Não, Alexander Isak não é o atacante mais letal do mundo neste momento. Quatro gols em 22 partidas pela temporada 2025/26, oito titularidades apenas no campeonato inglês desde sua chegada ao Liverpool por £125 milhões — recorde britânico de transferência —, e um histórico de lesões que impediu qualquer sequência real de jogos. A pergunta correta, portanto, não é se Isak está em forma. A pergunta é se a Suécia pode chegar longe na Copa do Mundo mesmo quando ele não está. E é aqui que Viktor Gyokeres entra para mudar o argumento inteiro.
A temporada que quase tirou Isak da lista de Graham Potter
O verão europeu de 2025 começou mal para Isak. O atacante de 26 anos protagonizou uma saída tensa do Newcastle — protestos que o privaram de uma pré-temporada completa —, e o corpo cobrou a conta ao longo dos meses seguintes. O Liverpool, que apostou a maior soma já paga por um jogador na história do futebol inglês, viu seu camisa 9 disputar apenas fragmentos de uma temporada que deveria ser de consagração. Quatro gols em 22 aparições não é o retrato de um jogador de classe mundial; é o retrato de um atleta correndo atrás de um ritmo que nunca chegou a encontrar.
O técnico Graham Potter, que assumiu a seleção sueca em outubro de 2025, foi direto ao ponto na coletiva de convocação:
"Nosso desafio é colocar Alex no melhor momento da temporada e fazê-lo atingir seu nível máximo, porque se ele fizer isso, é um jogador de classe mundial."A frase revela tanto quanto esconde. Potter sabe que Isak no topo é um dos centroavantes mais completos da Europa — técnica, mobilidade, finalização com ambos os pés. Mas também sabe que esse Isak ainda não apareceu em 2025/26.
Gyokeres carrega os números e a confiança que a Suécia precisava
Enquanto Isak acumulava lesões, Viktor Gyokeres acumulava gols. O atacante do Arsenal chega ao Mundial com 19 gols marcados pela seleção sueca — artilheiro histórico ativo da equipe — e como principal referência ofensiva do clube londrino na temporada 2025/26, com 21 gols no total pela campanha. O que para o argentino é o peso de ser o segundo de Messi, para o sueco é a liberdade de ser o primeiro de uma geração: Gyokeres não carrega sombra de ninguém, carrega apenas a responsabilidade de um centroavante que aprendeu a decidir jogos em alta pressão.
A convocação dos dois — junto de outros nove jogadores baseados na Inglaterra, entre eles Victor Lindelof do Aston Villa, Anthony Elanga do Newcastle e os meio-campistas Yasin Ayari (Brighton) e Lucas Bergvall (Tottenham) — compõe um grupo de 11 atletas atuando no futebol inglês, o que dá à seleção sueca uma coesão tática incomum: jogadores acostumados ao mesmo ritmo, ao mesmo estilo físico de jogo, ao mesmo calendário extenuante.
A ausência de Kulusevski e o Grupo F que não perdoa ingenuidade
A sombra mais pesada sobre a convocação tem nome e joelho: Dejan Kulusevski. O meia-atacante do Tottenham, 26 anos, não jogou nenhum minuto na temporada inteira por conta de uma lesão no joelho e ficou fora da lista. Potter admitiu que a decisão foi das mais difíceis que tomou desde que assumiu o cargo.
"Uma decisão muito, muito difícil, levando em conta onde ele esteve e o que fez no último ano, onde está na reabilitação com quatro semanas e meia até o primeiro jogo", disse o técnico britânico. Kulusevski era o terceiro vértice de um triângulo ofensivo que, completo, seria o mais talentoso da história recente do futebol sueco. Sem ele, Potter redistribui as cartas.
A Suécia chega ao Mundial carregando o peso de uma campanha de qualificação desastrosa — terminou em último lugar em seu grupo nas eliminatórias com apenas dois pontos —, e só garantiu a vaga pela Nations League, com vitórias sobre Ucrânia e Polônia nos play-offs. O Grupo F não oferece margem para romantismo: Tunísia em 15 de junho em Monterrey, Holanda em 20 de junho em Houston e Japão em 26 de junho em Dallas. Três adversários com histórico e organização táctica distintos; três testes que exigirão respostas diferentes de Potter.
A Holanda, com Virgil van Dijk e a solidez defensiva que a caracteriza, representa o obstáculo mais duro. O Japão, que surpreendeu o mundo no Catar em 2022 ao eliminar Alemanha e Espanha na fase de grupos, não pode ser subestimado. E a Tunísia, adversária de abertura, costuma ser o tipo de jogo que seleciona europeias vencem no papel e complicam no campo. A Suécia estreia em 15 de junho — e até lá, Graham Potter espera ver Alexander Isak finalmente em ritmo de jogo, com os últimos minutos da temporada inglesa como ensaio geral para o que vem a seguir.








