O Estádio Codelco El Teniente, em Rancagua, a 87 quilômetros de Santiago, estava longe dos holofotes que normalmente iluminam o São Paulo em noites de competição continental. Nesta quinta-feira (7), com um time repleto de rostos jovens e pouco conhecidos, o Tricolor empatou sem gols com o O'Higgins pela quarta rodada da Copa Sul-Americana. Dois desses rostos tinham nome e história para contar: Igor Felisberto e Osório, ambos revelados em Cotia, fizeram sua estreia entre os profissionais.
A narrativa que precisa ser corrigida sobre o time reserva do São Paulo
Circulou nas redes sociais, logo após o apito final, a leitura de que o empate sem gols foi um resultado ruim — fruto de um São Paulo desmotivado, escalado com sobras. Reparemos no detalhe: Roger Machado não escalou um time de sobras. Escalou um time de gestão, com propósito declarado. O técnico deixou os titulares em São Paulo porque o Tricolor enfrenta o Corinthians no domingo (10), pelo Brasileirão 2026, e havia acabado de desgastar o elenco principal na partida contra o Bahia. Administrar esforço físico em um calendário de três competições simultâneas não é sinal de descaso — é protocolo básico de alto rendimento.
O resultado, aliás, manteve o São Paulo na liderança do Grupo C com 8 pontos — número que o próprio clube confirmou após a partida, superando os 7 do O'Higgins e os 7 do Millonarios, que venceu o Boston River por 4 a 2 no Uruguai na mesma rodada. Liderar o grupo garante classificação direta às oitavas de final. Quem terminar em segundo disputa um playoff eliminatório. A equação favorece o Tricolor.
O que os números de Cotia dizem sobre Igor Felisberto e Osório
A narrativa popular sobre revelações da base costuma romantizar o momento da estreia e ignorar o percurso. No caso de Igor Felisberto e Osório, o percurso importa tanto quanto o debut. Ambos percorreram as categorias sub-17 e sub-20 do São Paulo em Cotia — centro de formação que já revelou nomes como Oscar, Casemiro e Antony — antes de receberem a convocação para o grupo profissional em 2026.
Veja-se isto: quando Roger Machado falou sobre os três jovens em coletiva após o jogo, ele fez uma distinção clara entre os desempenhos individuais, o que indica avaliação técnica detalhada, não elogio genérico de treinador satisfeito com o empate.
"Os três meninos fizeram um jogo seguro, um pouco mais no nível do outro. A estreia do Osório foi em grande nível, Felisberto e Djhordney contribuíram coletivamente. Ponto importante", disse Roger Machado em coletiva de imprensa após o confronto em Rancagua.
A frase "estreia do Osório foi em grande nível" não é protocolar. Roger distinguiu Osório dos outros dois — Felisberto e Djhordney, que segundo o treinador contribuíram de forma mais coletiva, sem necessariamente brilhar individualmente. Essa gradação é valiosa para quem acompanha a base: indica que Osório pode ter um caminho mais rápido para o elenco principal, enquanto Felisberto ainda está em processo de adaptação ao ritmo profissional.
O contexto da competição também diz algo sobre o nível do teste. O'Higgins chegou à quarta rodada com 6 pontos — antes do empate desta quinta — e criou, segundo o próprio Roger Machado, as chances mais claras da partida. Não foi um adversário decorativo. Estrear diante de um time chileno motivado, fora de casa, em altitude moderada, sem titulares ao redor, tem peso formativo real.
Por que o Brasileirão 2026 pode ser o palco definitivo para esses jovens
A pergunta que o SportNavo levanta a partir desta quinta-feira é direta: Roger Machado vai confiar em Igor Felisberto e Osório no Brasileirão 2026? A resposta mais honesta, com base nos dados disponíveis, é que depende do calendário — e o calendário de 2026 favorece rotação.
O São Paulo joga em três frentes: Brasileirão Série A, Copa Sul-Americana e Copa do Brasil. O desgaste acumulado até o segundo semestre inevitavelmente abrirá espaços no elenco. Treinadores que constroem confiança em jovens em jogos de competição continental — exatamente o que Roger fez em Rancagua — costumam usá-los em partidas do campeonato nacional quando a carga física dos titulares está elevada.
Roger Machado reconheceu os limites do jogo sem esconder a estratégia por trás da escalação:
"Acho que a gente poderia ter coletivamente jogado melhor. Os momentos em que nosso adversário teve oportunidade foi quando devolvemos a bola no momento adequado. Primeiro tempo equilibrado. É um ponto importante — não penso futebol se não entro em campo", completou o treinador.
A frase "não penso futebol se não entro em campo para ganhar" sintetiza a mentalidade que Roger quer instalar até nos jogadores mais jovens: a estreia não é vitrine, é competição. Felisberto e Osório foram lançados nesse contexto, não em jogo-treino ou partida amistosa. Isso muda o registro da experiência — e o dado que fica nos históricos profissionais de ambos.
O São Paulo volta a campo no domingo (10), no clássico contra o Corinthians pelo Brasileirão 2026. Roger Machado deve recolocar os titulares, mas Igor Felisberto e Osório já têm minutos profissionais registrados. Para quem quiser medir o quanto essa estreia importa, o jogo contra o Corinthians é o termômetro certo — observe se algum dos dois aparece no banco de reservas. Se aparecer, Roger já tomou a decisão.










