Hulk não viajou para Cusco, no Peru, onde o Atlético-MG enfrenta o Cienciano pela Copa Sul-Americana, e tampouco esteve em campo no último domingo contra o Flamengo. O atacante de 37 anos treina separadamente na Cidade do Galo enquanto seu estafe e a diretoria atleticana discutem os termos de uma rescisão contratual que, segundo apuração do SportNavo, é vista internamente pelo clube mineiro como caminho sem volta. O cenário lembra, em escala menor, o que se viu em Barcelona quando Xavi Hernández passou a treinar isolado dos demais antes de anunciar sua saída definitória — o afastamento físico como sinal público de uma ruptura já consumada nos bastidores.

A decisão que veio no vestiário

O presidente do Atlético-MG, Bracks, foi transparente ao explicar a ausência do atacante no confronto com o Flamengo.

"Foi feita hoje de tarde uma reunião com o estafe do atleta e não houve uma decisão. Viemos para o jogo. E aqui, no vestiário, horas antes do jogo, em consenso, em comum acordo entre as partes, atleta e clube, decidiu-se que ele não faria o 13º jogo, o que inviabilizaria qualquer transferência nacional"
, declarou o dirigente. A lógica por trás da decisão é cirúrgica: um jogador que disputa 13 partidas pelo Brasileirão fica impedido de atuar por outro clube na mesma competição. Poupar Hulk do 13º jogo foi, portanto, um gesto que abre a janela para uma transferência dentro do próprio Brasil — e o Fluminense, que já havia tentado contratá-lo no começo do ano sem sucesso, está de volta à mesa.

O Fluminense e a lógica do encaixe tático

Fernando Diniz construiu no Fluminense um dos sistemas ofensivos mais peculiares do futebol brasileiro — fluido, de trocas posicionais constantes, próximo do que os analistas europeus chamam de positional play com elementos de pressing alto. Hulk, na superfície, parece um perfil distante desse universo: corpo físico imponente, jogo de apoio e finalização de média distância. Mas o que se viu no Atlético-MG nos últimos anos foi um atacante que aprendeu a funcionar como referência fixa capaz de segurar a bola sob pressão e conectar triangulações — uma função que, no vocabulário catalão, se chamaria de pivot ofensivo, papel que Diniz poderia explorar com Germán Cano ao lado. A dupla Hulk-Cano criaria uma tensão posicional interessante: dois noves de características complementares, o argentino mais móvel, o brasileiro mais estático e potente.

A análise exclusiva do SportNavo mostra que, nas últimas três temporadas pelo Atlético, Hulk somou 43 gols e 19 assistências em todas as competições, números que sustentam sua relevância mesmo em um esquema de gegenpressing ou de circulação apoiada. Ao contrário do que se imagina, seu rendimento não caiu de forma abrupta: em 2024, foram 18 participações diretas em gols pelo Brasileirão — marca que justifica o interesse tricolor.

A janela fechada e o prazo real para estrear

Há, porém, uma variável que complica o entusiasmo: a janela de transferências está fechada. Mesmo que a rescisão com o Atlético-MG seja formalizada nos próximos dias, Hulk não teria condições regulamentares de entrar em campo pelo Fluminense até a reabertura da janela, prevista para depois da pausa destinada à Copa do Mundo. Na prática — perdão, para ser preciso —, o atacante chegaria ao Maracanã para treinar sob o comando de Diniz durante semanas antes de sequer calçar a chuteira em uma partida oficial. O contrato atual com o Galo vai até dezembro, o que significa que qualquer acordo de rescisão antecipada depende de compensação financeira negociada entre as partes, algo que ainda não foi concluído conforme informações disponíveis até o fechamento desta edição.

O Fluminense volta a campo no Brasileirão no próximo fim de semana, e Fernando Diniz segue sem poder contar com um centroavante de peso no plantel. Com Hulk ainda no Atlético-MG em situação irregular e a janela fechada, a janela de estreia mais realista pelo clube das Laranjeiras é agosto — quando o Brasileirão retoma após a pausa para o Mundial, e o atacante poderia entrar em cena para a reta final da competição, exatamente onde um jogador de sua experiência e poder de finalização tenderia a pesar mais.