo assim, este pode ser o jogo mais traiçoeiro que Ronald Koeman vai enfrentar na Copa do Mundo — justamente porque todo mundo já acha que sabe o resultado.

Esse é o paradoxo do Grupo F: a seleção com 9 gols sofridos em dois jogos é, paradoxalmente, o maior perigo para a cabeça dos holandeses esta noite. Não pelo talento tunisiano — que é real, mas limitado — e sim pela armadilha psicológica de um adversário que não tem nada a perder às 20h (horário de Brasília), no Arrowhead Stadium, em Kansas City.

EQUADOR 2 X 1 ALEMANHA | VITÓRIA HISTÓRICA | Giro da Rodada | Copa do Mundo 2026 | sportv

O que o Japão de 2022 ensina sobre a Holanda de hoje

Tem um precedente histórico que vale revisitar. Na Copa do Mundo de 2022, no Qatar, o Japão entrou na última rodada do grupo já classificado, enfrentou a Espanha com tudo a perder e venceu 2 a 1. Não era o cenário esperado. O contexto é diferente aqui — a Holanda ainda briga pela liderança —, mas a lição é a mesma: times que chegam à última rodada sem pressão de classificação jogam soltos, e isso cria problemas reais para quem precisa administrar resultado.

A Holanda de 2026 tem 4 pontos, mesmos do Japão no Grupo F. Um empate garante a classificação. Uma vitória pode confirmar o primeiro lugar, dependendo do que acontece em Japão x Suécia, no mesmo horário. Quem terminar na ponta escapa do Brasil na segunda fase e pega o Marrocos, segundo do Grupo C. O vice-líder, por sua vez, enfrenta Vinícius Jr. e companhia.

O que os números dizem sobre a Tunísia que ninguém comenta

Nove gols sofridos. Zero finalizações no gol contra o Japão. Esses dados são reais e constrangedores — mas contam apenas metade da história. Em matéria do SportNavo, já analisamos como o PPDA (passes permitidos por ação defensiva) da Tunísia ficou acima de 14 nos dois jogos, o que indica uma pressão defensiva quase inexistente. Para comparar: times bem organizados defensivamente costumam manter esse número abaixo de 8.

O problema para a Holanda é diferente. Com Hervé Renard assumindo o comando às pressas após a demissão de Sabri Lamouchi — que foi embora depois da goleada de 5 a 1 sofrida para a Suécia na estreia —, a Tunísia pode aparecer com um bloco baixo e compacto, sem se importar com posse de bola. Renard é especialista nisso: foi ele quem montou o Marrocos que eliminou Portugal e chegou às semifinais em 2022.

  • xG (expected goals) da Tunísia nos dois jogos: menos de 0,6 no total — o que confirma que a equipe não cria chances de qualidade, mas também não precisa criar muito para segurar um empate
  • Progressive passes da Holanda vs Suécia: altíssimo volume, com Frenkie de Jong e Tijjani Reijnders conectando linhas com frequência — mas contra um bloco fechado, esse dado tende a cair
  • xA (expected assists) de Cody Gakpo nas duas partidas: acima de 0,4 por jogo, o que o coloca entre os criadores mais eficientes do torneio até aqui

A escalação que Koeman deve usar e o que ela revela

A expectativa é que Ronald Koeman mantenha a base que goleou a Suécia por 5 a 1: Verbruggen no gol; Dumfries, Van Hecke, Virgil van Dijk e Micky van de Ven na defesa; Frenkie de Jong, Reijnders e Gravenberch no meio; Malen, Memphis Depay e Gakpo no ataque. É um time de alto nível técnico, com capacidade de criar volume ofensivo.

Decidiu.

Koeman já sinalizou que não vai poupar titulares — a disputa pela liderança do grupo é real demais para arriscar. A arbitragem fica por conta de Katia Itzel García, do México, estreia em Copa do Mundo em jogo de alto impacto.

Do lado tunisiano, Renard deve escalar Mouhib Chamakh no gol; Talbi, Rekik, Dylan Bronn na defesa; Ali Abdi, Ellyes Skhiri, Khedira e Yan Valery no meio; Elias Saad, Mejbri e Chaouat no ataque. Uma equipe com jogadores que atuam na Europa e conhecem o ritmo físico do jogo moderno — mesmo que os resultados não tenham refletido isso.

Os cenários concretos para Holanda e Tunísia

A matemática é direta. Para a Holanda, qualquer resultado diferente de uma derrota garante a classificação. Vencer coloca os holandeses em posição forte para o primeiro lugar, mas depende do resultado de Japão x Suécia. Se o Japão vencer ou empatar, a Holanda precisa de vitória para garantir a ponta. Se a Suécia ganhar, um empate pode já bastar para o primeiro lugar.

Para a Tunísia, a situação é terminal: mesmo vencendo, a classificação depende de uma combinação improvável de resultados. Com apenas 3 pontos e saldo de gols de -8, a seleção africana jogará pela honra e, talvez, para dar a Renard um argumento de que o trabalho dele merece continuidade — mesmo que por apenas 90 minutos.

O jogo começa às 20h de Brasília, com transmissão ao vivo pela CazéTV no YouTube. A Holanda não perde há 7 jogos consecutivos em fases de grupo de Copa do Mundo.