A proposta de Paolo Zampolli, enviado especial de Donald Trump, para substituir o Irã pela Itália na Copa do Mundo de 2026 reacende o debate sobre meritocracia no futebol internacional. Com quatro títulos mundiais (1934, 1938, 1982, 2006) contra zero do Irã, a Azzurra possui historicamente credenciais superiores, mas a ausência de duas Copas consecutivas expõe uma crise sem precedentes na seleção italiana.

O fracasso italiano nas eliminatórias europeias

A Itália acumulou apenas 11 pontos em oito jogos nas eliminatórias para a Copa de 2026, terminando atrás da França (22 pontos) no Grupo D. A derrota por 3 a 1 para a França em 17 de novembro de 2024, no Stade de France, selou matematicamente a eliminação italiana. Desde a conquista da Eurocopa em 2021, quando venceu a Inglaterra nos pênaltis por 3 a 2 em Wembley, a seleção comandada por Luciano Spalletti venceu apenas 40% de seus compromissos oficiais.

O desempenho contrasta drasticamente com o Irã, que garantiu vaga direta ao terminar em segundo lugar no Grupo A das eliminatórias asiáticas com 16 pontos em dez partidas. A seleção persa, dirigida por Amir Ghalenoei, manteve aproveitamento de 53,3% e sofreu apenas sete gols durante toda a campanha classificatória.

Histórico em Copas revela superioridade italiana

Conforme levantamento do SportNavo, a comparação estatística entre as seleções demonstra a disparidade histórica. A Itália disputou 18 edições de Copa do Mundo, conquistando quatro títulos e chegando a duas finais adicionais (1970, 1994). Seus 83 gols em Copas superam os 12 do Irã, que participou de apenas seis edições (1978, 1998, 2006, 2014, 2018, 2022) sem jamais avançar às oitavas de final.

Roberto Baggio (9 gols), Paolo Rossi (9) e Silvio Piola (4) formam o trio de artilheiros italianos em Copas, enquanto o Irã tem Mehdi Taremi como maior goleador com apenas 2 tentos. A média de 4,6 gols por edição da Azzurra contrasta com os 2 gols por Copa da seleção iraniana.

"É preciso merecer para ir à Copa do Mundo", declarou Luciano Buonfiglio, presidente do Comitê Olímpico Nacional da Itália, rejeitando qualquer convite para substituir o Irã.

Reações oficiais expõem divisões diplomáticas

A embaixada iraniana na Itália respondeu duramente à proposta americana, classificando-a como "falência moral" dos Estados Unidos. O comunicado oficial destacou que "o futebol pertence ao povo, não aos políticos", criticando a tentativa de interferência política no esporte.

Giovanni Malagò, cotado para assumir a presidência da Federação Italiana de Futebol após o fiasco eliminatório, evitou comentar publicamente a proposta. A Fifa mantém silêncio oficial, mas regulamentações da entidade impedem alterações nos grupos após o sorteio realizado em dezembro de 2024.

O ranking FIFA atual posiciona a Itália em nono lugar com 1726 pontos, enquanto o Irã ocupa a 20ª colocação com 1572 pontos. Segundo análise do SportNavo, a diferença de 154 pontos representa a menor distância entre as seleções desde 2018, evidenciando o declínio italiano e a ascensão persa no cenário mundial.

A Copa do Mundo de 2026 começará em 11 de junho, com o Irã enfrentando Bélgica, Egito e Nova Zelândia no Grupo G, enquanto a Itália assistirá pela segunda edição consecutiva da arquibancada.