11 empates. Esse número resume o drama do Benfica na Liga Portuguesa 2025/26 melhor do que qualquer discurso. A equipe de José Mourinho encerrou a temporada nacional invicta — 23 vitórias, 11 empates, zero derrotas —, mas terminou em terceiro lugar, fora da Champions League. A última rodada foi uma vitória por 3 a 1 sobre o Estoril, no Estádio António Coimbra da Mota, com gols de Richard Ríos, Alexander Bah e Rafa Silva. Não serviu para mudar a posição na tabela.

O que 11 empates fazem com uma campanha invicta

Não perder não é o mesmo que ganhar — e a tabela provou isso com crueldade matemática.

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O Porto, campeão, somou apenas 4 empates em 34 rodadas e venceu 28 vezes. O Sporting, vice-campeão, registrou 7 empates. O Benfica teve 11 — sete a mais que o Porto, quatro a mais que o Sporting. Em termos de pontos perdidos por empate (dois pontos cedidos versus uma vitória), o Benfica deixou, aproximadamente, 11 pontos na mesa em comparação ao aproveitamento do campeão.

A diferença no volume de vitórias também é reveladora: o Porto venceu 28 jogos; o Sporting, 25; o Benfica, 23. Cinco vitórias a menos que o Porto, duas a menos que o Sporting. Com 34 rodadas disputadas, o padrão de consistência dos Encarnados foi comprometido pela incapacidade de converter pressão em gol em partidas específicas — e não por colapsos defensivos, já que a campanha sem derrotas indica solidez estrutural.

A lógica tática por trás dos empates do Benfica

Sistemas bem organizados defensivamente nem sempre geram superávit ofensivo — e Mourinho sabe disso melhor do que ninguém.

O padrão mourinhano é reconhecível: bloco médio-baixo, linha de pressão acionada na saída de bola adversária, transições ofensivas rápidas pelos flancos. O problema estrutural é que esse modelo consome tempo de posse adversária, mas exige eficiência cirúrgica nas transições para converter oportunidades em gols. Quando a equipe enfrenta adversários que adotam postura similar — compactação central, bloqueio das linhas de passe verticais —, o resultado tende ao equilíbrio.

A avaliação do SportNavo indica que os empates do Benfica se concentraram justamente em confrontos contra equipes que renunciaram à posse e apostaram na compactação. Nessas partidas, o time encarnado manteve a solidez defensiva, mas não encontrou mecanismos para romper o bloco adversário em profundidade. A ausência de um pivô fixo que fixasse marcadores e abrisse espaços para terceiros foi um limitador recorrente no sistema ofensivo.

Richard Ríos foi o nome que mais se destacou na função de meia de chegada, mas sua presença na área foi irregular ao longo da temporada. Alexander Bah, lateral-direito com vocação ofensiva, ofereceu largura e sobreposição, porém sem regularidade de cruzamento convertido.

O que Mourinho entregou e o que não conseguiu resolver

Uma campanha invicta em 34 rodadas é um dado estatístico de alto nível — o contexto é que muda tudo.

Mourinho indicou, após o encerramento do calendário, que definiria seu futuro no clube nos próximos dias. Rumores no futebol europeu apontam o treinador português como candidato ao comando do Real Madrid na próxima temporada, o que coloca o Benfica diante de uma dupla incerteza: sem Champions e possivelmente sem treinador.

Segundo o técnico José Mourinho, a situação no clube seria definida somente após o término do calendário competitivo — sem antecipar decisões durante a temporada.

A partida contra o Estoril também foi marcada pela despedida de Pizzi, meio-campista histórico do clube, que encerrou a carreira profissional com homenagens do estádio e dos companheiros. A saída do jogador simboliza o fim de um ciclo e abre espaço para reconstrução no meio-campo.

Mourinho, o Benfica e a Liga Europa que ninguém queria

O terceiro lugar garante Liga Europa — mas o Benfica é um clube estruturado para a Champions.

A Liga Europa representa receita menor, menor visibilidade e menor capacidade de atração de reforços de alto nível. Para um clube que historicamente compete entre os 20 maiores da Europa por orçamento e torcida, a ausência da Champions por uma temporada tem impacto direto no mercado de transferências de 2026.

O paradoxo é técnico e estatístico ao mesmo tempo: o Benfica de 2025/26 foi o único time da Liga Portuguesa a terminar invicto, um feito que nenhum campeão português recente alcançou com tanta margem de segurança defensiva. E ainda assim ficou de fora da maior competição de clubes do mundo.

O clube volta às atividades pré-temporada em julho, com a definição do treinador pautando todas as decisões de mercado. Se Mourinho confirmar saída, o Benfica precisará contratar um técnico e recalibrar o sistema antes da estreia na Liga Europa, cuja fase de grupos está prevista para setembro de 2026.